segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

28 DE NOVEMBRO DE 2015, MEU 38º SÁBADO NO CAMBOJA

Neste trigésimo oitavo sábado no Camboja resolvi mudar um pouco a programação e visitar algo que não fosse um templo budista, tarefa quase impossível após mais de oito meses por aqui. 
Pesquisando na Internet, acabei encontrando uma interessante opção, que não consta em muitos guias turísticos. Meu destino principal do dia seria a galeria de arte de Vann Nath, um renomado artista cambojano remanescente do regime genocida do Khmer Rouge.
Iniciei minha caminhada com duas sacolinhas de fruta, uma com mamão e outra com abacaxi, aproveitando que o carrinho estava na frente do hotel. Por cada sacola, paguei a bagatela de US$ 0,25. Andei até o final da Monireth Boulevard, até chegar na curiosa escultura de uma apsara acompanhada de um assustador crocodilo.
Após atravessar o imenso cruzamento que transforma a Monireth em Charles de Gaulle, entrei na rua Tchecoslováquia, que dá acesso ao museu. No caminho, passei pela PPIU (Phnom Penh International University).
Cerca de 40 minutos depois de sair do hotel, cheguei à galeria, que não consta no Google Maps. Ela fica quase no final da rua, após passar um restaurante chamado The Spoon e antes de chegar no cruzamento com a renomada Confederation de la Russie Blvd., a avenida que leva ao aeroporto.
Lá no museu, até por ser o único visitante naquela manhã de sábado, tive tratamento VIP. O genro de Vann Nath me deu atenção por uns vinte minutos, contando um pouco da história dos maravilhosos quadros e da jornada que superação que seu sogro atravessou e retratou magistralmente em suas obras. A esposa de Vann Nath também estava lá, e consegui uma foto dela ao lado de um retrato do já falecido artista. Tentei tirar mais fotos, mas ela quis me cobrar entre US$ 10 e US$ 20 para fazê-lo, então acabei desistindo. A maior parte dos quadros são retratos de situações que o artista vivenciou em seu período de cativeiro pelo Khmer Rouge, todos muito impactantes. No final da visita, acabei fazendo uma doação de US$ 2 em troca de um folder simbólico, apenas para ajudar o incrível lugar a ficar aberto. Caso vão até lá algum dia, procurem meu nome no livro de visitas.
Logo ao sair do museu avistei uma interessante escultura de dois veados dourados na Confederation de la Russie Blvd., o que me motivou a dar mais uma volta por lá. Passei novamente em frente aos impressionantes prédios governamentais do Conselho Ministerial, Ministério da Defesa e Forças Armadas (este último com muros decorados com maravilhosos alto-relevos). No caminho, passei por um ateliê de escultura Khmer, que exibia as tradicionais estátuas na porta de entrada.
Já faminto, terminei o passeio próximo às 11h30, e retornei pela Tchecoslováquia até o restaurante The Spoon. O ambiente era chiquérrimo, com toalhas de linho e guardanapos de tecido dobrados em forma de origami. Após esperar entre cinco a dez minutos por uma garçonete, me contaram que o buffet livre ficava no andar de cima, então me dirigi até lá. O segundo andar era um pouco menos luxuoso, mas ainda assim melhor que a média. Eu era o único cliente por lá, e posso dizer em primeira mão que a comida estava fria (eles haviam recém-ligado os aquecedores sob as panelas), ou seja, parece que eles reutilizam os alimentos do dia anterior. A qualidade dos pratos, no entanto, era indiscutível. Somando-se a isso o preço camarada de US$ 4, o buffet mais barato de Phnom Penh, foi realmente uma barganha. Os únicos detalhes que me desagradaram foram a insossa sobremesa de gelatina e uma sopa fria com sabor bem duvidoso. Fora isso, vale muito a pena ir lá.
Ao terminar a refeição, mais do que satisfeito, iniciei o caminho de volta pela Tchecoslováquia até chegar no hotel Marady pouco menos de uma hora depois, encerrando assim a parte turística deste 28 de novembro no Camboja.
Caso tenham gostado do post, assistam também a vídeos da viagem no meu canal no YouTube em https://www.youtube.com/channel/UCSnlDgGBkeCnhbDbLLkCjew
PS - agradeço a todos que estão assistindo os vídeos, pois o canal está próximo da marca de 5.600 visualizações.
Peço novamente aos que estão assistindo para que curtam os vídeos e cliquem nos anúncios sempre que possível (não custa nada, é só fechar depois)




































quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

25 DE NOVEMBRO, O SEGUNDO DIA DO FERIADO DO WATER FESTIVAL AQUI NO CAMBOJA

Após um curto passeio no dia anterior, resolvi arriscar um pouco mais no segundo de três dias de feriado do Water Festival. Após preparar minha mochila e me besuntar com protetor solar, tirei a moto que eu alugo mensalmente da garagem e peguei a estrada. Meu destino era Takeo, cidadezinha que fica a 78 km de Phnom Penh. Fiz algumas paradas no caminho para tirar fotos e descansar as mãos, pois o trajeto não é fácil na National Road 2, uma BR bem esburacada e empoeirada.
Quase 3 horas após de sair de Phnom Penh, próximo ao meio-dia, cheguei na curiosa estátua que recepciona os visitantes em Takeo. Minha próxima parada seria no restaurante Stung Takeo, que vende a especialidade da cidade: lagosta. Parei em umas três guesthouses antes de encontrar alguém que e entendesse e falasse inglês bem o suficiente para me ajudar. Uma alma generosa resolveu me mostrar onde o restaurante ficava, indo de moto até a frente do lugar.
O restaurante fica próximo a uma universidade que tem filial na cidade e, apesar de ser o refúgio das carteiras mais recheadas da cidade, está longe de ser luxuoso. É uma estrutura de madeira, bem espaçosa, com vista para um pequeno lago. O principal propósito da minha ida à Takeo acabou não sendo atingido, pois o prato mais em conta feito com lagosta custava US$ 15, bem mais do que eu estava disposto a investir. Acabei pedindo uma porção de um dos frutos do mar que mais como por aqui, lula, por apenas US$ 5. A comida era deliciosa, mas o atendimento, horrível. Esperei cerca de uma hora até a refeição chegar, e muitos minutos para ser atendido. Quando a comida chegou, eu já estava quase indo embora, mas, enfim, valeu a pena.
A cidade, apesar de diminuta, ainda rendeu boas fotos. Encontrei algumas estátuas em uma pracinha, conhecidas como Takeo Pond, que ficava ao lado de alguns prédios públicos. Dei uma rodada pela cidade até encontrar o último dos "pontos turísticos" sugeridos pelo guia Lonely Planet na cidade. A antiga casa de Ta Mok, um dos principais membros do alto escalão do Khmer Rouge (https://pt.wikipedia.org/wiki/Khmer_Vermelho). Acabei não encontrando por lá nada mais que uns dois ou três prédios que hoje em dia abrigam uma instituição educacional. Os arredores bucólicos, no entanto, acabaram valendo o passeio. Caso você espere encontrar alguma espécie de museu ou registro que Ta Mok viveu por lá, no entanto, desista, pois não há nada do gênero. Antes de sair da cidade, passei pelo museu provincial, que estava fechado, até por ser feriado.
Pouco depois das 14h, peguei a estrada novamente, tentando encontrar o templo de Phnom Da. Ao olhar no Google Maps e ver a intrincada rede de estradinhas para chegar até lá (sugere-se que se pegue um barco caríssimo para ir, por ser mais fácil), acabei desistindo, pois não haveria tempo hábil para explorar a região e voltar para Phnom Penh ainda no período do dia.
Acabei optando por passar por outro ponto turístico na volta, Tonle Bati, um lago que é uma área bem popular entre os nativos, que fazem piqueniques por lá. À beira do lago estão umas espécies de palafitas, nas quais o pessoal se senta para fazer a refeição. Eu estava pensando em ir até uma delas, mas a moça responsável sugeriu um preço bem absurdo para ir ver o lago, algo entre US$ 5 e US$ 10, então acabei tirando fotos a distância mesmo. Depois ela sugeriu que eu comesse algo por lá que eu poderia ficar a beira do lago "de graça", mas à esta altura ela já havia perdido o cliente.
A poucos metros da lagoa, encontrei o pitoresco templo Yeay Pow. O lugar é cercado por uma fileira de curiosas estátuas, a primeira delas uma mulher montada em um porco. Belas stupas e pequenos pavilhões jazem à beira do lago, formando uma tranquilizante atmosfera. A natureza dos arredores é privilegiada, coqueiros são avistados próximos ao templo e também em pequenas ilhotas que povoam o lago. Andando pelo vasto terreno do pagoda, encontrei um santuário muito bem guarnecido de estátuas e decorações budistas. Um monge estava rezando quando cheguei. O templo principal tinha um curioso "muro", cujo corrimão era o corpo de uma naga, e os pilares eram guerreiros mitológicos, que aparentam estar sustentando o corpo da serpente sagrada. As tradicionais nagas podem ser vistas ainda em uma bonita fonte. Um motivo bem presente nas inúmeras estátuas do Yeay Pow são cavalos, seja montados por divindades ou puxando uma carruagem. Me interessou ainda uma estátua com quatro faces, dourada, abrigada do sol sob um pequeno pavilhão, ao lado do templo principal. Outra cena que chama a atenção é um tipo de santuário que foi "esculpido"em uma grande árvore. No oco da árvore, uma estátua de buda parece estar orientando alguns jovens monges budistas. Outros animais são reverenciados em fidedignas estátuas, como tigre, naja, macaco, cabra, elefante e boi. Perto deste último, um impressionante santuário abriga cinco suntuosas estátuas de buda, praticamente em tamanho real. Elas estão dispostas sob uma elegante plataforma vermelha e dourada. Na parte de trás do templo principal, uma agradável surpresa. Um antiquíssimo templo de pedra foi mantido próximo a estrutura mais recente e, apesar de aparentar ter centenas de anos de idade, ainda permanece firme e forte. Esta estrutura apresenta algumas inscrições em alto-relevo incompreensíveis para mim e alguns charmosos tufos de grama a tornam ainda mais peculiar. Em seu interior, um pequeno altar budista, com uma estátua, alguns adereços e uma caixa de oferendas comprovam que o dinossauro arquitetônico ainda tem seu valor no mundo atual.
Terminada a visita ao Yeay Pow Temple, me dirigi a seu ancestral mais famoso, o templo Ta Prohm, este sim um exemplo de longevidade, pois foi construído no final do século XII. Para mais informações sobre o místico lugar, acesse
http://www.tourismcambodia.com/travelguides/provinces/takeo/what-to-see/64_ta-prohm-temple.htm.
Logo na entrada, a exemplo de outros pontos turísticos fora de Phnom Penh, fui abordado inúmeras vezes por inúmeros locais, cada um deles tentando obter dinheiro de uma forma diferente. Os que nada tinham a oferecer pediam doações, enquanto que muitos jovens estavam vendendo incenso para ser oferecido nos altares. Acabei não contribuindo com nenhum deles, e apenas requeri o "serviço" de vigilância da minha moto, que estacionei em frente ao templo. Pra falar bem a verdade, não havia a minima necessidade, pois no Camboja roubos de veículos são extremamente incomuns.
O templo em si é uma majestosa estrutura de pedra, que foi revitalizada com a inclusão de árvores e arbustos verdejantes por toda sua extensão. No interior, encontrei alguns pontos de reverência, onde os locais estavam exercendo a religião budista. As paredes do templo apresentam interessantes alto-relevos e o templo foi construído de forma semelhante aos dos impérios inca, maia e azteca na América do Sul, com pesadas pedras sendo empilhadas e sem o uso de cimento ou algum tipo de material aderente. Algumas partes do complexo estão interditadas, sábia decisão, pois certos setores parecem como um castelo de cartas prestes a desabar após qualquer movimento brusco, como algum espertinho tentando escalar as ruínas.
Por volta de 16h30 terminei a visita,  paguei 500 riels (cerca de R$ 0,50) para a menina que "cuidou"da moto e iniciei o trajeto de 30km de volta para Phnom Penh.  Pouco antes do por-do-sol eu já estava de volta ao Hotel Marady, encerrando assim a parte turística deste meu 25 de novembro no Camboja.

Caso tenham gostado do post, assistam também a vídeos da viagem no meu canal no YouTube em https://www.youtube.com/channel/UCSnlDgGBkeCnhbDbLLkCjew
PS - agradeço a todos que estão assistindo os vídeos, pois o canal está próximo da marca de 5.600 visualizações.
Peço novamente aos que estão assistindo para que curtam os vídeos e cliquem nos anúncios sempre que possível (não custa nada, é só fechar depois)