Meu segundo
dia em Kampot começou cedo. Por volta de 8h40, eu já estava de banho tomado,
alimentado e na frente do portão de entrada do parque nacional Bokor (Preah
Monivong National Park). Levei cerca de meia hora para chegar lá, de moto.
Paguei a entrada de 2.000 riel (cerca de 2 reais) e entrei. Logo de cara, uma
bela estátua me recepcionou. O lugar é bem organizado, com seguranças, bilhete
de entrada e etc. A concessão do parque, assim como de muitos outros lugares no
Camboja, é de responsabilidade de uma empresa vietnamita (segundo ouvi) e
talvez por isso o lugar seja tão organizado.
Comecei
então o longo trajeto até o topo da montanha, que levaria quase 45 minutos
(considerando paradas para fotos). O parque é um verdadeiro tesouro, com muita
natureza a disposição e vistas belíssimas.
Meia hora
após começar a subida, encontrei um pequeno mirante próximo a uma cachoeira. O
mirante não estava em perfeitas condições, com algumas pedras amontoadas ao
lado. Me aproximei para tirar foto, mas a grande altura e a instabilidade do
terreno me fizeram sentir um pouco de vertigem, então resolvi não me aventurar
muito por aqueles lados.
Por todo o
trajeto, havia seguranças. Uma delas inclusive sorriu e acenou, cumprimentando.
Enfim, por volta de 9h30, finalmente cheguei ao primeiro checkpoint da
montanha, no qual uma imensa estátua budista apareceu, envolta em nuvens. A
esta altura, algo inusitado aconteceu: comecei a sentir um pouco de frio, coisa
infrequente no Camboja, a não ser que se esteja em um local com forte
ar-condicionado.
Havia muita
gente próxima àquela estátua, a maioria tirando selfies. Alguns estavam fazendo
oferendas e outros apenas andando por lá, como era o meu caso. Havia muita
neblina por lá, mas não o suficiente para poder "pegar" alguma nuvem,
que era uma das coisas que eu mais queria ter feito por lá, mas acabei
concluindo que isso é mais uma lenda que realidade em si.
Ao terminar
esta primeira visita, desci a inclinação que levava à estátua e encontrei um
mapa do parque, quando tive então noção da grandeza deste e do enorme número de
estruturas que eu visitaria durante aquele dia. Uma coisa que gostei muito foi
a preocupação com limpeza neste lugar, representada por placas que avisavam os
visitantes de multa no caso de serem flagrados jogando lixo no chão - em nenhum
outro lugar no Camboja encontrei tal tipo de punição sendo aplicada.
Minha
próxima parada foi na cachoeira Popovkill, um belo lugar, que não deixa nada a
desejar em relação às suas pares brasileiras. Uma curiosidade de lá era a água
marrom, mas cristalina, que vi por lá, além das redondezas servirem de ponto de
encontro para vários cambojanos fazerem piquenique e churrasco em feriados e
fins de semana. Ao terminar a visita, continuei o trajeto à esquerda. Após
alguns minutos, a estrada de asfalto acabou e me deparei com uma placa em
frente a uma trilha, que indicava o início de uma aventura de ecoturismo. Por
motives óbvios (falta de tempo e espaço para ir de moto), dei meia volta.
A próxima
parada (após passar por conjuntos residenciais em construção e por um centro de
recreação infantil) foi o Wat Sampov Pram, um complexo de templos budistas (os
mais pitorescos de pedra e um com belíssimas inscrições em alto relevo nas
paredes), povoado de estátuas com motivos budistas e que oferecia uma belíssima
vista panoramica da montanha.
Ao terminar
minha visita àquele Wat, já estava com fome e felizmente havia um pequeno
restaurant logo na saída. Pedi um bai cha (arroz frito) com carne bovina, que
custou US$ 2.
Até então,
o trajeto havia sido de subida, situação esta que mudou após sair do
restaurante. Descendo um pouco com a moto, havia um grande prédio à esquerda,
que parecia ser algo como a sede do resort que a montanha abriga. Em frente à
este, havia uma esplanada com inúmeras bandeiras de outros países, incluindo o
meu querido Brasil. Do outro lado da estrada, encontrei um simpático templo
chinês, recentemente construído. Foi interessante ver um outro tipo de templo,
com decoração e estátuas diferentes. Os chineses fazem pinturas em azulejos e
decoram os pilares e portas do templo, mas na parede não havia pinturas, ao
contrário dos templos cambojanos. O número de estátuas também é bem menor. Na
escadaria do templo havia um tipo de forno e um tipo de lanterna chinesa, ambos
bem interessantes.
Após sair
do templo, subi na moto novamente e passei por um belo trecho de campos
verdejantes e algumas construções de outrora, em estado de conservação
precário, mas que davam um charme arcaico ao lugar. Em frente a um belo lago,
encontrei uma das principais atrações da montanha, a antiga igreja católica,
que data da época em que os franceses eram figurinha carimbada em Bokor e no
Camboja. A igreja tem uma aparência alaranjada bem pitoresca, proveniente de
líquens que habitam nas paredes de pedra. O interior da igreja, no entanto, não
apresentava nada de mais, apenas uma estrutura escura, suja e decrépita.
Próximo à entrada da igreja, à esquerda desta, havia alguns degraus que davam
acesso a uma trilha em uma pequena colina, mas acabei não indo até o final
desta, pois havia bastante mato e nenhuma promessa de algo interessante no
topo.
Segui então
caminho até chegar no prédio do velho cassino (que está em fase de reformas).
Justamente por ter sido reconstruído, não havia lá nada passível de interesse a
não ser estar em um lugar histórico e também um local mais alto que permitia
uma melhor vista da montanha e arredores.
Seguindo a
mesma estrada que me levou até lá, vi ainda mais três construções, estas sim
sem qualquer restauração. A estrada pavimentada acabou antes de chegar lá,
então fui andando por uma trilha coberta de grama. Um deles era um antigo hotel
e o outro a antiga residência do governador da província. Não havia qualquer
tipo de placa lá sinalizando qual era qual, então fui pela lógica em relação ao
que li no guia Lonely Planet.
Fiz então o
caminho de volta e virei à direita, até chegar em um checkpoint no qual havia
um moderno templo budista, com paredes caprichadamente decoradas, com presença
maciça de altos relevos. Em frente à este vi uma placa que indicava a
existência de uma represa ali perto. Fui até lá, mas acabei me decepcionando.
Nada mais havia que uma comporta com baixíssimo nível de água e um “lago” que
oferecia passeios de pedalinho para casais.
Fiquei lá
pouquíssimo tempo e iniciei o trajeto de volta para a saída da montanha. Fiz
mais uma parada lá, em um lugar chamado Black Temple, que nada mais era que uma
estrutura bem carcomida, sem nada dentro e com alguns vendedores em frente. O
lugar ficava na curva que antecedia o acesso à primeira estátua que vi lá, do
buda gigante envolto em neblina.
Pouco
depois das 15h eu já estava novamente no centro de Kampot. Próximo à antiga
ponte francesa (que agora está interditada), encontrei um vendedor de pizza
ambulante e pedi uma de frutos do mar, por US$ 2,50. Passei em um mercadinho
para comprar duas latinhas de cerveja, e fui fazer o lanche da tarde na
guesthouse.
Como ainda
tinha duas boas horas de sol, resolvi ir procurar as cavernas que eu não havia
encontrado no dia anterior. Desta vez li meus guias com mais atenção e
encontrei uma placa que ficava no lado esquerdo da estrada, na qual estava
escrito Climbodia (uma empresa que organiza alpinismo em cavernas) e virei ali.
Após alguns quilômetros em uma estrada de chão bem esburacada e desconfortável,
acabei chegando na primeira das duas cavernas na qual eu iria naquele dia.
Nesta, no entanto, havia uma entrada de US$ 1 e, de acordo com o guia, menos
estruturas interessantes que a outra, então acabei não entrando (retornei no
dia seguinte). Um dos guias desta caverna pré-histórica me indicou o caminho
para a White Elephant Cave, que não era tão fácil de encontrar, mas acabei
achando.
O lugar é
bem isolado, e fica atrás de uma plantação cujo acesso pode ser feito através
de uma de duas pontes. Deixei a moto estacionada em uma estradinha de terra que
me levou até lá (o capacete também) e não tive problema algum – quando voltei,
tudo estava lá. Enfim, após contornar a plantação e procurar por alguns minutos
um caminho que me levasse até a caverna, cheguei a um lugar onde tinha algumas
crianças e dois adultos conversando, além de um painel com algumas fotos de
turistas que visitaram a caverna. As crianças se ofereceram para ser minhas
guias e acabei aceitando, até porque já era tarde e eu não teria menos de uma
hora de sol para fazer a visita e fazer o trajeto de volta.
Já dentro
da caverna, reparei quão necessária seria a presença de uma lanterna,
recomendada no guia, pois muitas áreas eram bem escuras lá dentro, como era de
se esperar. Mesmo sem a presença da mesma, os garotos conseguiram me mostrar
várias estruturas, a maioria delas com a forma de animais. A mais famosa é a
que dá nome à caverna, a do rosto de um elefante. Havia também um macaco e um
crocodilo, entre outras que não lembro agora. Andamos por uns quinze minutos lá
dentro e os garotinhos quiseram continuar o trajeto por uma entrada bem
íngreme, fácil para eles transitarem, mas como eu estava de chinelo e as rochas
estavam escorregadiças, resolvi não arriscar e pedi para fazermos o trajeto de
volta. O passeio foi bacana, mas visitar cavernas e ver estruturas rochosas que
lembram outras coisas realmente não me apeteceu tanto assim.
Ao terminar
o passeio, dei uma gorjeta aos garotos e iniciei o caminho de volta, que foi
igualmente tortuoso e difícil. Uma menina de bicicleta percebeu que eu nao
tinha certeza em relação a qual lado virar em uma encruzilhada e acabou me
ajudando a pegar o caminho que levava à estrada nacional de volta à Kampot. Já
na guesthouse, tomei banho, me troquei e fui procurar um lugar para jantar.
Novamente o local que eu pretendia ir, chamado Rusty`s Keyhole (onde
supostamente come-se as melhores costeletas da cidade), estava fechado, então
acabei indo ao restaurante que me foi recomendado pelos donos da guesthouse,
chamado Veronica`s Kitchen, em frente ao lugar que eu queria ir. O lugar era
aconchegante, mas com dois problemas. O maior deles era a grande presença de
pernilongos, que ficaram me incomodando o tempo inteiro que passei lá. O
segundo era a trilha sonora do local, músicas antiquíssimas, que me pareceram
ser dos anos 1940 ou 1950 compuseram uma atmosfera nostálgica e entediante.
Comi lá um tipo de guisado feito com carne de frango e de porco, que
supostamente é um prato consumido em ocasiões especiais, mas que de especial
não tinha nada, apenas o preço, quase US$ 6.












































































































































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