domingo, 15 de novembro de 2015

O SEGUNDO DIA DA MINHA SEGUNDA VISITA À KAMPOT

Meu segundo dia em Kampot começou cedo. Por volta de 8h40, eu já estava de banho tomado, alimentado e na frente do portão de entrada do parque nacional Bokor (Preah Monivong National Park). Levei cerca de meia hora para chegar lá, de moto. Paguei a entrada de 2.000 riel (cerca de 2 reais) e entrei. Logo de cara, uma bela estátua me recepcionou. O lugar é bem organizado, com seguranças, bilhete de entrada e etc. A concessão do parque, assim como de muitos outros lugares no Camboja, é de responsabilidade de uma empresa vietnamita (segundo ouvi) e talvez por isso o lugar seja tão organizado.
Comecei então o longo trajeto até o topo da montanha, que levaria quase 45 minutos (considerando paradas para fotos). O parque é um verdadeiro tesouro, com muita natureza a disposição e vistas belíssimas.
Meia hora após começar a subida, encontrei um pequeno mirante próximo a uma cachoeira. O mirante não estava em perfeitas condições, com algumas pedras amontoadas ao lado. Me aproximei para tirar foto, mas a grande altura e a instabilidade do terreno me fizeram sentir um pouco de vertigem, então resolvi não me aventurar muito por aqueles lados.
Por todo o trajeto, havia seguranças. Uma delas inclusive sorriu e acenou, cumprimentando. Enfim, por volta de 9h30, finalmente cheguei ao primeiro checkpoint da montanha, no qual uma imensa estátua budista apareceu, envolta em nuvens. A esta altura, algo inusitado aconteceu: comecei a sentir um pouco de frio, coisa infrequente no Camboja, a não ser que se esteja em um local com forte ar-condicionado.
Havia muita gente próxima àquela estátua, a maioria tirando selfies. Alguns estavam fazendo oferendas e outros apenas andando por lá, como era o meu caso. Havia muita neblina por lá, mas não o suficiente para poder "pegar" alguma nuvem, que era uma das coisas que eu mais queria ter feito por lá, mas acabei concluindo que isso é mais uma lenda que realidade em si.
Ao terminar esta primeira visita, desci a inclinação que levava à estátua e encontrei um mapa do parque, quando tive então noção da grandeza deste e do enorme número de estruturas que eu visitaria durante aquele dia. Uma coisa que gostei muito foi a preocupação com limpeza neste lugar, representada por placas que avisavam os visitantes de multa no caso de serem flagrados jogando lixo no chão - em nenhum outro lugar no Camboja encontrei tal tipo de punição sendo aplicada.
Minha próxima parada foi na cachoeira Popovkill, um belo lugar, que não deixa nada a desejar em relação às suas pares brasileiras. Uma curiosidade de lá era a água marrom, mas cristalina, que vi por lá, além das redondezas servirem de ponto de encontro para vários cambojanos fazerem piquenique e churrasco em feriados e fins de semana. Ao terminar a visita, continuei o trajeto à esquerda. Após alguns minutos, a estrada de asfalto acabou e me deparei com uma placa em frente a uma trilha, que indicava o início de uma aventura de ecoturismo. Por motives óbvios (falta de tempo e espaço para ir de moto), dei meia volta.
A próxima parada (após passar por conjuntos residenciais em construção e por um centro de recreação infantil) foi o Wat Sampov Pram, um complexo de templos budistas (os mais pitorescos de pedra e um com belíssimas inscrições em alto relevo nas paredes), povoado de estátuas com motivos budistas e que oferecia uma belíssima vista panoramica da montanha.
Ao terminar minha visita àquele Wat, já estava com fome e felizmente havia um pequeno restaurant logo na saída. Pedi um bai cha (arroz frito) com carne bovina, que custou US$ 2.
Até então, o trajeto havia sido de subida, situação esta que mudou após sair do restaurante. Descendo um pouco com a moto, havia um grande prédio à esquerda, que parecia ser algo como a sede do resort que a montanha abriga. Em frente à este, havia uma esplanada com inúmeras bandeiras de outros países, incluindo o meu querido Brasil. Do outro lado da estrada, encontrei um simpático templo chinês, recentemente construído. Foi interessante ver um outro tipo de templo, com decoração e estátuas diferentes. Os chineses fazem pinturas em azulejos e decoram os pilares e portas do templo, mas na parede não havia pinturas, ao contrário dos templos cambojanos. O número de estátuas também é bem menor. Na escadaria do templo havia um tipo de forno e um tipo de lanterna chinesa, ambos bem interessantes.
Após sair do templo, subi na moto novamente e passei por um belo trecho de campos verdejantes e algumas construções de outrora, em estado de conservação precário, mas que davam um charme arcaico ao lugar. Em frente a um belo lago, encontrei uma das principais atrações da montanha, a antiga igreja católica, que data da época em que os franceses eram figurinha carimbada em Bokor e no Camboja. A igreja tem uma aparência alaranjada bem pitoresca, proveniente de líquens que habitam nas paredes de pedra. O interior da igreja, no entanto, não apresentava nada de mais, apenas uma estrutura escura, suja e decrépita. Próximo à entrada da igreja, à esquerda desta, havia alguns degraus que davam acesso a uma trilha em uma pequena colina, mas acabei não indo até o final desta, pois havia bastante mato e nenhuma promessa de algo interessante no topo.
Segui então caminho até chegar no prédio do velho cassino (que está em fase de reformas). Justamente por ter sido reconstruído, não havia lá nada passível de interesse a não ser estar em um lugar histórico e também um local mais alto que permitia uma melhor vista da montanha e arredores.
Seguindo a mesma estrada que me levou até lá, vi ainda mais três construções, estas sim sem qualquer restauração. A estrada pavimentada acabou antes de chegar lá, então fui andando por uma trilha coberta de grama. Um deles era um antigo hotel e o outro a antiga residência do governador da província. Não havia qualquer tipo de placa lá sinalizando qual era qual, então fui pela lógica em relação ao que li no guia Lonely Planet.
Fiz então o caminho de volta e virei à direita, até chegar em um checkpoint no qual havia um moderno templo budista, com paredes caprichadamente decoradas, com presença maciça de altos relevos. Em frente à este vi uma placa que indicava a existência de uma represa ali perto. Fui até lá, mas acabei me decepcionando. Nada mais havia que uma comporta com baixíssimo nível de água e um “lago” que oferecia passeios de pedalinho para casais.
Fiquei lá pouquíssimo tempo e iniciei o trajeto de volta para a saída da montanha. Fiz mais uma parada lá, em um lugar chamado Black Temple, que nada mais era que uma estrutura bem carcomida, sem nada dentro e com alguns vendedores em frente. O lugar ficava na curva que antecedia o acesso à primeira estátua que vi lá, do buda gigante envolto em neblina.
Pouco depois das 15h eu já estava novamente no centro de Kampot. Próximo à antiga ponte francesa (que agora está interditada), encontrei um vendedor de pizza ambulante e pedi uma de frutos do mar, por US$ 2,50. Passei em um mercadinho para comprar duas latinhas de cerveja, e fui fazer o lanche da tarde na guesthouse.
Como ainda tinha duas boas horas de sol, resolvi ir procurar as cavernas que eu não havia encontrado no dia anterior. Desta vez li meus guias com mais atenção e encontrei uma placa que ficava no lado esquerdo da estrada, na qual estava escrito Climbodia (uma empresa que organiza alpinismo em cavernas) e virei ali. Após alguns quilômetros em uma estrada de chão bem esburacada e desconfortável, acabei chegando na primeira das duas cavernas na qual eu iria naquele dia. Nesta, no entanto, havia uma entrada de US$ 1 e, de acordo com o guia, menos estruturas interessantes que a outra, então acabei não entrando (retornei no dia seguinte). Um dos guias desta caverna pré-histórica me indicou o caminho para a White Elephant Cave, que não era tão fácil de encontrar, mas acabei achando.
O lugar é bem isolado, e fica atrás de uma plantação cujo acesso pode ser feito através de uma de duas pontes. Deixei a moto estacionada em uma estradinha de terra que me levou até lá (o capacete também) e não tive problema algum – quando voltei, tudo estava lá. Enfim, após contornar a plantação e procurar por alguns minutos um caminho que me levasse até a caverna, cheguei a um lugar onde tinha algumas crianças e dois adultos conversando, além de um painel com algumas fotos de turistas que visitaram a caverna. As crianças se ofereceram para ser minhas guias e acabei aceitando, até porque já era tarde e eu não teria menos de uma hora de sol para fazer a visita e fazer o trajeto de volta.
Já dentro da caverna, reparei quão necessária seria a presença de uma lanterna, recomendada no guia, pois muitas áreas eram bem escuras lá dentro, como era de se esperar. Mesmo sem a presença da mesma, os garotos conseguiram me mostrar várias estruturas, a maioria delas com a forma de animais. A mais famosa é a que dá nome à caverna, a do rosto de um elefante. Havia também um macaco e um crocodilo, entre outras que não lembro agora. Andamos por uns quinze minutos lá dentro e os garotinhos quiseram continuar o trajeto por uma entrada bem íngreme, fácil para eles transitarem, mas como eu estava de chinelo e as rochas estavam escorregadiças, resolvi não arriscar e pedi para fazermos o trajeto de volta. O passeio foi bacana, mas visitar cavernas e ver estruturas rochosas que lembram outras coisas realmente não me apeteceu tanto assim.
Ao terminar o passeio, dei uma gorjeta aos garotos e iniciei o caminho de volta, que foi igualmente tortuoso e difícil. Uma menina de bicicleta percebeu que eu nao tinha certeza em relação a qual lado virar em uma encruzilhada e acabou me ajudando a pegar o caminho que levava à estrada nacional de volta à Kampot. Já na guesthouse, tomei banho, me troquei e fui procurar um lugar para jantar. Novamente o local que eu pretendia ir, chamado Rusty`s Keyhole (onde supostamente come-se as melhores costeletas da cidade), estava fechado, então acabei indo ao restaurante que me foi recomendado pelos donos da guesthouse, chamado Veronica`s Kitchen, em frente ao lugar que eu queria ir. O lugar era aconchegante, mas com dois problemas. O maior deles era a grande presença de pernilongos, que ficaram me incomodando o tempo inteiro que passei lá. O segundo era a trilha sonora do local, músicas antiquíssimas, que me pareceram ser dos anos 1940 ou 1950 compuseram uma atmosfera nostálgica e entediante. Comi lá um tipo de guisado feito com carne de frango e de porco, que supostamente é um prato consumido em ocasiões especiais, mas que de especial não tinha nada, apenas o preço, quase US$ 6.

E assim terminou a parte turística do segundo dia da minha segunda visita à Kampot. 













































































































































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