domingo, 27 de dezembro de 2015

9 DE NOVEMBRO DE 2015, O DIA DA INDEPENDÊNCIA DO CAMBOJA

Olá a todos!
No post de hoje, vou falar como aproveitei mais esse feriado (com certeza eles tem mais feriados que o Brasil) aqui no Camboja.
Saí de "casa" tarde, por volta de 11h da manhã e fiz minha primeira parada meia hora depois em um restaurante ainda dentro da cidade, chamado BM, localizado na rua Samdach Penn Nouth, relativamente próximo ao campus da universidade onde leciono no período noturno. Lá, encontrei algo bem curioso e inédito nos menus cambojanos até então: carne de bode. Como sempre que encontro iguarias exóticas (esta nem tanto assim) resolvo provar, desta vez não foi diferente. Em espantosos dez ou quinze minutos (mal tive tempo de terminar a Guinness Foreign Stout que eu havia pedido), chegou um prato que era um misto de guisado com sopa, com vegetais que pareciam nabos e pedaços de carne generosos. O veredito: um sabor bem forte e distinto, muito gostoso. Recomendo muito.
Terminada a refeição, peguei a estrada novamente, em direção à National Highway 5. No caminho, encontrei duas belas mesquitas, cercadas por belas árvores e o silêncio da estrada, que naquele dia estava pouco movimentada.
Após parar várias e várias vezes durante o caminho para consultar o Google Maps (que agora é, em minha opinião, uma das melhores invenções de todos os tempos) e tirar fotos de alguns templos perdidos no meio do nada, cheguei a Phnom (montanha) Oudong (que além de dar nome à montanha, foi também uma das capitais do Camboja).
O lugar é bem organizado, apesar de não muito limpo, para os padrões do país. Logo ao chegar, encontrei uma área para estacionamento de motos bem sinalizada. Após pegar meu ticket, deixar o capacete e estacionar a moto, parei para um merecido gole d'agua, pois sabia que centenas de degraus me esperavam agora para chegar ao topo do que é mais um morro do que uma montanha na verdade. Após várias pausas na escadaria para recuperar o fôlego e invejando o pessoal que estava descendo, cheguei à primeira das atrações principais. Uma belíssima e novíssima stupa branca, de grande estatura (me pareceu ter algo entre 20 e 30 metros). Na base desta stupa, havia uma espécie de altar, com flores e outras oferendas, além de algumas pessoas descansando por lá nos degraus que ficavam ao lado. A stupa em si apresenta detalhes bem minuciosos, como se pode ver nas esculturas de cabeças de elefantes e também de criaturas aladas míticas. Após observar por um bom tempo a incrível vista de lá de cima e tirar meus calçados para andar pela área e equilibrar o guarda-chuva (fazia um sol bem forte) na outra mão, rumei em direção à segunda stupa, esta bem mais antiga, mas igualmente interessante. Esta era de pedra somente, sem pintura, e tinha alguns detalhes coloridos. A última delas tinha como peculiaridade uma face esculpida no topo, que lembra as que aparecem no templo de Bayon, entre outras espalhadas Camboja afora.
Próximo à última das três stupas, havia umas estruturas que pareciam cabanas/gazebos de vime, que parecia ser utilizada para vender coisas, mas no momento estava vaga. Parecia também um lugar para os nativos tirarem uma soneca e até mesmo descansarem em momentos de sol forte. Ali perto encontrei uma trilha que me levou a uma pitoresca cabana de pedra, seguida de um pequeno santuário que continha o tradicional buda em seu interior. Na frente desta, curiosas estátuas de tigres coloridos, muito bem feitas. Em frente a esta, subi uma pequena escadaria que me levou a dois canteiros com uma espécie de vitória-régia sendo cultivada neles e em cujo centro havia um caminho pavimentado que levava ao único templo em si aberto ao público, ainda em fase final de construção - o interior já está pronto, com belas pinturas nas paredes e uma enorme estátua de buda, mas o exterior mostra apenas uma parede de cimento sem qualquer tipo de decoração.
Ao sair de lá, peguei uma outra escadinha que descia para o lado direito. Ali, havia uma fila de pedintes, a maioria deles de senhoras idosas, pedindo esmolas. Um grande contraste com a beleza do lugar, repleto de natureza, uma área verde impressionante.
Na base desta escadaria, encontrei uma construção que não era templo mas tinha o tradicional telhado Khmer. Encontrei um rapaz ali por perto que falava inglês e ele me disse que aquele era o dormitório dos monges. Segui caminho então em direção ao local onde havia estacionado a moto. Pouco antes de chegar lá, encontrei três intrépidas crianças, que me rodearam e ficaram me seguindo por uma boa meia hora. Não dei esmolas (li em vários lugares que é errado incentivar este tipo de comportamento deles), apenas algumas balas que eu tinha no bolso. Já próximo ao estacionamento, encontrei um santuário, um pavilhão com pinturas e uma espécie de gazebo com caveiras dentro (um memorial às vítimas do Khmer Rouge que foram executadas nas redondezas). Um pouco além, encontrei um caminho de acesso a uma área com várias stupas e uma espécie de templo, mas sem as paredes pomposas, somente o telhado tradicional. A área das stupas era ricamente povoada por uma vegetação esmeralda e revigorante, com coqueiros e uma vasta variedade de outras plantas. As crianças ainda estavam me acompanhando e repetindo muitas das coisas que eu falava. Elas me viram tirar foto de uma enorme árvore que encontrei no caminho, além de inúmeras estátuas curiosas, inscrições em Khmer, altares chineses e uma espécie de tanque, que um professor aqui me explicou hoje ser o lugar onde eles armazenam água para o uso diário. As escadas se explicam pela estação mais quente (março e abril), quando o nível d'agua está bem mais baixo e eles tem que descer todos os degraus para alcançar o precioso líquido. Muito do que aparece nas fotos do que encontrei por lá é semelhante ao que explico sempre, mas um dos "achados" foi diferente: uma espécie de santuário em forma de barco, realmente interessante e inédito, pois, das dezenas de pagodas e wats que visitei por aqui, este foi o primeiro que apresentou tal "esquisitice".
Saí de Phnom Oudong por volta de 15h e iniciei o caminho de volta. Ao retornar pelas tortuosas e arenosas estradinhas, acabei passando novamente por um curioso pagoda que ficava no meio do nada (cujo nome não encontrei no Google Maps na ocasião da visita). Até, ou principalmente, por estar no meio do nada, o lugar era surpreendentemente bem guarnecido de estátuas e a estrutura dos templos também não era nada mal, bem como a conservação das premissas, que deixa muitos wats de Phnom Penh no chinelo. O lugar era tão interessante que fiquei pouco mais de meia hor por lá. Entre os destaques, uma altíssima estátua de buda (estimo que tem uns vinte metros de altura), que estava sendo "guardada" por alguns vira-latas que começaram a latir para mim e ameaçar avançar, por isso não cheguei muito perto dela. Havia ainda um monge bem idoso ali por perto, que não quis nem saber de responder meu cordial  "hello". Um outro destaque foi que encontrei um templo por lá cuja porta estava fechada. Na verdade, encostada, pois fui bisbilhotar lá dentro. Dica: caso você venha para o Camboja e a porta de algum templo não esteja aberta e você seja cara-de-pau o bastante, tente abrir para ver se ela não está somente encostada. Muitas vezes funcionou comigo. Enfim, valeu a pena ter aberto a porta, pois lá dentro encontrei belíssimas estátuas e pinturas. Sei que pode parecer repetitivo pois nem sempre dou muitos detalhes no texto, mas cada pintura e cada estátua tem uma identidade própria, e dificilmente elas não surpreendem. Dei uma última olhada na natureza que rodeava o belo pagoda e peguei a estrada novamente.
Ali perto, ao seguir no poeirento e arenoso caminho, encontrei mais uma estrutura budista (essa mais parecia um santuário), incrustada no meio do nada. Esta apresenta estranhos buracos circulares em sua parede frontal e tinha um homem desfavorecido financeiramente dormindo em frente a ela, o que me desmotivou a chegar muito perto, pois o mesmo não parecia muito amigável. A estrutura é bem pitoresca, e ao fundo pode-se ver o templo que eu havia visitado poucos minutos atrás.
Saí de lá rapidinho para não dar sopa ao azar e pouco tempo depois eu estava novamente na NH5. Após quilômetros e quilômetros de poeira entrando nos olhos, mais um achado: um templo de pedra na beira da estrada que lembrava de longe (bem de longe) algumas partes do famoso Angkor Wat. Eu ainda tinha uma hora e meia de sol, então resolvi parar. O lugar estava absolutamente deserto, sem turistas, nem monges e muito menos locais. Havia chovido no dia anterior, e apesar do sol forte que fez neste dia, ainda tive que desviar de algumas poças d'agua. Além de atração principal, retratei também belas stupas, uma delas dourada, com muitos detalhes e protegida por um par de tigres. Ao lado do templo de pedra (digamos uns vinte metros), havia o tradicional templo de cimento com paredes brancas. Na parede do templo de pedra, encontrei belíssimos alto-relevos, um deles lembrando uma apsara. A porta estava somente encostada, então entrei e me deparei com uma grande quantidade de estátuas e pinturas, complementando mais ainda a beleza externa do templo. O lugar é realmente muito especial e vale a pena fazer uma parada.
Pouco antes de 16h30 eu já havia explorado bem a área e rumei em direção à Phnom Penh. Voltei por um caminho diferente do qual havia ido e acabei pegando um pouco de engarrafamento. Tive que parar várias vezes para consultar o Google Maps e antes de finalmente chegar na Veng Sreng, avenida que dá acesso ao meu hotel, acabei encontrando o Grand Phnom Penh, um luxuoso conjunto residencial em cujo interior encontra-se até mesmo um campo de golfe. As estradas internas, no entanto, são abertas, então pude passar por lá como atalho e ainda ver mais um pedaço da cidade destinado aos mais abastados.
E assim terminou a parte turística deste 9 de novembro, 

Caso tenham gostado do post, assistam também a vídeos da viagem no meu canal no YouTube em https://www.youtube.com/channel/UCSnlDgGBkeCnhbDbLLkCjew
PS - agradeço a todos que estão assistindo os vídeos, pois o canal está próximo da marca de 5.200 visualizações.
Peço novamente aos que estão assistindo para que curtam os vídeos e cliquem nos anúncios sempre que possível (não custa nada, é só fechar depois)












































































































































































































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