sábado, 25 de julho de 2015

MEU DÉCIMO NONO FIM DE SEMANA NO CAMBOJA

Em meu primeiro fim de semana sem a amiga Isabel, resolvi ir fazer um programa que havia sugerido a ela e recebido uma torcida de nariz em resposta. Como acordei cedo, por volta das 7h, antes das 8h30 já tinha saído do hotel, aproveitando para tirar uma foto do cotidiano da cidade. No caminho, comprei um "balde" de café (como diria o saudoso amigo Luiz Fernando Cavalheiro) por apenas US$ 0,75. No ponto de ônibus, aproveitei para tirar fotos de um senhor que sempre fica por lá fiscalizando (que personaliza bem a principal diferença entre cambojanos e vietnamitas na época da guerra, que os ajudava a distinguir quem seria poupado ou não - cabe a vocês "deduzirem" esta característica física) e também do itinerário do ônibus, o que me foi bem útil durante a exploração do dia, dado que eles não tem sistema de som que anuncia qual é a parada, e mesmo que tivessem eu não iria entender.
Cerca de onze paradas e quase uma hora depois (com direito a pausa para reabastecimento de gasolina) desci no penúltimo ponto, antes do Mercado Noturno, que fica no Riverside. Nada mal para uma passagem que custa pouco menos de US$ 0,40. Logo ao descer, tirei uma foto da paisagem de lá, que ficava bem perto do porto autônomo de Phnom Penh. Em seguida, tive que procurar um banheiro para tirar água do joelho e tive a acertada decisão de ir ao hospital Preah Ket Mealea, que ficava a poucos metros dali. Entrei meio receoso, achando que teria que pedir autorização a alguém para usar o banheiro, mas não havia recepção e nem funcionários pela porta que entrei. O banheiro era próximo da entrada e após terminar eu dei uma olhada pela ala deserta do hospital, sem entrar em nenhuma sala, obviamente, pois não queria ser expulso de lá. O lugar não era  precário, mas também não possuía nenhum luxo. No lado oposto de onde eu estava, havia uma sala de exames onde havia gente, então acabei não ficando muito tempo por lá e continuei meu trajeto de volta, esperando ver coisas interessantes.
Passei por baixo de um viaduto que levava para fora da cidade, mas fui para o  lado que levava novamente ao centro. No caminho, havia uma rotatória com imagens da rainha e uma mensagem em khmer. Próximo a esta, havia um monumento com um revólver cujo significado não entendi e também não tinha para quem perguntar o que era.
Minha próxima parada foi no Old Stadium, que ficava a uns cem metros do revólver. O lugar é bem modesto, acredito que a arquibancada não suporta nem 10 mil pessoas. Estava acontecendo uma partida por lá, mas não parecia nada importante, pois o "público" era composto de no máximo 5 pessoas. Como os "atrativos" se resumiam ao que acabei de descrever, acabei não me prolongando por lá.
No caminho, passei pelo Phnom Penh Institute of Nursing and Paramedic Sciences, a Beijing International Academy, vi um cachorro de visual bem curioso, carne sendo curada ao sol, os arredores do trilho do trem, novos prédios sendo erguidos, um tipo de palafita construída em meio ao lixo e natureza, oficinas com peças expostas na calçada e uma curiosa rua com roupas velhas embutidas no asfalto (sabe-se lá o porquê).
À esta altura, já passava das 11h, meu horário habitual de almoço e, como havia comido quatro horas atrás, resolvi procurar por um restaurante. Acabei encontrando o Ratana Sreytoch, um lugar de boa aparência que aparentava estar sem clientes no momento (o que realmente era verdade), mas tinha uma mesa cheia de pessoas na frente, provavelmente familiares do proprietário e funcionários do lugar. Fui atendido por um senhor que falava um inglês bem básico (do tipo que não entendeu quando perguntei qual era o tamanho do prato, mesmo fazendo mímicas). Acabei optando por um tipo de peixe que eu não havia provado ainda: enguia. Por US$ 5, recebi uma porção bem generosa, que levei uma meia hora para comer (acredito que era uma enguia inteira, cortada em pedacinhos, já que aqui eles não oferecem facas na maioria dos restaurantes). O prato era bem saboroso e peço desculpas pela má qualidade da foto, que não prestei atenção na hora e acabei tirando só uma. O lado negativo foi que também resolvi provar uma bebida inédita, suco de melão de inverno, que era bem desagradável, com retrogosto enjoativo de caramelo.
De estômago forrado, continuei minha caminhada de volta, com o céu ameaçando chuva, como visto nas fotos anteriores. No trajeto, passei pelas forças armadas do reino do Camboja, onde tirei foto de um imponente monumento. Passei também  por uma escola primária, que ficava praticamente em frente ao ponto de ônibus no qual esperei por quase uma hora para retornar. Quando ele finalmente chegou, começou uma forte chuva. O timing foi perfeito.
Ainda estava muito cedo para voltar para o hotel, então resolvi fazer algo que me havia proposto durante a semana: ir a dois lugares que eu havia pesquisado na Internet que vendem frios. Desci em um ponto na Monivong Boulevard, pouco antes de virar na Mao Tse Toung. A chuva havia amansado um pouco, mas tive que usar meu guarda-chuva mesmo assim (que está no bico do corvo). Desviando de várias poças d'agua e muita lama, acabei chegando no meu primeiro destino, após passar por acidente em frente à simpática embaixada do Paquistão. O lugar, chamado Digby's, é bem luxuoso. Havia vários estrangeiros por lá, até pelo lugar ser bem caro. Havia cervejas importadas (todas disponíveis no mercado), artigos de padaria e o que eu fui procurar: um tipo de açougue, com vários tipos de frios. Acabei comprando um tipo de carne de porco temperada e um corte feito com carne de frango - 100g de cada acabaram custando menos de US$ 3, nada mal para o padrão do lugar.
Na rua 242, que levava à meu próximo destino, acabei encontrando outras embaixadas, da Coréia do Sul, de Cingapura, dos Estados Unidos (os guardinhas me viram tirando uma foto e me pediram para deletar, foi uma situação bem esquisita e engraçada - perguntei a eles qual era o problema e eles me disseram que era informação confidencial, mas com certeza nem eles entendiam o motivo) e também pela delegação da União Europeia. Após passar por todos aqueles lugares, acabei chegando na minha última parada, a distribuidora de alimentos Veggy's. O lugar também é bem bacana, com vários vinhos de qualidade, queijos, vegetais, chocolates, carnes nobres e frios, que ficam em uma câmara fria (a atendente me disse que a temperatura lá é próxima a 0ºC). Acabei levando 200g de queijo Edam por pouco mais de US$ 2, uma bagatela, visto que esta variedade é bem saborosa. A esta altura a chuva já havia arrefecido bastante e fiz meu caminho de volta andando. Passei pela milésima vez em frente ao monumento da independência e também pelo comitê olímpico do Camboja. Pouco tempo depois desemboquei na Monireth Boulevard, que é a rua do meu hotel. Mesmo exausto, antes de voltar ao quarto ainda dei uma passada no Lucky do Sovanna Mall, onde comprei pão, maionese e balas de menta para dar aula durante a semana. Literalmente segundos após entrar no shopping, uma nova tempestade começou. Quando saí do shopping, ainda estava chovendo, em menor intensidade, então abri meu carcomido guarda-chuva e voltei ao hotel.
Não saí mais neste dia, pois estava munido de mantimentos e bem cansado, com dores na perna de tanto caminhar (quase 14km). Aproveitei o resto do sábado para organizar o quarto, assistir seriado, jogar um pouco de computador e também fazer um vídeo para o YouTube de como fazer nó de gravata, que podem visualizar no meu canal.
No domingo, acordei cedo novamente, por volta de 7h30. Com bastante tempo para explorar, saí novamente em direção ao ponto de ônibus da Mao Tse Toung Boulevard, mas desta vez fui na direção oposta. Este trecho foi bem mais longo, tanto que andei por 22 pontos (pode-se considerar como ponto final, por que depois deste o ônibus fazia meia-volta e retornava para a cidade). Desci em um ponto chamado Takmao Culture Department, após passar a Takmao Bridge, ponte esta localizada na vila de mesmo nome, localizada a cerca de 7 km de local onde peguei o ônibus. O local era bem simpático e acolhedor, mas sem muitas atrações. Desci perto de uma praça com uma rotatória na qual estava postada uma grande estátua, da qual tirei algumas fotos. Uma grande diferença por lá, obviamente, era o trânsito, bem menos agitado e insano que o de Phnom Penh. Como o lugar era bem pequeno, acabei resolvendo voltar caminhando pelo caminho em que veio o ônibus. No trajeto, vi mais um tradicional casamento cambojano de rua, do qual tirei uma foto. Este, no entanto, ainda não estava em andamento - apenas a tenda havia sido montada. Tirei fotos de umas lojas de altares e também de uns toldos com o nome da rua onde eu estava, a National Road 2. Logo após, cheguei na ponte, na qual também tirei algumas fotos do rio e de alguns barcos que por lá estavam. Havia um playground por lá e também, em uma rua secundária, vi algo curioso que não tive certeza o que era: vestidos ou redes de pesca. Praticamente todas as casas desta rua tinham este produto exposto e algumas mulheres as estavam confeccionando.
Na rua seguinte encontrei mais uma coisa que não se vê todos os dias por aqui. Desculpem se eu estiver usando o termo incorreto, mas acredito que seja uma mesquita, ou algum tipo de templo muçulmano, até por ter visto algumas mulheres andando de burka ali por perto. Achei de bom tom tirar fotos apenas do lado de fora, pois o lugar parecia meio recluso, então acabei não indo me aventurar além do portão.
A esta altura já passava das 11h e comecei a ficar com fome. Ainda andando na National Road 2, tirei fotos de uma loja de móveis, do cotidiano local, de um curioso monumento em frente a uma casa bem colorida, do mercado novo de Takhmau (interessante como escrevem o nome do lugar de um jeito no ponto de ônibus e de outro no letreiro do mercado), das tradicionais estátuas de leões encontradas por todo lugar e também de alguns moradores locais que estavam sob uma construção típica. Pouco tempo depois, acabei encontrando o Downtown Restaurant, que ainda estava vazio quando cheguei e assim continuou até o momento em que fui embora. Apesar das muitas opções do cardápio, que não era nada barato mas também nada exorbitante, acabei optando por algo simples: arroz frito com frutos do mar. Minha escolha acabou não sendo muito acertada, pois a porção era bem menor que o esperado, ainda mais por US$ 3,50 - ou quem sabe seja apenas eu que estou mal-acostumado com os preços de banana encontrador por aqui ao procurar bem.
Após pagar a refeição, coloquei a mochila nas costas e continuei minha expedição em direção ao centro de Phnom Penh. Bem próximo ao restaurante estava um tipo de portal com a foto da rainha em frente, mas de impossível reconhecimento para qualquer um que não saiba ler o alfabeto khmer. A alguns metros dali, estava uma placa escrito Phnom Penh, indicando que ali era o início oficial da capital. Passei por vários pontos de ônibus da linha que eu havia pegado até chegar no meu primeiro objetivo antes de pegar o ônibus de volta, um dos dois pagodas previstos na rota. Ah, no caminho vi alguns pombos em gaiolas, um barbeiro trabalhando na calçada e uma universidade tecnológica.
Enfim cheguei ao Chak Angrae Kraom Pagoda. O lugar está em reformas, mas pude ver coisas bem interessantes por lá. Logo no começo, um tipo de "presépio", com imagens e estátuas budistas. Ao lado do esqueleto de um novo templo, viam-se os tradicionais túmulos. Apesar das obras, o lugar é bem antigo, com muitas construções em mau estado de conservação - uma pena. Havia um pavilhão com pinturas, novamente parecia uma estória sendo contada. Em uma alta torre, não vista com muita frequência em outros pagodas, havia um tipo de caixão, mas não cheguei a entrar lá por não saber se estaria desrespeitando algum costume. Na saída, passei por um arborizado pátio, que ainda acabou me levando a mais uma imponente e colorida construção, que continha mais pinturas (algumas em alto relevo, belíssimas) e estátuas budistas - este setor estava mais bem cuidado. Antes de sair, vi ainda uma casa na qual estava entrando um monge e uma espécie de gazebo de madeira com bancos para sentar na sombra, além de um outro templo em construção, este em etapa mais avançada e já com objetos armazenados lá dentro.
Saindo de lá, continuei rumando pela National Road 2, onde vi um prédio antiquíssimo, do qual tirei foto. Passei também pela Comissão de Desenvolvimento do rio Mekong, pelo ministério da indústria, que nada tinha de imponente (talvez até pelo tamanho deste setor no Camboja) e após alguns minutos cheguei a mais um pagoda, o Chak Angre Leu. Logo de cara, fui recepcionado por uma bela torre. A seguir, uma imensa estátua de uma divindade feminina em posição horizontal e estátuas de animais do horóscopo chinês, acredito eu. Vi também mais pinturas de estórias budistas, estas acima de um galpão e algumas  paredes que nada combinavam com a obra de arte acima. Andei em direção ao templo principal e uma gangue de cachorros se aproximou e começou a latir ameaçadoramente, o mesmo que havia acontecido no pagoda anterior. Uns cachorros secundários apareceram e eles se distraíram entre si, quando então pude tirar mais fotos de uma interessante estátua amarela em frente a uma casa, que me lembrou da divindade hindu Shiva, mas prefiro não arriscar a identidade desta que aparece abaixo. Não havia muito mais neste setor do pagoda, então me dirigi ao lado de fora novamente, quando percebi que este pagoda continha mais uma entrada. Nesta, havia mais estátuas de animais, mas nada além disso que representasse os interesses budistas. Havia uma antiga casa de madeira, na qual vivia um simpático senhor cambojano que cumprimentei ao entrar neste setor. Como eu disse anteriormente, é bastante comum ter pessoas morando no mesmo terreno dos pagodas, a não ser nos de maior renome, como o Royal Pagoda e Wat Nom.
Às 13h, cheguei ao ponto de ônibus que me traria de volta ao centro. Pouco tempo depois, chegou uma senhora idosa que parecia bem sofrida, com seus poucos dentes sendo meio avermelhados e unhas do pé bem maltratadas. Obviamente não tirei foto(s) dela. Passados alguns instantes, chegaram duas senhoras com algumas crianças, estas últimas acabaram não ficando por lá por que apareceu um homem de moto que as conhecia e as levou a algum lugar. Me comuniquei com as senhoras por meio de sorrisos e gestos, até que 40 minutos depois o ônibus chegou, um micro-ônibus, não muito prático para a situação de passageiros embarcarem e desembarcarem a todo momento. Quando alguém ia sair, dois passageiros muçulmanos que lá estavam tinham que desdobrar o assento extra, fazendo todo um procedimento. Enfim, críticas construtivas à parte, no caminho passamos pelo prédio do Ministério do Planejamento, este um pouco mais imponente do que os que eu havia visto anteriormente no dia. Pedi para me deixarem descer no meu tradicional ponto na Mao Tse Toung boulevard e quinze minutos depois eu estava no hotel, moído de cansaço de dois dias de caminhadas exploratórias aqui em Phnom Penh.
Desnecessário dizer que passei o resto do domingo no quarto, descansando e repondo as energias para o dia seguinte, no qual começaria minha vigésima semana aqui no Camboja.
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