Meu sábado começou tranquilo, com
correção do segundo exame da minha turma matutina de writing. Às 10h, no
entanto, recebi uma ligação aqui no quarto. Era Seila, nosso antigo professor
de Khmer, perguntando se eu poderia descer para acertar os detalhes do aluguel
da moto. Coloquei meu chinelo, peguei minha mochila e desci. Acabei acertando
10 dias com ele, por US$ 15, período probatório no qual eu veria se me
adaptaria a andar de moto no trânsito caótico aqui de Phnom Penh. Enfim, após
pagar, agradeci e Seila me disse que me levaria para praticar. Sugeri que
fossemos ao posto de gasolina mais próximo, mas ele tinha algo diferente em
mente. Acabamos indo a um local onde eu fiz parte de minhas práticas de estágio
para o programa TESOL da LC-Asia, o orfanato coreano.
Na ida, ele foi pilotando, sem
incidentes e com tráfego menos movimentado que o normal. Lá no orfanato, ele me
entregou a moto. A área de lá é bem pequena, então após praticar o básico por
poucos minutos, ele me “autorizou” a ir andar um pouco sozinho na rua. Andei
por duas ruas, que tinham pouco movimento, em baixa velocidade. Na volta, ele
subiu na garupa e fizemos nosso trajeto de volta. Por ser sábado, não tinha
tanta gente na rua, então não foi tão difícil vir pilotando e voltamos
rapidamente ao hotel. Ele me ofereceu um capacete de brinde para usar durante o
período de aluguel, mas eu havia comprado um no dia anterior, por US$ 11 (após
provar inúmeros na Mao Tse Toung boulevard, próximo ao ponto de ônibus onde eu
descia para voltar ao hotel). Ele me deu umas dicas finais e depois guardei a
moto na garagem do hotel, que fica atrelada à recepção da escola de idiomas que
eles abriram ao lado do prédio onde ficam os quartos.
Subi para meu quarto e pouco depois
das 11h Isabel me ligou, perguntando se eu gostaria de ir ao Riverside com ela,
para fazermos um brunch e pegar o visto dela para o Vietnã. Por volta de 11h
pegamos um tuk-tuk, que nos deixou no mercado central. Fomos andando de lá até
nosso destino, e desembocamos em uma rua que ficava bem próxima à agência de
turismo, então passamos lá primeiro. O lugar estava aberto, mas o dono não
estava lá, então ela não pôde pegar o passaporte ainda. Aproveitamos então para
ir a uma outra agência que organiza cruzeiros no rio Mekong, que fica em anexo
ao restaurante Titanic. Especulamos valores e constatamos que não valia a pena
fazer, pois havíamos encontrado um na internet por US$ 28,com duração de 2h30 e
bebidas à vontade (incluindo drinks e vinho francês durante a refeição). Fomos
procurar o restaurante do brunch, mas vimos que ele só era oferecido até as
11h, e já passava do meio-dia. Acabamos indo até o excelente restaurante
Bojangles pela terceira vez, e ambos pedimos frango para o almoço, ambos muito bons. Demos mais uma andada por lá e
resolvemos voltar caminhando até o hotel, processo este que levou pouco mais de
duas horas, entre paradas para descanso e fotos. No caminho, demos uma desviada
e fomos dar uma olhada em alguns prédios públicos que eu sempre quis ver: o
conselho dos ministros. Como podem ver nas fotos, é um imenso e magnífico
complexo, de suntuosidade desproporcional às finanças do Camboja. Após me
maravilhar com a arquitetura local, continuamos nosso périplo. Entramos ainda
em uma grande farmácia, na qual Isabel comprou uns cremes e eu pesquisei o
valor de soluções para minhas lentes de contato, as quais achei que não
encontrar
ia fácil por aqui, mas, tanto aquelas como os colírios que eu utilizo são vendidos em vários locais, como óticas e farmácias.
Acabamos desembocando na Charles
de Gaulle boulevard, que é uma extensão da Monireth boulevard, próxima ao
estádio olímpico. Paramos lá para descansar (Isabel pediu 5 minutos, mas
confesso que minhas pernas já estavam doendo). Demos a parada tradicional no
Lucky do City Mall, no qual pegamos algo para beber e a única coisa diferente
que vi foi a mini berinjela da qual tirei foto.
Fomos jantar no restaurante aqui
perto para não esbanjar muito, o que faríamos no dia seguinte, pois Isabel
havia reservado três ingressos para ela, eu e Mary irmos em um cruzeiro no dia
seguinte.
Na manhã de domingo, a moça da
empresa do cruzeiro veio nos trazer os ingressos, pouco depois das 10h.
convidei Isabel na sequencia para ir comigo dar uma volta de moto, pois eu queria
praticar um pouco antes de sair na segunda-feira para o trabalho. Ela acabou
não indo. Fui até a Learning International School, trajeto este que levou cerca
de quinze minutos. Na volta, resolvi tentar algo diferente. Vi no Google Maps
que haveria um trajeto mais curto até o campus de Tuol Kork da Paññasãstra
University of Cambodia, no qual trabalho no período da noite. Olhei no mapa do
celular antes de sair, mas acabei virando para a esquerda ao invés de direita.
Rodei por várias quadras até resolver parar novamente e olhar no mapa. Acabei
indo em direção ao aeroporto (não cheguei lá, mas estava a poucas quadras) e
então fiz meia-volta para regressar ao hotel, pois sabia que às 11h30 Mary lá
chegaria para irmos almoçar junto com Isabel. Após errar uma entrada, acabei
chegando na Veng Sreng Boulevard, que leva á Learning e vai de encontro ao
hotel. Consegui chegar no hotel com apenas 5 minutos de atraso, e liguei para o
quarto de Isabel. Mary atendeu e combinamos de ir almoçar em 5 minutos.
Acabamos indo almoçar num lugar econômico, pois, como já disse, à noitinha
iríamos ao cruzeiro all-inclusive. O
restaurante fica próximo à loja de 2500 riels, e todos comemos uma porção de
arroz com porco frito. Mary e eu tomamos um café.
Na volta, viemos ao nível da piscina.
Entrei um pouco, enquanto Mary e Isabel conversaram. Nadei alguns minutos e
depois saí. Isabel entrou na água e fiquei conversando com Mary. Por volta de
15h, subi para meu quarto e Mary foi ao de Isabel. Aproximadamente quarenta
minutos depois, nos encontramos no lobby e nos dirigimos ao Riverside, onde
pegaríamos o barco que faria o nosso cruzeiro.
Como sempre, levamos a sorte de
pegar uma toupeira dirigindo o tuk-tuk. O cara concordou em nos levar por US$
3, mas quando estávamos a umas dez quadras de distância o cabuloso disse que
era muito longe por aquele valor (já havíamos ido outras vezes pela mesma
cifra). Concordei mas disse que pagaríamos apenas US$ 2 pela parte que ele nos
havia levado. À esta altura, estávamos bem perto da sede do Cambodian Public
Bank, no qual tive que abrir uma conta para receber o salário da PUC. Andamos
um pouco no arborizado e limpo boulevard (para os padrões do Camboja) e pouco
depois pegamos um outro tuk-tuk que consegui por US$ 1,50 até nosso destino
final.
Com mais de uma hora para
“queimar” por lá até embarcarmos para o cruzeiro, fomos primeiro na agência de
viagens buscar o visto da Isabel para o Vietnã, que já estava pronto.
Resolvemos então passar o resto do tempo no Night Market, que novamente estava
aberto a todo vapor antes da noite propriamente dita, muito pelo contrário, o sol
estava a pino quando chegamos. Durante o tempo que passamos la vendo roupas e
alguns itens da culinária cambojana, procurei ficar debaixo de toldos o máximo
possível. Um pouco suados, chegamos uns quinze minutos antes do tempo requerido
pela guia em frente à agência Titanic. Ela já estava lá, e nos pediu para
esperar até as 17h15, pois o barco partiria às 17h30. Surpreendentemente,
acabamos rumando para o barco no horário combinado, e o mesmo partiu com apenas
cinco minutos de atraso. Já la dentro, fomos recebidos como reis. Nos ambientamos
na aconchegante mesa, perfeita para os onze passageiros do cruzeiro. Os outros
oito eram quatro casais, um casal australiano, um de Singapura e os outros dois
não fiquei sabendo de onde eram. Após um longo tempo, tomei uma dose de Johnny
Walker red, sem preocupações, pois era um cruzeiro all-inclusive. Uma meia hora
depois, me serviram um outro drinque (sem eu pedir), desta vez uma dose de gin,
do qual não sou muito fã. Fomos observar a vista da proa do barco e poucos
minutos depois nos chamaram para avisar que o jantar estava na mesa. Chegando lá,
uma infinidade de carnes grelhadas: costeleta de porco, espetinhos de frango e
enormes camarões, além de uma deliciosa salada com cogumelos e também macarrão,
do qual não provei. Ah, antes disso ainda tivemos uma mesa de antepasto, com
rolinhos primavera vegetarianos e um espetinho com queijo temperado e tomate,
igualmente deliciosos. Iniciamos a refeição e alguns minutos depois ela ficou
ainda melhor. As simpáticas “garçonetes” passaram oferecendo vinho francês,
tinto seco e branco, na mesa. Lembrei imediatamente do meu grande amigo
Fernando Perazzoli, e comecei a rir sozinho, imaginando que, caso ele realmente
venha para cá no final do ano, ele gostaria imenso do passeio. Tamanho luxo até
ofuscou o fato da tempestade que acometeu Phnom Penh alguns minutos após
iniciado o jantar, obrigando alguns dos passageiros a colocarem capa de chuva. Nós
fomos sortudos na medida do possível, pois a água acabou não chegando a nós. O maravilhoso
serviço de bordo (que incluiu uma sobremesa repleta de frutas locais, como
pitaya, rambutan, mangostin e até maracujá) nos fez esquecer do fato que o
capitão ficou apenas navegando próximo a orla, pois a tempestade, além de
borrar totalmente a vista da cidade e do rio Mekong, evitou que o barco
navegasse em direção à outras paragens. O cruzeiro acabou terminando uns vinte
minutos antes das duas horas e meia planejadas, e na hora em que ancoramos a
chuva já havia parado.
Andamos um pouco no Riverside e
logo um tuk-tuk nos abordou. Desta vez tivemos mais sorte e o motorista, por
incrível que pareça, sabia aonde nosso hotel ficava e nos trouxe sem
contratempos, por US$ 3. Esperamos o motoqueiro vir buscar Mary por alguns
minutos, que logo chegou. Nos despedimos e encerramos assim mais um maravilhoso
fim de semana aqui no Camboja.















































































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