Meu décimo sétimo sábado aqui no Camboja foi bem atípico e nada movimentado. Minha amiga Isabel havia viajado para Kampot, para onde fui com o saudoso amigo australiano Colin no feriado prolongado em abril. Somou-se a isso um péssimo clima, com chuvas intermitentes que duraram a tarde inteira. Eu estava planejando ir fazer um tour econômico de ônibus na minha antiga rota que me levava à faculdade, seguindo de lá até um pagoda que se vê do ponto logo ao descer do ônibus. Meus planos acabaram sendo adiados devido à má vontade de São Pedro. Acabei saindo do quarto apenas para almoçar (uma bela porção de peixe no restaurante tradicional) e jantar (peixe novamente, grelhado, no restaurante de frutos do mar próximo à loja que vende artigos por 2500 riels, cerca de US$ 0,60).
No domingo, no entanto, acordei com um belo sol brilhando em minha janela e fui fazer o que me havia proposto do dia anterior. Saí do hotel às 9h, com mochila nas costas e guarda-chuva em mãos rumo ao ponto de ônibus. Poucos minutos depois, minha condução chegou. Entrei, paguei US$ 0,40 centavos na passagem, me acomodei nos confortáveis bancos de couro e fui escutando a tradicional trilha sonora cambojana que o motorista coloca para animar os passageiros. Menos de quinze minutos depois eu já estava desembarcando no ponto próximo ao canteiro de obras que está a todo vapor na Russian Boulevard. Segui caminhando por aquele logradouro afim de encontrar o tantas vezes visto templo, que tanto aguçou minha curiosidade por vários meses.
No trajeto, além da tradicional sujeira nas calçadas, vi uma inesperada cena. Alguns animais silvestres (esquilos e pássaros) estavam sendo expostos em gaiolas, provavelmente à venda. Fiquei ali por um tempo observando e fazendo alguns vídeos. Pensei em perguntar quanto custavam, mas acabei não achando de bom tom e segui meu trajeto até o pagoda.
Virei na próxima rua à esquerda, uma estrada de chão. Novamente muito lixo no chão e um caminhão de água abastecendo um cano defeituoso, que estava jorrando água ao Deus-dará. Dali, já era possível ver mais detalhes do pagoda, então segui caminhando. Poucos minutos depois, eu estava no portão. Logo ao entrar, uma belíssima vista: este foi o primeiro templo ao qual fui em Phnom Penh que tinha um fosso ao redor de uma estátua budista. Nem mesmo o lixo jogado na água fez diminuir minha primeira expressão de maravilhamento. Ao redor do fosso, vários túmulos budistas, os quais, como já mencionei outrora, servem de receptáculo para as cinzas dos mortos.
Continuei minha exploração ali dentro, e reparei uma movimentação de pessoas e estruturas sendo montadas. Logo em seguida, vi uma imensa fila de monges: a maior concentração de religiosos trajando robes laranja que já presenciei em minha vida. Perguntei a um deles o que estava acontecendo, e ele me disse que era uma cerimônia na qual eles acendiam velas para Buda. Na fila, estavam se juntando também algumas religiosas trajando branco, o que também eu nunca havia visto. Muitos "civis" estavam lá, fazendo doações aos monges, "freiras" e também alguns portadores de deficiência que estavam por lá, aproveitando o ensejo.
Após filmar por breves segundos a ocasião (alguns transeuntes pareciam desconfortáveis com o meu registro visual), continuei explorando. Encontrei um pavilhão com belíssimas pinturas com motivos budistas que pareciam afrescos, como poderão ver nas fotos e também em vídeos postados no meu canal no YouTube.
Vi também o templo principal, bem imponente, próximo ao fosso. Subi as escadas que levavam à entrada deste, mas as portas, infelizmente, estavam fechadas. Consegui ver o interior apenas através de umas grades, como poderão também ver nas fotos. Havia ainda um templo menor, que estava aberto, mas estava uma senhora lá dentro e resolvi não importunar, apenas fazendo fotos pelo lado de fora mesmo. Andando mais um pouco lá dentro, vi algumas obras inacabadas (novos santuários e templos) e também algumas das tradicionais estátuas de animais: cavalos e nagas. Antes de ir embora, fiz mais uma sessão de fotos com os túmulos budistas e também nos arredores de lá.
Quando saí de lá, já passava das 10h20, e eu havia combinado com Mary de nos encontrarmos no hotel às 11h30. Decidi, então, voltar caminhando, pois ainda tinha tempo de sobra. Andei seis quadras pela Russian Boulevard novamente, na qual fiz fotos do Instituto de Tecnologia do Camboja, do Hospital Pediátrico Nacional, do Conselho de Engenharia, do Instituto de Línguas Estrangeiras e de algumas iguarias expostas em frente a uma patisserie.
Olhei o Google Maps em meu celular, e vi que estava na hora de virar à esquerda para voltar ao hotel, o que fiz na rua 261 que teoricamente desembocaria em frente ao viaduto Steung Mean Chey, que fica de frente ao meu quarto. No trajeto, vários flagrantes da vida local (como clínicas dentárias e lojas esportivas), uma vez que esta não era uma região turística. Cheguei ao final da rua 261 e nada de ver o viaduto. Acabei entrando num pequeno labirinto de minúsculas ruas, o que me atrasou em uns dez minutos até conseguir achar a saída. Com a ajuda do Google Maps, no entanto, reencontrei o rumo e com mais um tempo de caminhada observei o viaduto, o que sinalizou o sprint final da minha trajetória.
Tive tempo de vir ao meu quarto lavar o rosto apenas quando Mary ligou aqui no quarto. Nos encontramos no lobby e andamos pela Monireth Boulevard no sol quente até chegarmos ao restaurante ao qual eu ia almoçar com Colin nas primeiras semanas de curso. Comi um saboroso peixe frito e tomei um café. Continuamos a caminhada até o City Mall, no qual fomos assistir ao filme Jurassic World 3D, minha primeira experiência com filmes tridimensionais. Tivemos que esperar pouco mais de uma hora até a sessão, então ficamos conversando na praça de alimentação enquanto Mary comia pipoca e tomava um shake de frutas. Passado o tempo de espera, fomos para a sala de exibição, pegando antes os óculos 3D e um cobertor para enfrentar o frio intenso do ar-condicionado. O filme boi bem bacana, emocionante com todas as cenas 3D, uma bela experiência.
Na saída, ambos estávamos com fome e fomos ao Lucky Burger do City Mall. Mary comeu um hamburguer tradicional, eu optei pelo de camarão, que tinha gosto de massa de peixe frito. Terminada a refeição, ela não quis andar de volta ao hotel, e pegamos um tuk-tuk. O motoqueiro particular dela demoraria mais uma hora para vir buscá-la, então fomos comprar algumas cervejas para tomar em frente a piscina. Ficamos lá conversando mais um tempo e logo o motoqueiro chegou, então nos despedimos e ela foi para casa.
Eu subi para o meu quarto, assisti a uns episódios de Mad Men, fiz um lanche leve e fui dormir, encerrando assim meu décimo sétimo final de semana no Camboja.


































































































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