Olá a todos!
Como comentei no último post, nas últimas quinta e sexta feiras haveria uma pequena interrupção em um dos dois lugares onde trabalho, a Learning International School (a universidade também está de férias, e retornam no dia 11 de agosto) e eu aproveitaria para fazer uma pequena viagem, aqui mesmo, dentro do Camboja.
Na quarta-feira, último dia de trabalho, fui comprar minha passagem para Battambang, em uma empresa de ônibus cuja sede fica ao lado do Orussey Market, a uns quinze minutos de moto aqui do meu trabalho. Paguei US$ 5,50 por uma viagem de seis horas e meia - nada mal, apesar do ônibus não ter banheiro e de ser um trajeto de 300km. Lembrei-me de uma viagem feita há muito tempo atrás com o amigo Fernando Perazzoli, quando fomos de União da Vitória para Ponta Grossa, ambas cidades paranaenses, e levamos cinco horas para fazer 200 km. Enfim, voltando ao tópico.
Na quinta-feira, acordei por volta de 6h30, já com grande parte do que iria levar na mochila já organizado. Eu havia reservado um quarto no booking.com por três noites, então a questão de acomodação já era algo que eu não teria que me preocupar. Após tomar um bom banho, para viajar refrescado, comi um sanduíche de mel com as duas últimas fatias de pão que me restavam, coloquei o laptop na mochila (decisão providencial), incluí o que ainda faltava e 7h30 desci para o lobby, onde questionei a eficiente funcionária do hotel, Sorya, sobre o preço justo a pagar a um motoqueiro para me levar até lá. Acabei encontrando um motoqueiro que me levou até lá por aquela cifra, US$ 1,25, após barganhar por alguns minutos. Cheguei com uns dez minutos de antecedência, o que me deu tempo de comprar um copo de iced coffee e dois "salgados" (as aspas são por que pareciam salgados, mas na verdade eram bem doces e oleosos, uma espécie de massa de pão com leite condensado, coco ralado, etc. - bem substancial, mas não casou muito com meu paladar). Compras feitas, localizei o ônibus que me levaria a Battambang e nele entrei. Sentei ao lado de uma simpática senhora, que felizmente era esbelta, pois minha mochila entupida ocupou grande parte do meu espaço. Enfim, o ônibus acabou saindo com apenas 6 minutos de atraso, um grande feito aqui para o Camboja (principalmente considerando o que aconteceu quando voltei para Phnom Penh...).
Além de paradas no meio do caminho para embarque de passageiros, fizemos duas paradas mais longas para ir ao banheiro e comer. Na primeira, desci do ônibus e fiz meu segundo lanche da manhã, quando comi umas frutinhas que havia ganho de presente no dia anterior da senhora da vendinha próxima ao hotel - eram parecidas com o nosso butiá brasileiro, mas o gosto lembrava lichia. Na segunda, a parada foi em um restaurante, mas ainda era cerca de 11h, então acabei comendo meu segundo "salgado", ou metade dele, pois um garoto desfavorecido me viu comendo, e, como o lanche nao estava me caindo bem mesmo, acabei cedendo a ele. Na primeira parada, andei um pouco a esquerda de onde paramos, e descobri o nome do lugar onde estávamos, Pursat, como poderão ver na foto que tirei do departamento da Indústria desta província.
Apos curtos cochilos, poucas paginas lidas do livro Todos os Nomes, de Jose Saramago, algumas musicas escutadas e dois caras que conseguiram conversar por 6h30 seguidas no banco atras de mim, chegamos a Battambang. Com o guia Lonely Planet em mãos (presente do amigo australiano Colin), juntamente com o mapa da cidade exibindo a localização da Shang Hai Guest House, onde me hospedei, andei por duas quadras, quando perguntei a um motoqueiro que me ofereceu seus serviços se ele sabia onde ficava minha hospedagem, e ele, prestativamente, me respondeu corretamente. Virei então à direita, andei mais duas quadras e cheguei ao meu destino. Um senhor muito simpático me atendeu, me deu a chave do quarto e me pediu meu passaporte, do qual ele tirou apenas uma foto e não me pediu para preencher nenhum documento. Ah sim, esqueci de mencionar. O ônibus da Capitol não foi direto à Battambang. A penúltima parada foi em um lugar bem a esmo, com motoristas de tuk-tuk rodeando o ônibus como corvos em busca de carniça. O motorista conseguiu me explicar através de gestos que eu devia pegar um microônibus da mesma empresa que me levaria a meu destino final. Outros passageiros seguiram até uma pequena cidade ao lado, Pailin.
O microônibus me deixou próximo ao centro de Battambang. Logo ao desembarcar, novo assédio dos motoristas. Recusei e fui carregando minha pesada mochila por três lances de escada e cheguei ao meu simples, mas limpo quarto. Havia uma cama de casal com dois travesseiros, uma TV antiga (de tubo), um ventilador no teto (sem ar-condicionado) e um pequeno banheiro, sem shampoo, apenas dois sabonetinhos. Havia ainda um par de chinelos para uso no quarto, bem como duas garrafas de água potável de cortesia, prática bastante padrão aqui no Camboja.
Apos desfazer as malas, coloquei algumas coisas uteis na mochila e desci novamente, pois queria aproveitar as três horas restantes de luz solar para explorar um pouco da cidade. Conversei mais uma vez com o dono do hotel, e tive a infeliz ideia de pagar pelas três noites de hospedagem de uma vez só (também não foi tao mal assim - US$ 18). Digo infeliz porque Battambang eh uma cidade pequena, com poucas opções, e na 6a feira a noite eu senti que já tinha visto tudo o que tinha para ver, e poderia ir embora no sábado a tarde, não tendo que pagar mais uma diária. Questionei o dono do hotel no sábado de manha em relação a um reembolso, mas o máximo que ele se propôs a devolver foi US$ 2 de US$ 6, então acabei optando por ficar mais uma noite - o que teve um lado positivo e um (ou mais) negativo.
Saí então em busca de um lugar para comer, pois eu não havia almoçado adequadamente e já fazia mais de quatro horas que eu havia comido aquele meio "salgado'. Ainda sem conhecer nada da cidade, li que um bom ponto de referencia era o Psar (mercado) Nath, então tentei encontra-lo. No caminho, encontrei um tradicional restaurante Khmer, e foi la mesmo que parei. Acabei optando por um lok-lak de carne bovina, que nada mais eh que um bife fatiado ao molho acompanhado de arroz cozido e um saboroso ovo frito - tudo por US$ 2. Apos comer, dei uma olhada rápida no mercado, pois não havia nada de diferente la em relação aos mercados de Phnom Penh: roupas, frutas, carnes e souvenires. À oeste do mercado, avistei um pagoda, e me dirigi até lá.
No Wat Piphetthearam, meu primeiro de Battambang, havia bem pouco movimento - nenhum turista além de mim, e poucos locais em suas casas ao redor. Após passar um portal guardado por duas assustadoras estátuas, vi o templo principal e depois stupas (termo que significa túmulo budista - onde são depositadas as cinzas do falecido) de várias cores e tamanhos. Algo bem bacana é que todas as entradas tinham um detalhe diferente, é impressionante a preocupação deles com detalhes. O templo principal estava fechado, então tirei foto apenas das paredes e dos detalhes no telhado. Encontrei também as tradicionais estátuas de monges, um gongo e algo diferente: um forno crematório. Passei ainda por um terceiro portão, este "guardado" por guerreiros de aparência mais amistosa. Do lado de fora deste, uma viela secundária bem estreita e de aparência paupérrima, que combinava com alguns casebres que vi dentro da área do Wat, nos quais monges moravam, o que deduzi ao ver seus hábitos pendurados para secar. Presenciei mais uma outra diferença em relação aos templos de Phnom Penh: vários túmulos "ocidentais" por lá, os quais, como aprendi mais tarde com meu guia, é para os falecidos de outras nacionalidades, que não são cremados. Terminei a visita com uma bela foto da vista lateral do templo principal e também da lustrosa vegetação de lá.
Saí do complexo por um portão que ficava ao lado de um prédio no qual alguns jovens estavam aprendendo inglês, o que deduzi pelo que pude escutar lá de baixo. Em frente ao pagoda, havia uma escola, que poderão ver nas fotos. Segui andando pela rua número 2, depois na 109, que desemboca na rua número 1, que fica em frente ao rio Sangker.
Caminhando pela orla, algumas estátuas e várias bandeiras de países ao redor do mundo. Uma reclamação no entanto - a bandeira do Brasil não estava lá, mas a da Argentina estava. Vai entender! Vi também uma fonte e tirei fotos de umas construções de arquitetura colonial, herança da colonização francesa no Camboja. Meus próximos passos foram para cruzar a ponte que levava ao leito leste do rio.
Do lado de lá, me deparei com uma bela passarela para caminhada, com monumentos (um deles lembrava o da Independência, em Phnom Penh), estátuas budistas e nagas, em uma área chamada de Jardim de H. E Sar Kheng. Segui andando à direita, até conseguir avistar mais uma ponte. Um pouco antes desta, no outro lado da rua, avistei uma belíssima estátua de um rosto (lembrando a do templo Bayon, em Siem Reap), que ficava na entrada do Sangke Pagoda. Além dos rostos, a fachada continha ainda esculturas de leões, elefantes e de homens segurando o corpo da naga, estes últimos formando uma espécie de cerca para o templo - detalhes realmente impressionantes e belíssimos.
Já dentro do complexo, avistei o templo principal, em direção do qual dois monges estavam caminhando. Uma foto interessante foi de restos de estátuas quebradas que estavam dispostos ao lado do muro do templo. Imagino qual foi a razão de terem deixado aquilo "jogado" por lá...
A área continha bastante vegetação, árvores imensas, muita grama - tudo muito verde. Abundavam também estátuas de motivos budistas, elefantes, a imagem de uma divindade feminina deitada (esta protegida do sol, mesmo sem receber pintura), uma espécie de presépio (este sim colorido, bem exótico) e ainda alguns detritos e algumas obras em andamento. Em frente ao templo principal havia uma simpática e envergonhada criancinha, que disse o tradicional hello ao me ver passar. Respondi e perguntei qual era o nome dela, mas aí creio que já exagerei na amplitude lexical dela em inglês. Compunham ainda o incrível cenário nagas coloridas, stupas com listras vermelhas (bem incomum, a maioria é ou cinza ou dourada, além de algumas brancas) e, como mencionado antes, várias esculturas. Duas delas, de guerreiros, guardavam a parte sul do templo principal. Parei por ali para consultar no meu guia o nome do templo, mas não fiquei muito tempo por que estava ali por perto uma senhora ralhando com o filho de forma tão intensa que sai de fininho pra não sobrar pra mim.
Passei por um outro portão, este mais maltratado e sujo, antes de sair. Já do lado de fora, fui para à direita, em direção ao templo que ficava quase em frente à ponte que eu havia cruzado anteriormente, chamado Wat Kandal, cujos guardas eram dois imponentes tigres e dois assustadores leões mutantes. Logo de cara, uma bela stupa dourada. Na sequência, dois monges andando por uma passarela que ia em direção a um portalzinho que abrigava um antigo tambor. No interior do complexo, algumas construções bem antigas. Em uma delas, vi as tradicionais pinturas feitas em paredes com motivos budistas. O templo principal também era bem antigo, parecendo não ter recebido nenhuma restauração. Ele diferia dos outros pelo fato de não ter guardas, e sim dois monges esculpidos em alto-relevo em sua parede. Se resumiu a isso os elementos passíveis de fotos e comentários neste templo.
Cruzei a ponte novamente e vi uma placa que conferia a Battambang o título de cidade limpa. Em comparação com Phnom Penh, realmente. Havia pouco lixo nas ruas e estilosas lixeiras em forma de caldeirão dispostas por toda a cidade, ou pelo menos pela maior parte das áreas que visitei. Outro ponto interessante foi ter registrado a presença de duas livrarias na cidade, o que me surpreendeu, pois eu tinha o preconceito que o Camboja não era um país muito interessado por leitura.
Um pouco à direita das livrarias, encontrei uma placa que sinalizava o início da Pub Street. Encontrei um simpático barzinho que vendia chopes a US$ 0,50 e não resisti, sentando ali para descansar um pouco da tarde de caminhada explorando o centro da cidade enquanto degustava uma cerveja gelada. Ao sair de lá, encontrei no caminho uma escola chinesa, uma curiosa bicicleta, a associação de chineses cambojanos em Battambang e um dos "pontos turísticos" que constavam no guia Lonely Planet, a antiga estação ferroviária cujo relógio estagnou nas 8h02. Ao lado desta, estava o prédio da antiga alfândega da cidade. Mais à direita, alguns galpões de reparo dos antigos trens e vagões. Próximos à estes, algumas crianças locais, bem simpáticas (várias perguntaram meu nome e de onde eu era), brincavam felizes. Resolvi então seguir andando pela rua da estação, na qual encontrei duas motos carregadas até o talo de carga, além do departamento provincial de desenvolvimento rural, da sub-filial da Cruz Vermelha e da prefeitura municipal.
Cheguei então ao meu quarto e último pagoda do dia, o Damrei Sa. Uma imponente entrada vermelha e dourada me recepcionou e logo a frente caminhava um grupo de monges com duas hierarquias diferentes, o que pode ser observado pelo tom distinto dos hábitos que eles trajavam. Lá dentro, estátuas de leões, stupas antigas e novas, e o templo principal, com belos detalhes, mas também aparentando não receber muita manutenção. Dei a volta no templo e vi um conjunto de estátuas impressionante, o mais impactante de todos os pagodas que visitei em Battambang e quiçá no Camboja. Uma carruagem com algumas divindades sendo puxada por um cavalo branco constratava com um raquítico homem segurando uma bengala, logo atrás de um monge. Dois monges de carne e osso sentavam em frente às estátuas de dois elefantes brancos, enormes, quase em tamanho real (eu diria que era a escala de 1:2). Mais de perto, pode-se observar estátuas de homens adorando os elefantes, cada um com uma reação diferente ao poderio dos animais. E, ali ao lado, a mais impactante de todas. A estátua de um homem morto, sem um dos olhos e com as entranhas sendo devoradas por dois corvos. Tudo isto observado por uma estátua de um velho, chorando a morte de quem provavelmente era seu filho. Estas estátuas ficavam na face sul do templo principal e de frente para uma escola que ficava dentro da área do pagoda. Ali perto também ficava uma entrada secundária, em cima da qual havia uma bela escultura com motivos mais alegres.
Terminada a visita, sai do pagoda por uma entrada lateral que ficava ao lado de um centro de ensino de linguas para os monges. Um pouco depois cheguei novamente na rua que fica de frente para o rio, e andando um pouco a direita acabei chegando ao museu de Battambang, que eu estava planejando visitar no sabado, mas por motivos que contarei futuramente acabei nao indo. Logo em seguida, encontrei a companhia eletrica de Battambang, e, do outro lado da rua, uma "escultura" (nao sei se posso chama-la assim, por ser feita de vime) de uma naga, bem exotica e curiosa. O proximo predio no trajeto foi ao do equivalente ao nosso governo estadual (aqui eles tem provincias). O lugar era bem arborizado e limpo e estava com os portoes abertos. Inicialmente, por nao saber se o acesso era livre, acabei nao entrando, mas apos andar um pouco mais ao longo do portao, vi alguns cidadaes locais circulando la dentro. Como nao havia nada que valesse a pena entrar para ver de perto (ao menos nao que eu pudesse ver do lado de fora do portao), acabei nao entrando. Em frente ao portao principal, este sim fechado, havia dois daqueles leoes estrambolicos e dois canhoes "guardando" a entrada. Ao lado destes, a tradicional foto do rei e da rainha do pais.
Do outro lado da rua, um importante orgao para o municipio e a provincia: o departamento de turismo, que, ao lado de arroz e laranjas, eh a principal fonte de renda da regiao, que esta repleta de estrangeiros.
O por do sol ja estava proximo, e um dos ultimos registros que fiz antes disto acontecer foi o da corte judicial de primeira instancia da provincia de Battambang, um predio vermelho de boa aparencia, bem respeitoso. Passei tambem pelo departamento de economia e financas da provincia, por um pequeno e belo monumento branco e dourado com uma estatua budista dentro e por uma esquina na qual estava uma bonita casa construida no estilo colonial frances.
A essa altura, acabara de anoitecer e comecei a sentir fome novamente. Eu estava bem proximo a um dos lugares comentados no Lonely Planet e resolvi conferir. O Lonely Tree Cafe eh um lugar de dois andares. No primeiro vende-se artesanato feito por criancas carentes e pessoas com deficiencias. Estas ultimas tambem tem trabalho por la no atendimento ao publico - uma simpatica cadeirante atende la como uma especie de hostess e me recepcionou de forma muito simpatica. No andar de cima eh o cafe, ou restaurante, em si.
Quando cheguei, havia apenas uma mesa ocupada. Por estar calor (para variar), a mesa ocupada estava na varanda. Acabei sentando na mesa ao lado, pelo mesmo motivo. Apos alguns minutos la, reconheci que estavam falando espanhol, mas nao cheguei a falar com eles, me concentrando no que iria jantar. Acabei optando por um dos pratos mencionados no guia, a especialidade espanhola huevos rotos, que eh um tipo de omelete com batatas, acompanhado de bacon - bem saboroso, e uma taca de vinho branco chileno, que caiu como uma luva. Tudo isto, mais uma limonada, acabou saindo pelo razoavel valor de US$ 5,50. Infelizmente a bateria do celular acabou apos eu tirar uma foto do cardapio de la, entao nao consegui registrar mais nada neste dia.
Apos jantar, rumei de volta ao hotel. Consegui rastrear quase que totalmente o caminho de volta e acabei chegando em um mercadinho que ficava a duas quadras da minha guesthouse. Apos entrar no mercadinho e comprar alguns suprimentos, no entanto, acabei virando para o lado errado, o que me fez perder uma meia hora de descanso. Um grande problema da cidade de Battambang eh a pessima iluminacao publica, que, ou nao existe, ou eh extremamente escura - algo a se melhorar bastante em uma cidade que depende tanto do turismo.
Enfim, acabei pedindo ajuda em um hostel no caminho e eles me auxiliaram, dizendo que eu estava bem perto (isto apos eu ja ter perguntado anteriormente em um posto de gasolina, quando eu havia andado ate perto da saida da cidade - parece longe, mas como o lugar eh realmente pequeno, nao foi uma caminhada tao longa assim). Quando finalmente cheguei ao hotel, por volta de 20h, tomei um bom banho, assisti a um episodio de Mad Men, e fui dormir, com o ventilador de teto ligado no maximo (erro crasso cujas consequencias estou pagando ate agora), a fim de descansar para o proximo dia, que seria o mais emocionante da viagem a Battambang.
No Wat Piphetthearam, meu primeiro de Battambang, havia bem pouco movimento - nenhum turista além de mim, e poucos locais em suas casas ao redor. Após passar um portal guardado por duas assustadoras estátuas, vi o templo principal e depois stupas (termo que significa túmulo budista - onde são depositadas as cinzas do falecido) de várias cores e tamanhos. Algo bem bacana é que todas as entradas tinham um detalhe diferente, é impressionante a preocupação deles com detalhes. O templo principal estava fechado, então tirei foto apenas das paredes e dos detalhes no telhado. Encontrei também as tradicionais estátuas de monges, um gongo e algo diferente: um forno crematório. Passei ainda por um terceiro portão, este "guardado" por guerreiros de aparência mais amistosa. Do lado de fora deste, uma viela secundária bem estreita e de aparência paupérrima, que combinava com alguns casebres que vi dentro da área do Wat, nos quais monges moravam, o que deduzi ao ver seus hábitos pendurados para secar. Presenciei mais uma outra diferença em relação aos templos de Phnom Penh: vários túmulos "ocidentais" por lá, os quais, como aprendi mais tarde com meu guia, é para os falecidos de outras nacionalidades, que não são cremados. Terminei a visita com uma bela foto da vista lateral do templo principal e também da lustrosa vegetação de lá.
Saí do complexo por um portão que ficava ao lado de um prédio no qual alguns jovens estavam aprendendo inglês, o que deduzi pelo que pude escutar lá de baixo. Em frente ao pagoda, havia uma escola, que poderão ver nas fotos. Segui andando pela rua número 2, depois na 109, que desemboca na rua número 1, que fica em frente ao rio Sangker.
Caminhando pela orla, algumas estátuas e várias bandeiras de países ao redor do mundo. Uma reclamação no entanto - a bandeira do Brasil não estava lá, mas a da Argentina estava. Vai entender! Vi também uma fonte e tirei fotos de umas construções de arquitetura colonial, herança da colonização francesa no Camboja. Meus próximos passos foram para cruzar a ponte que levava ao leito leste do rio.
Do lado de lá, me deparei com uma bela passarela para caminhada, com monumentos (um deles lembrava o da Independência, em Phnom Penh), estátuas budistas e nagas, em uma área chamada de Jardim de H. E Sar Kheng. Segui andando à direita, até conseguir avistar mais uma ponte. Um pouco antes desta, no outro lado da rua, avistei uma belíssima estátua de um rosto (lembrando a do templo Bayon, em Siem Reap), que ficava na entrada do Sangke Pagoda. Além dos rostos, a fachada continha ainda esculturas de leões, elefantes e de homens segurando o corpo da naga, estes últimos formando uma espécie de cerca para o templo - detalhes realmente impressionantes e belíssimos.
Já dentro do complexo, avistei o templo principal, em direção do qual dois monges estavam caminhando. Uma foto interessante foi de restos de estátuas quebradas que estavam dispostos ao lado do muro do templo. Imagino qual foi a razão de terem deixado aquilo "jogado" por lá...
A área continha bastante vegetação, árvores imensas, muita grama - tudo muito verde. Abundavam também estátuas de motivos budistas, elefantes, a imagem de uma divindade feminina deitada (esta protegida do sol, mesmo sem receber pintura), uma espécie de presépio (este sim colorido, bem exótico) e ainda alguns detritos e algumas obras em andamento. Em frente ao templo principal havia uma simpática e envergonhada criancinha, que disse o tradicional hello ao me ver passar. Respondi e perguntei qual era o nome dela, mas aí creio que já exagerei na amplitude lexical dela em inglês. Compunham ainda o incrível cenário nagas coloridas, stupas com listras vermelhas (bem incomum, a maioria é ou cinza ou dourada, além de algumas brancas) e, como mencionado antes, várias esculturas. Duas delas, de guerreiros, guardavam a parte sul do templo principal. Parei por ali para consultar no meu guia o nome do templo, mas não fiquei muito tempo por que estava ali por perto uma senhora ralhando com o filho de forma tão intensa que sai de fininho pra não sobrar pra mim.
Passei por um outro portão, este mais maltratado e sujo, antes de sair. Já do lado de fora, fui para à direita, em direção ao templo que ficava quase em frente à ponte que eu havia cruzado anteriormente, chamado Wat Kandal, cujos guardas eram dois imponentes tigres e dois assustadores leões mutantes. Logo de cara, uma bela stupa dourada. Na sequência, dois monges andando por uma passarela que ia em direção a um portalzinho que abrigava um antigo tambor. No interior do complexo, algumas construções bem antigas. Em uma delas, vi as tradicionais pinturas feitas em paredes com motivos budistas. O templo principal também era bem antigo, parecendo não ter recebido nenhuma restauração. Ele diferia dos outros pelo fato de não ter guardas, e sim dois monges esculpidos em alto-relevo em sua parede. Se resumiu a isso os elementos passíveis de fotos e comentários neste templo.
Cruzei a ponte novamente e vi uma placa que conferia a Battambang o título de cidade limpa. Em comparação com Phnom Penh, realmente. Havia pouco lixo nas ruas e estilosas lixeiras em forma de caldeirão dispostas por toda a cidade, ou pelo menos pela maior parte das áreas que visitei. Outro ponto interessante foi ter registrado a presença de duas livrarias na cidade, o que me surpreendeu, pois eu tinha o preconceito que o Camboja não era um país muito interessado por leitura.
Um pouco à direita das livrarias, encontrei uma placa que sinalizava o início da Pub Street. Encontrei um simpático barzinho que vendia chopes a US$ 0,50 e não resisti, sentando ali para descansar um pouco da tarde de caminhada explorando o centro da cidade enquanto degustava uma cerveja gelada. Ao sair de lá, encontrei no caminho uma escola chinesa, uma curiosa bicicleta, a associação de chineses cambojanos em Battambang e um dos "pontos turísticos" que constavam no guia Lonely Planet, a antiga estação ferroviária cujo relógio estagnou nas 8h02. Ao lado desta, estava o prédio da antiga alfândega da cidade. Mais à direita, alguns galpões de reparo dos antigos trens e vagões. Próximos à estes, algumas crianças locais, bem simpáticas (várias perguntaram meu nome e de onde eu era), brincavam felizes. Resolvi então seguir andando pela rua da estação, na qual encontrei duas motos carregadas até o talo de carga, além do departamento provincial de desenvolvimento rural, da sub-filial da Cruz Vermelha e da prefeitura municipal.
Cheguei então ao meu quarto e último pagoda do dia, o Damrei Sa. Uma imponente entrada vermelha e dourada me recepcionou e logo a frente caminhava um grupo de monges com duas hierarquias diferentes, o que pode ser observado pelo tom distinto dos hábitos que eles trajavam. Lá dentro, estátuas de leões, stupas antigas e novas, e o templo principal, com belos detalhes, mas também aparentando não receber muita manutenção. Dei a volta no templo e vi um conjunto de estátuas impressionante, o mais impactante de todos os pagodas que visitei em Battambang e quiçá no Camboja. Uma carruagem com algumas divindades sendo puxada por um cavalo branco constratava com um raquítico homem segurando uma bengala, logo atrás de um monge. Dois monges de carne e osso sentavam em frente às estátuas de dois elefantes brancos, enormes, quase em tamanho real (eu diria que era a escala de 1:2). Mais de perto, pode-se observar estátuas de homens adorando os elefantes, cada um com uma reação diferente ao poderio dos animais. E, ali ao lado, a mais impactante de todas. A estátua de um homem morto, sem um dos olhos e com as entranhas sendo devoradas por dois corvos. Tudo isto observado por uma estátua de um velho, chorando a morte de quem provavelmente era seu filho. Estas estátuas ficavam na face sul do templo principal e de frente para uma escola que ficava dentro da área do pagoda. Ali perto também ficava uma entrada secundária, em cima da qual havia uma bela escultura com motivos mais alegres.
Terminada a visita, sai do pagoda por uma entrada lateral que ficava ao lado de um centro de ensino de linguas para os monges. Um pouco depois cheguei novamente na rua que fica de frente para o rio, e andando um pouco a direita acabei chegando ao museu de Battambang, que eu estava planejando visitar no sabado, mas por motivos que contarei futuramente acabei nao indo. Logo em seguida, encontrei a companhia eletrica de Battambang, e, do outro lado da rua, uma "escultura" (nao sei se posso chama-la assim, por ser feita de vime) de uma naga, bem exotica e curiosa. O proximo predio no trajeto foi ao do equivalente ao nosso governo estadual (aqui eles tem provincias). O lugar era bem arborizado e limpo e estava com os portoes abertos. Inicialmente, por nao saber se o acesso era livre, acabei nao entrando, mas apos andar um pouco mais ao longo do portao, vi alguns cidadaes locais circulando la dentro. Como nao havia nada que valesse a pena entrar para ver de perto (ao menos nao que eu pudesse ver do lado de fora do portao), acabei nao entrando. Em frente ao portao principal, este sim fechado, havia dois daqueles leoes estrambolicos e dois canhoes "guardando" a entrada. Ao lado destes, a tradicional foto do rei e da rainha do pais.
Do outro lado da rua, um importante orgao para o municipio e a provincia: o departamento de turismo, que, ao lado de arroz e laranjas, eh a principal fonte de renda da regiao, que esta repleta de estrangeiros.
O por do sol ja estava proximo, e um dos ultimos registros que fiz antes disto acontecer foi o da corte judicial de primeira instancia da provincia de Battambang, um predio vermelho de boa aparencia, bem respeitoso. Passei tambem pelo departamento de economia e financas da provincia, por um pequeno e belo monumento branco e dourado com uma estatua budista dentro e por uma esquina na qual estava uma bonita casa construida no estilo colonial frances.
A essa altura, acabara de anoitecer e comecei a sentir fome novamente. Eu estava bem proximo a um dos lugares comentados no Lonely Planet e resolvi conferir. O Lonely Tree Cafe eh um lugar de dois andares. No primeiro vende-se artesanato feito por criancas carentes e pessoas com deficiencias. Estas ultimas tambem tem trabalho por la no atendimento ao publico - uma simpatica cadeirante atende la como uma especie de hostess e me recepcionou de forma muito simpatica. No andar de cima eh o cafe, ou restaurante, em si.
Quando cheguei, havia apenas uma mesa ocupada. Por estar calor (para variar), a mesa ocupada estava na varanda. Acabei sentando na mesa ao lado, pelo mesmo motivo. Apos alguns minutos la, reconheci que estavam falando espanhol, mas nao cheguei a falar com eles, me concentrando no que iria jantar. Acabei optando por um dos pratos mencionados no guia, a especialidade espanhola huevos rotos, que eh um tipo de omelete com batatas, acompanhado de bacon - bem saboroso, e uma taca de vinho branco chileno, que caiu como uma luva. Tudo isto, mais uma limonada, acabou saindo pelo razoavel valor de US$ 5,50. Infelizmente a bateria do celular acabou apos eu tirar uma foto do cardapio de la, entao nao consegui registrar mais nada neste dia.
Apos jantar, rumei de volta ao hotel. Consegui rastrear quase que totalmente o caminho de volta e acabei chegando em um mercadinho que ficava a duas quadras da minha guesthouse. Apos entrar no mercadinho e comprar alguns suprimentos, no entanto, acabei virando para o lado errado, o que me fez perder uma meia hora de descanso. Um grande problema da cidade de Battambang eh a pessima iluminacao publica, que, ou nao existe, ou eh extremamente escura - algo a se melhorar bastante em uma cidade que depende tanto do turismo.
Enfim, acabei pedindo ajuda em um hostel no caminho e eles me auxiliaram, dizendo que eu estava bem perto (isto apos eu ja ter perguntado anteriormente em um posto de gasolina, quando eu havia andado ate perto da saida da cidade - parece longe, mas como o lugar eh realmente pequeno, nao foi uma caminhada tao longa assim). Quando finalmente cheguei ao hotel, por volta de 20h, tomei um bom banho, assisti a um episodio de Mad Men, e fui dormir, com o ventilador de teto ligado no maximo (erro crasso cujas consequencias estou pagando ate agora), a fim de descansar para o proximo dia, que seria o mais emocionante da viagem a Battambang.
Agradeço aos que tiveram paciência de ler até o final e, caso tenham gostado e queiram assistir aos vídeos que faço durante minhas explorações (como o do Wat Piphetthearam), acessem meu canal no YouTube em https://www.youtube.com/channel/UCSnlDgGBkeCnhbDbLLkCjew.























































































































































































































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