segunda-feira, 17 de agosto de 2015

MEU VIGÉSIMO SEGUNDO SÁBADO NO CAMBOJA

Mesmo dormindo com mais prudência, de ventilador desligado (passando um calor de lascar, é verdade), o estrago já estava feito e acordei tossindo e com o nariz trancado novamente. Assim sendo, não fiz muita coisa no sábado de manhã. Saí para tomar café por volta das 9h, indo ao mesmo restaurante do dia anterior. Na sequência, encontrei um lugar para cortar o cabelo por módicos US$ 1,25. Dei até uma pequena gorjeta ao barbeiro, que acabou fazendo minha barba também.
Voltei ao hotel, onde pesquisei o que faria no período da tarde, e decidi visitar o Wat Kor, que ficava numa vila supostamente a cerca de três quilômetros de onde eu estava hospedado, de acordo com o Lonely Planet.
Preparei minha mochila e saí para almoçar antes de partir para a caminhada que parecia ser de uma distância razoável. No caminho, próximo ao Psar Nath, tirei fotos de alguns monumentos históricos no centro da cidade. Vi também a delegacia da cidade. Após uma curta distância, cheguei ao restaurante no qual havia almoçado nos dias anteriores, e pedi um simples arroz com carne de porco, que veio acompanhado de sopa. Tudo por módicos US$ 1, com direito a chá grátis.
Terminada a refeição, saí rumo ao Wat Kor. No caminho, encontrei uma instituição chamada Free Education for All, de educação para crianças carentes, presumo eu. A partir daí, dei início a uma longa caminhada pela rua 154, a qual, segundo o Google Maps, levaria a meu destino final.
Após sair do centro da cidade, a rua virou um tipo de BR, e alguns minutos depois levei um baita susto. À minha direita, vi uma placa que dizia "Prisão da Província de Battambang". Apressei o passo para sair logo da área e pouco tempo depois saiu um senhor de moto de lá de dentro. Ele parou a moto do meu lado e me ofereceu carona. Tremi nas bases, pensando que poderia ser um detento que escapou e que queria alguém para assaltar ou algo pior. Obviamente recusei o convite, agradeci e continuei andando.
Um pouco a frente, encontrei um pequeno pagoda, chamado Kampong Seima. Fiz um vídeo lá, que está no meu canal no YouTube. O lugar era bem pequeno, sem muitos atrativos e em estado insatisfatório de conservação. Vi lá as tradicionais stupas, algumas estátuas de buda e alguns bancos para sentar. O templo em si estava fechado, então tive acesso apenas ao lado de fora, que tinha algumas pinturas em alto relevo, muito bonitas. Em um dos lados do templo, havia uma rede estendida, com alguém dormindo (não cheguei perto o suficiente para ver o rosto da pessoa). O lugar era bem arborizado, e bem deserto (vi somente uma pessoa lá dentro, até pela distância). Por não ter muitos atrativos ali, acabei ficando pouco tempo e continuando minha jornada.
Após uma hora e meia de caminhada, mais ou menos, parei em uma vendinha e tomei uma cerveja gelada, para recuperar as energias. Alguns minutos depois, acabei chegando na rua 921, na qual o Google Maps dizia para virar. Era uma estrada de chão, com altas árvores a ladeando. No caminho, algumas casas rústicas e animais. Em uma delas, havia três homens bebendo. Um deles gritou de longe, me chamando para ir até lá. Um pouco desconfiado, fui mesmo assim. Em um inglês básico, mas compreensível, ele me perguntou de onde eu era e aonde eu estava indo, além de quanto tempo eu estava no Camboja. Respondi as perguntas e ele me ofereceu um gole de whisky do Camboja. Não quis ser rude, então tomei um pequeno gole, que desceu queimando a garganta. Achei bem bacana um pessoal bem pobre, morando em uma casa bem rústica, à beira da miséria, recepcionar bem os estrangeiros, puxar conversa com eles e compartilhar o pouco que têm.
Enfim, após uns cinco minutos, segui viagem. Vi muitos campos abertos e verdejantes, outras casas, algumas com açude, um monte de feno, e uma bifurcação que seria a última vez que eu teria que virar. Fui à direita e desemboquei numa outra estrada de chão, esta mais deserta ainda, também ladeada de plantações.
Bem a frente, no horizonte, divisei algumas pessoas. Após alguns minutos, vi três adolescentes, os quais cumprimentei e segui viagem. Antes disto, entretanto, eles me perguntaram de onde eu era. Um pouco depois, vi um pequeno altar budista, do qual tirei foto. Ao longe, vi duas pessoas próximas a uma moto fazendo um tipo de trabalho no campo. Andei até chegar bem próximo à estrelinha indicada no Google Maps, a qual deveria representar o lugar onde eu queria chegar. No entanto, olhei para ambos os lados e o que eu vi? Muitas árvores e nada de templo. O intrigante é que podia-se ouvir um canto religioso ao fundo, mas eu não tinha ideia de onde ele vinha. Andei mais um pouco para ver se conseguia avistar algo e acabei vendo uma casa com um tipo de estufa à direita. Andei até lá e vi um portão, o qual cruzei e vi três pessoas fazendo uma refeição. Fui até lá e perguntei sobre o templo e eles me disseram que era longe de lá, e tentaram explicar onde era, de forma bem superficial, o que mais me confundiu em vez de ajudar, até por que não entendi praticamente nada do que eles disseram. Agradeci mesmo assim e iniciei meu caminho de volta. Resolvi andar um pouco pelo campo até passar por umas árvores que obstruíam a vista, quando então eu ainda acreditava que chegaria ao templo. Havia chovido no dia anterior, então quando eu pisei em algumas áreas, afundei meu tênis, que em poucos minutos ficou emporcalhado, todo cheio de lama. Além disso, minhas meias e minha bermuda ficaram cheios de pico-picos (para quem não sabe o que é, são tipo espinhos de grudam na roupa ao encostar neles). Insisti na caminhada por mais cerca de vinte minutos, mas o máximo que avistei foi um caminhão, próximo a algo que parecia um silo. Ou seja, nada de pagoda. A essa altura eu já estava bem nervoso e impaciente, alem de cansado e com dores ósseas no pê esquerdo, o que finalmente me fez desistir e voltar.
Ao chegar novamente na estrada de chão, bati os tênis algumas vezes um contra o outro para tirar o incrível excesso de lama que havia acumulado neles. Tentei tirar um pouco dos pico-picos da bermuda, mas eram centenas, então desanimei. Com o pe doendo bastante, fui andando a duras penas ate chegar novamente na rua 154, onde comecei a andar e especular por caronas no caminho. Apos alguns minutos, encontrei um motoqueiro que estava sozinho e gesticulei para ele. Ele parou e me perguntou aonde eu estava indo. Ele ia encontrar um amigo no centro, e acabou me levando, por US$ 2, ate la. No trajeto, ele me fez algumas perguntas, entao alternei esta conversa com a retirada de pico-picos no longo caminho, que, mais tarde pesquisei, foi de pelo menos 7km.
Cheguei na guest house por volta de 16h e a primeira coisa que fiz foi dar uma pequena lavada nos meus tênis. Na esquina da guest house, havia uma loja de pneus e deixaram eu usar um tanque que havia la. Depois, passei no mercadinho que havia la perto e comprei algumas cervejas para relaxar no quarto. Apos tomar um banho e jogar um pouco de computador, percebi que era próximo das 18h30, quando o guia viria me buscar para me levar ate o circo de Battambang, chamado Phare Ponleu Senpak. Fomos de tuk-tuk e no trajeto tirei algumas fotos no trajeto. Tive a sorte do por-do-sol estar acontecendo naquele momento e consegui uma belíssima foto da estatua do deus Vishnu com o crepúsculo ao fundo. Chegamos no circo com uns quinze minutos de antecedência e fui ate a bilheteria. A entrada estava US$ 4 mais cara do que dizia no guia (US$ 14), mas mesmo assim fui, pois já havia perdido a oportunidade de ir no museu de cidade (que fechava as 17h) e também não havia ido no trem de bambu e nem degustado os vinhos na vinícola.
A arquibancada já estava relativamente cheia quando fui sentar, mas consegui um lugar na fileira mais alta, cujo único problema era um estreito palanque na frente, que não chegou a prejudicar minha visão, como poderão assistir nos videos que fiz do espetáculo. O show eh contado em forma de historia, com uma família que tem um ancião que gostaria de morar numa casa maior. Ele acaba morrendo, mas fazem uns feitiços e ele ressuscita. Basicamente, a atracão principal eh composta de maravilhosas acrobacias que os artistas fazem, como saltos mortais, escada humana e etc. Se eu contar aqui, vou esquecer muita coisa, eh melhor assistirem aos videos.
O espetáculo teve duração de aproximadamente uma hora e posso dizer que valeu a pena, foi muito bonito. Esperei o guia por uns dez minutos e ele disse que havia entrado para me procurar e não me encontrou. Enfim, pedi para ele me deixar no meu restaurante tradicional para jantar, mas ele estava fechado. Ele acabou me deixando na Guesthouse, e ali perto havia as tradicionais barraquinhas de noodles, então acabei pegando uma porção para a janta, por apenas US$ 0,75. 
Comi no quarto e depois arrumei a mochila, deixando tudo organizado para viajar na manhan seguinte, as 8h.
Ja no outro dia, cheguei na empresa de onibus um pouco adiantado e tive tempo de ir a um restaurantezinho ali perto e comi arroz com carne de porco para o cafe da manha (primeira vez que fiz isso). De sobremesa, um iced coffee com leite condensado.
Cinco minutos depois do horario, o responsavel pelas passagens veio me dizer que um senhor me levaria de moto ate a "rodoviaria" da cidade, que era um outro ponto de venda de passagens, na verdade, um pouco fora da cidade. Me disseram que teria que esperar ate as 9h. No entanto, do outro lado da rua vi um onibus que dizia Phnom Penh - Ho Chi Minh. Fui ate la perguntar que horas o onibus sairia. A empresa era diferente, mas felizmente acabaram me deixando embarcar com a minha passagem (sei la que rolo fizeram). Poucos minutos depois, o onibus saiu, e antes das 15h eu ja estava novamente na capital do Camboja, com tempo suficiente para descansar para o inicio de mais uma semana de trabalho.
Obrigado a todos que acompanham os relatos e, caso tenham interesse de assistir a vídeos dos pontos visitados, acessem meu canal no YouTube em
https://www.youtube.com/channel/UCSnlDgGBkeCnhbDbLLkCjew




























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