Quando cheguei aqui no Camboja,foi grande o choque de temperatura, com o calor oscilando de 34 a 39 graus Celsius. Ouvi "boatos", no entanto, de que havia uma estação de chuvas, mas o calor era tanto que eu não acreditei muito. Nas últimas semanas, no entanto, vi que tal período é uma realidade, pois chove praticamente todo dia, geralmente no período da tarde e usualmente é uma chuva fraca, que não chega a durar mais de uma hora. Em outros casos, como neste último sábado, são tempestades de várias horas.
No período da manhã, por volta de 11 horas, quando fui almoçar e depois dei uma passada no Sovanna Fresh Market (espécie de feirinha) para comprar pitaya e sabonetes, o céu já dava um prenúncio do que viria pela tarde, com várias nuvens no horizonte. Aproveitei que ainda não estava chovendo e também dei uma passada no supermercado Lucky para comprar algumas provisões para a semana. Como era imensa a chance de chuva, nem planejei nada para a tarde de sábado, ficando no meu novo quarto. O antigo estava com problema no ar-condicionado, e de acordo com o técnico, nada mais poderia ser feito para salvá-lo. Me orientaram então a mudar para o andar de cima. Iniciei a arrumação das coisas pouco depois das 8h, levei as coisas para minha nova morada e passei o resto do dia colocando roupas e objetos em seus novos lugares.
Com o sábado bem parado, no domingo resolvi fazer algo diferente, ao menos em termos de alimentação. No final de semana retrasado, ao fazer minha expedição para encontrar lugares onde vendem-se frios (Digby`s e Veggy`s), acabei passando por vários restaurantes, e um deles me chamou bastante a atenção, por trabalhar com culinária nepalesa. Antes de sair dei uma pesquisada e vi que a inclusão de cordeiro (ou carneiro, como preferirem) é bem comum nos pratos de lá. Após quase uma hora de caminhada (alternando entre períodos de sol quente e sombra, protegido pelo meu novo guarda-chuva) cheguei ao Flavors of India. O local era bem pequeno, intimista, com alguns itens de decoração indiana (tinha até uma espécie de cama lá com lençóis coloridos) e meia-luz. Uma das quatro garçonetes veio me trazer o cardápio e após os tradicionais problemas de comunicação consegui descobrir quais dos inúmeros pratos oferecidos eram do Nepal (a maioria era da Índia) e acabei optando por carneiro ao molho de coentro. Havia um couvertzinho composto de uma espécie de pão bem fino, tostado e bem picante, muito saboroso. O restaurante também oferecia água de graça e cada vez que terminada o copo vinham trazer mais. Após apenas de quinze a vinte minutos, chegou meu prato, composto de arroz indiano e uma cumbuquinha com a minha carne ao molho. O arroz indiano é diferente, mais longo e com sabor mais pronunciado, o que acompanhou muito bem a tenríssima carne de carneiro e seu condimentado e picante molho de coentro. O prato não era nada exótico, mas era realmente diferenciado, de alta qualidade, totalmente valendo a pena o valor de US$ 7,50. Acompanhei a refeição com uma taça de vinho tinto italiano, que acabou casando perfeitamente.
Na volta acabei entrando em alguns mercadinhos para ver se encontrava algumas cervejas diferentes e achei apenas uma, a Beerlao Dark Lager, do Laos. Em um outro mercado, este bem maior e com grande variedade, acabei comprando um vinho francês por US$ 4,60, que acabou se provando com bom custo-benefício.
Continuei meu trajeto de volta e quando estava a apenas duas quadras da Mao Tse Toung boulevard (por onde andei na vinda) olhei para a esquerda e vi a parte de cima do que parecia ser um templo. Olhei no Google Maps do celular e o mapa não mostrava nenhum pagoda por lá, mas mesmo assim fui averiguar. O que vi era parte de uma instituição japonesa que agregou o elemento arquitetônico apenas para embelezar o prédio. Por sorte, entretanto, logo em frente havia uma tradicional entrada dos templos e, para não perder a viagem, me dirigi até lá. Logo na entrada já havia uma placa indicando a existência de uma loja de souvenires, que entrei quando estava saindo do templo, e que continha várias estátuas budistas, carteiras, bolsas e outros badulaques que atraem o sexo feminino.
No Wat Thann em si, não havia nada de especial. O templo principal (só havia este) estava em mau estado de conservação e suas portas estavam fechadas, então não pude ver o interior. Em frente a ele, havia uma mesa com belíssimos enfeites dourados e prateados. Quando eu estava dando a volta neste, havia um grupo de cambojanos lá conversando e começando a praticar algo que não sei dizer se era uma dança ou um tipo de arte marcial, pois também não fiquei olhando por muito tempo. Havia alguns cachorros por lá, e estes entravam e saiam da área dos templos a seu bel-prazer. Fora isso, mais do mesmo: vários túmulos budistas e entre eles, um se sobressaiu por ser bem mais alto que a média, muito bem trabalhado e em excelente estado de conservação, ao contrário de muitos outros que estavam por lá.
Ao sair, acabei encontrando mais algumas coisas para tirar foto. Um cartório, um restaurante argentino que parecia ser bem chique, um tipo de departamento da pesca e uma família desfavorecida fazendo sua refeição de domingo na calçada, o que foi bem triste e me fez valorizar a sorte que tenho.
No caminho de volta, além dos mercadinhos, acabei também parando para provar algumas camisetas que estavam sendo vendidas em um caminhãozinho, por apenas US$ 2,50 cada e a qualidade do tecido era bem satisfatória para o valor. Acabei levando duas e não me prolonguei muito mais, pois algumas gotas começavam a cair. Apressei o passo e fui para a Mao Tse Toung boulevard, andando até chegar no primeiro ponto de ônibus. A pressa foi desnecessária, no entanto, pois as gotas acabaram sendo alarme falso.
Levei bastante sorte e o ônibus chegou cinco minutos depois, ou seja, dez minutos depois eu já estava desembarcando no ponto mais próximo do hotel. Antes de regressar, me ocorreu que eu havia esquecido de comprar pão no dia anterior, e fui novamente ao Lucky com este intuito. Feito isso, aí sim voltei ao meu novo apartamento, no qual passei o resto do dia jogando e assistindo a alguns seriados, além de pesquisando um pouco sobre uma cidadezinha que estou pensando visitar esta semana, pois as aulas na escola onde trabalho vão até 4a feira e teremos cinco dias de descanso, regressando somente na 2a feira que vem, quando, aí sim, espero ter um relato mais interessante para contar.
Agradeço aos que tiveram paciência de ler até o final e, caso tenham gostado e queiram assistir aos vídeos que faço durante minhas explorações (como o do Wat Thann), acessem meu canal no YouTube em https://www.youtube.com/channel/UCSnlDgGBkeCnhbDbLLkCjew.
Um abraço a todos e até o próximo post!
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