Após um longo hiato sem aulas, nesta segunda-feira
finalmente precisei acordar cedo novamente, às 6h10. Bem sonolento, comi, tomei
banho, me arrumei e às 7h30 estava no lobby para ir de moto até a universidade.
O trânsito estava intenso, para variar. Mesmo assim,
consegui chegar na sala uns dez minutos antes do sino bater. Em minha aula de
writing, tudo correu bem, exceto que os alunos deveriam editar os trabalhos dos
colegas e os seus próprios, e levaram quase toda a aula para fazer isso. No final,
pedi que terminassem em casa e trabalhei com eles três regras sobre vírgulas.
Na volta, levei sorte com ônibus. Ele chegou bem rápido e eu
estava de volta ao hotel por volta de 10h. aproveitei o resto da manhã para
escrever um pouco do post de ontem e para jogar um pouco de xadrez. Por volta
de 11h15 Isabel me ligou e saímos para almoçar. Fomos no restaurante de sempre,
e desta vez ela me contou fofocas picantes do pessoal que foi terminar o curso
na Tailândia.
Por volta de meio dia retornamos e vim para o quarto
preparar meu lanche da tarde para levar na universidade, tomar banho e me
arrumar, pois tinha uma entrevista de emprego marcada para às 14h.
Encontrei um motoqueiro aqui na frente do hotel e ofereci
US$ 0,75 para ele me levar, pois o lugar ficava a somente umas dez quadras
daqui. O salafrário fez uma contra-proposta de US$ 3, e acabou me levando por
US$ 1. Memorizei o caminho após olhar o
mapa e fui dando as coordenadas a ele. Acabamos entrando em uma rua bem
estreita, na qual havia várias barraquinhas de frutas e verduras. Após nos
esgueirarmos entre vários caminhões, motos e ambulantes, vi que a escola não
era no lugar onde eu pensava, então pedi para ele parar a moto. Olhei no mapa e
vi que era pra ser uma quadra antes, e assim o instruí. Ao virar a esquina, por
sorte, lá estava a escola. Paguei o motoqueiro e entrei, tirando os sapatos
antes, como pediam na porta. Esperei por uns cinco minutos apenas (cheguei 15
minutos adiantado) e me levaram até a sala do diretor. Ficamos conversando por
um bom tempo. Ele achou que eu era filipino pela minha foto e estava disposto a
me pagar o mesmo salário que aquela nacionalidade recebe: US$ 600 mensais por
seis horas diárias de trabalho. Como eu ganho US$ 720 por 18 horas semanais,
obviamente não aceitei e disse que estaria disponível somente para meio
período, trabalhando à tarde. Ele me agradeceu por ter ido à entrevista e nos
despedimos.
Rumei então para o ponto de ônibus, no sol a pino que fazia
pouco depois das 14h. após andar entre dez e quinze minutos, cheguei lá,
troquei os sapatos por chinelos e comecei a esperar. Havia um jovem cambojano
por lá, que puxou papo comigo e perguntou de onde eu era. Pedi para ele
traduzir a placa que dava informações sobre a linha e ele me disse que os ônibus
circulam, teoricamente, das 5h30 às 20h30. Pouco tempo depois o ônibus chegou e
nos despedimos. Ele sentou na frente do ônibus e eu fiquei mais perto da porta
de saída.
Após agradáveis quinze minutos no ar-condicionado do ônibus,
cheguei ao ponto próximo do campus de Tuol Kork. Tirei meu sanduíche e meu suco
da mochila e comecei a lanchar. Nisso, um tipo de supervisor das obras que
estavam acontecendo nas redondezas se aproximou e puxou papo também. Ele também
perguntou de onde eu era e o que fazia. Ele me contou que ganha US$ 200 por mês
e ainda consegue mandar dinheiro para a família no interior. Vai alongar o
dinheiro assim lá longe! Ele reclamou que não gosta como as leis não são
respeitadas aqui no Camboja e eu disse que no Brasil é parecido, com a
diferença de que os ricos são bem mais beneficiados. Após uns dez minutos de
conversa, resolvi partir para a universidade. Acabei chegando lá com umas duas
horas de antecedência. Após enrolar um bom tempo, pegar minhas coisas, ir ao
banheiro, dar uma caminhada pelas redondezas e voltar para a sala para arrumar
a disposição das carteiras em forma de ferradura dupla, ainda tive que esperar
mais um pouco. Enfim as duas horas se passaram e comecei a aula ensinando a
eles como se joga Twenty Questions, e eles tinham que adivinhar uma pessoa
famosa que eu havia pensado. Escolhi Michael Jackson e depois de umas seis
perguntas eles adivinharam. Pedi para eles fazerem o mesmo em pares com algumas
pessoas famosas que apareciam no livro (Madonna, Nelson Mandela, Gandhi,
Richard Feynman, Muhammad Ali), mas a maioria deles não conheciam aquelas
pessoas, então o jogo acabou não fluindo tão bem com todos os pares. Após quinze
minutos, terminei a atividade e trabalhamos com as palavras whatever, whenever,
wherever e whomever. Lembrei também do meu amigo Luiz Fernando Cavalheiro
quando trabalhamos com o conceito de carisma e pedi para eles fazerem uma lista
das cinco pessoas mais carismáticas que eles conhecem.
A aula terminou com uma atividade de leitura sobre o tema,
após a qual eles tinham que responder perguntas sobre o texto. Dei a eles o
tempo necessário para terminarem e quando corrigimos, já era quase hora de
terminar a aula. Fizemos mais um jogo, no qual um representante de cada grupo
ficava virado de costas para o quadro e eu escrevia uma palavra ali para que
eles adivinhassem com dicas recebidas pelos colegas. Um dos que tinham que
adivinhar não entendeu o jogo e trapaceou, olhando para o quadro em uma das
rodadas. Mas em geral esta atividade correu bem, com os alunos se envolvendo
bastante. A aula acabou terminando um pouco depois das 19h, mas mesmo assim
apaguei o quadro antes de sair.
Fui levar minha lista de chamada na administração e
cumprimentei um simpático professor ocidental de bigodes que estava por lá. Conversamos
um pouco e ele me perguntou de onde eu era. Disse que era brasileiro e ele não
acreditou, dizendo que meu sotaque não tinha nada a ver com os dos brasileiros
que ele conheceu quando era instrutor de esqui em uma cidade nas montanhas da
Califórnia. Perguntei a ele se isso era uma coisa boa ou ruim, mas ele não
respondeu, mas disse que gosta da entonação que os brasileiros usam ao falar
inglês, pois não temos muito sotaque, segundo ele. Não pude prolongar muito a
conversa por que sabia que Youth estava me esperando do lado de fora. Me despedi
e logo que pisei para fora da universidade vi que estava certo, pois meu fiel
escudeiro realmente estava lá (depois daquela bola fora da primeira noite, ele
nunca mais falhou).
O engarrafamento para voltar estava intenso e levamos entre
25 e 30 minutos para chegar aqui no hotel. Aconteceu uma coisa bem desagradável
no caminho. Youth sempre anda sem capacete, e havia alguns policiais tentando
controlar o trânsito com alguns bastões luminosos. Quando o policial viu que
Youth estava passando por ele desobedecendo a lei, enfiou o bastão na cara
dele, acredito eu, como uma espécie de punição por não estar usando o capacete.
Perguntei a Youth por que o policial havia feito aquela barbaridade e ele me
justificou a mesma coisa.
Enfim, acabei chegando no hotel por volta de 19h35. Liguei para
Isabel, pois havíamos combinado de ir na piscina à noite. Ela não atendeu, mas
menos de cinco minutos depois ela me ligou de volta e combinou de passar aqui
me buscar para descermos. Por volta de 20h chegamos lá (antes ela havia vindo
aqui e trazido uma salada de glass noodles para comermos, mas a mesma havia
azedado por conter broto de bambu) e havia uma galerinha lá conversando. Isabel
jogou a salada dela fora e depois entramos na água, onde ficamos por volta de
meia hora, pois a água estava meio fria (acredito que seja por isto que hoje
estou com uma leve dor de garganta).
Saímos da água, nos secamos e fomos para nossos respectivos
quartos. Ela me chamou para tomar um chá no quarto dela, mas eu estava muito
cansado e me retirei. Já era quase 21h, então tomei banho, assisti a um
episódio de Modern Family e fui dormir pouco depois das 22h, para acordar as 6h
no dia seguinte.







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