terça-feira, 19 de maio de 2015

MINHA DÉCIMA SEGUNDA-FEIRA NO CAMBOJA

Após um longo hiato sem aulas, nesta segunda-feira finalmente precisei acordar cedo novamente, às 6h10. Bem sonolento, comi, tomei banho, me arrumei e às 7h30 estava no lobby para ir de moto até a universidade.
O trânsito estava intenso, para variar. Mesmo assim, consegui chegar na sala uns dez minutos antes do sino bater. Em minha aula de writing, tudo correu bem, exceto que os alunos deveriam editar os trabalhos dos colegas e os seus próprios, e levaram quase toda a aula para fazer isso. No final, pedi que terminassem em casa e trabalhei com eles três regras sobre vírgulas.
Na volta, levei sorte com ônibus. Ele chegou bem rápido e eu estava de volta ao hotel por volta de 10h. aproveitei o resto da manhã para escrever um pouco do post de ontem e para jogar um pouco de xadrez. Por volta de 11h15 Isabel me ligou e saímos para almoçar. Fomos no restaurante de sempre, e desta vez ela me contou fofocas picantes do pessoal que foi terminar o curso na Tailândia.
Por volta de meio dia retornamos e vim para o quarto preparar meu lanche da tarde para levar na universidade, tomar banho e me arrumar, pois tinha uma entrevista de emprego marcada para às 14h.
Encontrei um motoqueiro aqui na frente do hotel e ofereci US$ 0,75 para ele me levar, pois o lugar ficava a somente umas dez quadras daqui. O salafrário fez uma contra-proposta de US$ 3, e acabou me levando por US$ 1. Memorizei o caminho  após olhar o mapa e fui dando as coordenadas a ele. Acabamos entrando em uma rua bem estreita, na qual havia várias barraquinhas de frutas e verduras. Após nos esgueirarmos entre vários caminhões, motos e ambulantes, vi que a escola não era no lugar onde eu pensava, então pedi para ele parar a moto. Olhei no mapa e vi que era pra ser uma quadra antes, e assim o instruí. Ao virar a esquina, por sorte, lá estava a escola. Paguei o motoqueiro e entrei, tirando os sapatos antes, como pediam na porta. Esperei por uns cinco minutos apenas (cheguei 15 minutos adiantado) e me levaram até a sala do diretor. Ficamos conversando por um bom tempo. Ele achou que eu era filipino pela minha foto e estava disposto a me pagar o mesmo salário que aquela nacionalidade recebe: US$ 600 mensais por seis horas diárias de trabalho. Como eu ganho US$ 720 por 18 horas semanais, obviamente não aceitei e disse que estaria disponível somente para meio período, trabalhando à tarde. Ele me agradeceu por ter ido à entrevista e nos despedimos.
Rumei então para o ponto de ônibus, no sol a pino que fazia pouco depois das 14h. após andar entre dez e quinze minutos, cheguei lá, troquei os sapatos por chinelos e comecei a esperar. Havia um jovem cambojano por lá, que puxou papo comigo e perguntou de onde eu era. Pedi para ele traduzir a placa que dava informações sobre a linha e ele me disse que os ônibus circulam, teoricamente, das 5h30 às 20h30. Pouco tempo depois o ônibus chegou e nos despedimos. Ele sentou na frente do ônibus e eu fiquei mais perto da porta de saída.
Após agradáveis quinze minutos no ar-condicionado do ônibus, cheguei ao ponto próximo do campus de Tuol Kork. Tirei meu sanduíche e meu suco da mochila e comecei a lanchar. Nisso, um tipo de supervisor das obras que estavam acontecendo nas redondezas se aproximou e puxou papo também. Ele também perguntou de onde eu era e o que fazia. Ele me contou que ganha US$ 200 por mês e ainda consegue mandar dinheiro para a família no interior. Vai alongar o dinheiro assim lá longe! Ele reclamou que não gosta como as leis não são respeitadas aqui no Camboja e eu disse que no Brasil é parecido, com a diferença de que os ricos são bem mais beneficiados. Após uns dez minutos de conversa, resolvi partir para a universidade. Acabei chegando lá com umas duas horas de antecedência. Após enrolar um bom tempo, pegar minhas coisas, ir ao banheiro, dar uma caminhada pelas redondezas e voltar para a sala para arrumar a disposição das carteiras em forma de ferradura dupla, ainda tive que esperar mais um pouco. Enfim as duas horas se passaram e comecei a aula ensinando a eles como se joga Twenty Questions, e eles tinham que adivinhar uma pessoa famosa que eu havia pensado. Escolhi Michael Jackson e depois de umas seis perguntas eles adivinharam. Pedi para eles fazerem o mesmo em pares com algumas pessoas famosas que apareciam no livro (Madonna, Nelson Mandela, Gandhi, Richard Feynman, Muhammad Ali), mas a maioria deles não conheciam aquelas pessoas, então o jogo acabou não fluindo tão bem com todos os pares. Após quinze minutos, terminei a atividade e trabalhamos com as palavras whatever, whenever, wherever e whomever. Lembrei também do meu amigo Luiz Fernando Cavalheiro quando trabalhamos com o conceito de carisma e pedi para eles fazerem uma lista das cinco pessoas mais carismáticas que eles conhecem.
A aula terminou com uma atividade de leitura sobre o tema, após a qual eles tinham que responder perguntas sobre o texto. Dei a eles o tempo necessário para terminarem e quando corrigimos, já era quase hora de terminar a aula. Fizemos mais um jogo, no qual um representante de cada grupo ficava virado de costas para o quadro e eu escrevia uma palavra ali para que eles adivinhassem com dicas recebidas pelos colegas. Um dos que tinham que adivinhar não entendeu o jogo e trapaceou, olhando para o quadro em uma das rodadas. Mas em geral esta atividade correu bem, com os alunos se envolvendo bastante. A aula acabou terminando um pouco depois das 19h, mas mesmo assim apaguei o quadro antes de sair.
Fui levar minha lista de chamada na administração e cumprimentei um simpático professor ocidental de bigodes que estava por lá. Conversamos um pouco e ele me perguntou de onde eu era. Disse que era brasileiro e ele não acreditou, dizendo que meu sotaque não tinha nada a ver com os dos brasileiros que ele conheceu quando era instrutor de esqui em uma cidade nas montanhas da Califórnia. Perguntei a ele se isso era uma coisa boa ou ruim, mas ele não respondeu, mas disse que gosta da entonação que os brasileiros usam ao falar inglês, pois não temos muito sotaque, segundo ele. Não pude prolongar muito a conversa por que sabia que Youth estava me esperando do lado de fora. Me despedi e logo que pisei para fora da universidade vi que estava certo, pois meu fiel escudeiro realmente estava lá (depois daquela bola fora da primeira noite, ele nunca mais falhou).
O engarrafamento para voltar estava intenso e levamos entre 25 e 30 minutos para chegar aqui no hotel. Aconteceu uma coisa bem desagradável no caminho. Youth sempre anda sem capacete, e havia alguns policiais tentando controlar o trânsito com alguns bastões luminosos. Quando o policial viu que Youth estava passando por ele desobedecendo a lei, enfiou o bastão na cara dele, acredito eu, como uma espécie de punição por não estar usando o capacete. Perguntei a Youth por que o policial havia feito aquela barbaridade e ele me justificou a mesma coisa.
Enfim, acabei chegando no hotel por volta de 19h35. Liguei para Isabel, pois havíamos combinado de ir na piscina à noite. Ela não atendeu, mas menos de cinco minutos depois ela me ligou de volta e combinou de passar aqui me buscar para descermos. Por volta de 20h chegamos lá (antes ela havia vindo aqui e trazido uma salada de glass noodles para comermos, mas a mesma havia azedado por conter broto de bambu) e havia uma galerinha lá conversando. Isabel jogou a salada dela fora e depois entramos na água, onde ficamos por volta de meia hora, pois a água estava meio fria (acredito que seja por isto que hoje estou com uma leve dor de garganta).

Saímos da água, nos secamos e fomos para nossos respectivos quartos. Ela me chamou para tomar um chá no quarto dela, mas eu estava muito cansado e me retirei. Já era quase 21h, então tomei banho, assisti a um episódio de Modern Family e fui dormir pouco depois das 22h, para acordar as 6h no dia seguinte.








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