sábado, 9 de maio de 2015

O RESTO DA MINHA OITAVA SEMANA NO CAMBOJA

Na segunda-feira, acordei às 6h, me arrumei e peguei uma moto rumo à universidade, para meu terceiro dia de aula. Comecei os trabalhos ensinando aos alunos como jogar Stop, a fim de praticar as palavras que recebem letras maiúsculas ensinadas na aula anterior. Trabalhamos com as categorias nome, lugar no mapa, título, grupos de pessoas, siglas, estruturas específicas, datas (feriados, dias da semana e meses) e livros e filmes famosos.
Depois, vimos um texto sobre George Lucas, e perguntei a eles sobre gêneros de filmes e quais filmes famosos de ficção científica eles conheciam. Por incrível que pareça, não conheciam os filmes da série Star Wars. Após ler o texto e responder as perguntas, passei a eles uma tarefa: escrever sobre uma pessoa importante na vida deles. Terminamos a aula com os tipos de frases, enfocando nas sentenças simples.
Terminada a aula, fui para o ponto de ônibus. Como sempre, estava um forte congestionamento e tive que prestar atenção em várias coisas ao mesmo tempo. Como nem sempre sou muito eficiente em multitasking, sofri um pequeno acidente. Eu estava caminhando olhando para a frente, e não para o chão, e, como estão em obras na área próxima ao ponto de onibus, não vi uma pequena barra de ferro no chão e acabei levando um baita tombo, o que rasgou um pouco  minha calça social, como poderão ver nas fotos. No joelho, apenas um pequeno arranhão. O machucado ardeu um pouco por alguns dias, mas agora já está bem melhor.
Após o almoço, peguei uma moto até o Cambodian Public Bank, onde eu fui abrir uma conta para poder receber meu salário. O banco, que fica relativamente próximo ao mercado central, é bem elegante, com ar condicionado, e sistema de som em inglês e khmer. Após uma espera de uns quinze a vinte minutos, fui atendido e preenchi vários formulários e assinei várias páginas. Fiz um depósito de US$ 11 dólares para poder abrir a conta e retirar US$ 10 no dia seguinte (US$ 1 é para a taxa de abertura da conta). Recebi uma caderneta e um cartão para fazer saques no caixa eletrônico, estando, então, habilitado para receber meu primeiro pagamento, em 5 de junho.
Com tudo pronto, saí do banco e vi o motoqueiro me esperando, e ele me trouxe de volta para o hotel. Lanchei, tomei banho e por volta de 16h saí rumo ao ponto de ônibus. Neste dia tive que esperar “somente” meia hora e cheguei com um pouco de antecedência no campus de Tuol Kork. Nesta noite minha turma do nível 12 continuou trabalhando com o tema de arquitetura, com exercícios orais e auditivos. Além disso, trabalhamos com os artigos.
Na volta, fui até o ponto de ônibus, onde esperei por quase uma hora. A área é bem mal iluminada à noite, e acabei desistindo de esperar, apesar da placa do ponto de ônibus dizer que os mesmos circulam até às 20h30. Peguei uma moto, por US$ 2, até o hotel e decidi que na volta para casa eu não pegaria mais ônibus. No quarto do hotel, já cansado, apenas comi alguma coisa, tomei banho e fui dormir.
Na terça-feira, encontrei um motoqueiro aqui do hotel para me levar e buscar uma vez por dia na universidade, por 20 dias, a US$ 70. Comecei minha aula matinal com um jogo da velha para praticar palavras que são sempre singular, plural ou ambas. Corrigimos a lição de casa e depois ensinei a eles o que são fragmentos e também falamos sobre o processo de escrita, quando expliquei a eles como funciona o processo de brainstorming, ou listing.
Fui almoçar no restaurante aqui perto e após terminar passei no Lucky para comprar pão e mortadela. Por volta de 13h30 desci para o lobby e fui de moto para minha segunda aula do dia no campus Peayoap. Iniciei a aula com o warmer Bucks Fizz, que trabalha com múltiplos de 3 e 5. Os alunos sofreram bastante no início, mas acabaram gostando. Trabalhamos com a rotina diária e coisas que eles gostam e não gostam, envolvendo exercícios de leitura e atividades orais.
Às 15h30, terminou a aula. Organizei a sala, apaguei o quadro e rumei em direção ao campus de Tuol Kork. Parei no ponto de ônibus para lanchar um sanduíche que eu havia feito aqui no quarto, acompanhado de uma garrafa de suco de laranja. Estava calor, para variar, e fui andando bem devagar para não chegar lá muito suado. No caminho, fui andando, de chinelo, cambodian-style. A vizinhança é bem bonita, e tirei algumas fotos para retratar.
Cheguei lá bom bastante antecedência, mais de uma hora. Peguei minha lista de chamada, aparelho de som e fui para a sala. Antes disso, fui escovar os dentes. Aproveitei o tempo extra para corrigir algumas tarefas e também dar uma olhada no plano de aula que seria ensinado a seguir. Ah, liguei o ar-condicionado sozinho, agora que decorei qual o lugar correto para ativar. Utilizei também o warmer Bucks Fizz nesta aula. Ensinei a eles quando usar one e ones, além de vermos a estrutura de uma carta informal. A aula teve também elementos de leitura e escrita, com vocabulário de descrição de pessoas.
Na volta, o motoqueiro Youth, que eu havia contratado, estava me esperando em frente à universidade e me trouxe até o hotel. Foi muito bom não ter que ir andando até o ponto de ônibus e perder mais uma hora parado lá na escuridão. Pouco depois de quinze minutos eu já estava no quarto, animado com o feriado do dia seguinte. Lanchei, tomei banho, e fui assistir um pouco de seriados, já que não teria que acordar cedo no dia seguinte.
Na quarta-feira de manhã, recuperei o sono perdido e dormi até umas 9h. aproveitei o resto da manhã para terminar meus planos de aula para quinta e sexta-feira. Às 11h30, saí para almoçar com Isabel no restaurante de sempre, no qual optei por carne de porco com ovo cozido, como poderão ver nas fotos.
Meus pés estavam muito doloridos para fazer qualquer caminhada que exigisse muito esforço devido aos dois dias anteriores, então passei a tarde na piscina. À noitinha, já mais descansado, fui com Isabel até a Yothapol Khemarak Phoumin Boulevard. Tomei um delicioso shake de frutas, com jaca, pitaya e mamão. Comprei um frango assado e uma porção de arroz (conversei com o dono do “restaurante” que falava um inglês bem razoável, e ele me deu como bônus um caldo de vegetais sobre minha porção de arroz). Isabel estava em contenção de gastos e comprou apenas uma porção de noodles. Não comemos por lá porque ela tinha uma sessão de Skype marcada com os pais dela. No trajeto de volta, teve um apagão, mas conseguimos voltar sãos e salvos para o hotel e fomos cada qual para seu respectivo quarto. Aproveitei o resto da noite para jantar em tranquilidade e relaxar mais um pouco, assistindo a episódios de Grey’s Anatomy.
 Na quinta-feira de manhã, peguei o ônibus até Peayoap para dar minha aula para minha turma de writing. Trabalhamos com revisão e edição de textos, além de revisar todos os tópicos vistos na unidade 1. Os alunos corrigiram os rascunhos dos colegas e, com a correção em mãos, iniciaram seus textos sobre uma pessoa que fez diferença na vida deles.
Peguei o ônibus de volta e vim andando do ponto até o hotel. Fui almoçar, descansei um pouco e às 13h30 desci para o lobby onde Youth estava esperando para me levar para minha segunda aula do dia. Iniciamos a aula com o warmer Alphabet Circle, no qual os alunos tem que dizer palavras em inglês começando com as mesmas letras da sequência do alfabeto. Inicialmente apresentaram certa dificuldade, mas depois pegaram o jeito. Trabalhos com vocabulário referente a sono e sonhos. Fizemos uma atividade de listening e speaking sobre o assunto. A gramática do dia envolveu os verbos auxiliares, que eles já conheciam, então dei apenas uma pincelada. Terminada a aula, fui até o ponto de ônibus onde desço todo dia, não para pegar ônibus, pois ainda tinha mais uma aula no dia, e sim para fazer meu lanche da tarde. Peguei um trajeto diferente e fiz umas fotos da obra próxima ao ponto de ônibus. Lá, vi um curioso monge lá no ponto, saboreando uma iguaria inusitada para sua “profissão”, como poderão ver nas fotos. Já próximo à universidade, fiz um vídeo e mais fotos mostrando a afluente vizinhança de lá. Mesmo assim, em frente a uma das mansões, alguns escombros prejudicavam a vista. É como comentei com Isabel: parece que desde que dentro da casa deles tudo esteja bem, eles não se importam em estar rodeados de pobreza e lixo.
Enfim, após dar uma boa olhada no bairro, troquei meus chinelos por sapatos novamente e fui para a universidade. Cheguei cedo e aproveitei para corrigir algumas lições de casa. Uma hora depois começou a aula, que começou com o warmer alphabet circle, passando para a correção da lição de casa, exercício de listening e explicação gramatical sobre pronomes possessivos. Na volta, Youth estava me esperando e cheguei  prontamente ao hotel. Já no quarto, o usual: um bom banho, um lanche, seriado, e cama.
Na 6ª feira, primeiro dia da minha nona semana no Camboja, pude acordar um pouco mais tarde, por volta de 6h20, pois iria de moto para o trabalho. Minha última aula de writing desta semana foi sobre conjunções, assunto muito importante para quem quer aprender a escrever de forma organizada, clara e coerente. A aula terminou com os alunos fazendo exercícios sobre o que aprenderam e deixei os últimos cinco minutos para quem quisesse iniciar a lição de casa. Mais da metade aproveitou para ficar conversando, no entanto.
Voltei de onibus para o hotel e levei sorte. Pouco depois das 10h, já estava aqui. Nesta manhã, não estava tão calor e não precisei me trocar para sair novamente. Peguei uma moto até o campus principal da universidade, onde fui conversar com a responsável pelos pagamentos. Me candidatei para um adiantamento de US$ 300 a ser pago em duas vezes. Quando terminei de preencher a requisição, fizeram uma contraproposta de US$ 200 a ser descontada integralmente de meu próximo pagamento. Aceitei prontamente e combinamos de eu ir receber na próxima 3ª feira. Me despedi e saí da universidade feliz por finalmente estar recebendo algo e parar de drenar minha conta bancária no Brasil.
Já no Marady, vim ao meu quarto e me troquei para ir almoçar. Aproveitei a tarde para iniciar a correção dos trabalhos de casa que me foram entregues na mesma manhã. Consegui adiantar bastante o trabalho e por volta de 15h, comecei a arrumar as coisas para sair. Tomei banho, fiz um lanche e saí do hotel pouco depois das 16h, quando começou uma série de patacoadas. Cheguei no ponto de ônibus às 16h15 e troquei os sapatos por chinelos para a longa espera, de quase uma hora. Por volta de 17h05 calcei os sapatos novamente e nada do ônibus. Fui então para a rua sinalizar para algum motoqueiro me levar. Quatro minutos depois, apareceu um. Ele parou um pouco mais a frente e fui andando até lá. Dei uma última olhada para trás e, pasmem, o ônibus finalmente estava chegando. Sinalizei negativamente para o motoqueiro e entrei no ônibus, feliz por poder economizar alguns centavos, pois o motoqueiro iria me levar por US$ 1. O que não levei em consideração, no entanto, é que o ônibus teria vinte minutos para enfrentar o trânsito e que eu ainda teria que andar do ponto até o campus de Tuol Kork, trajeto que leva, no mínimo, uns 10 minutos a pé. Resultou que quando faltava cinco minutos para o início da minha aula, às 17h25, não havíamos chegando ainda nem no segundo dos três pontos que eu deveria percorrer. Pedi então para o motorista abrir a porta e fui alternando uma marcha olímpica com corrida leve para tentar chegar lá em no máximo 10 minutos (caso tivesse continuado no onibus, o atraso teria sido ainda maior). Quando estava na esquina anterior à universidade, tive uma constatação que me deixou ainda mais nervoso: eu estava indo para o campus errado, pois a aula das 17h30 não era em Peayoap, mas sim em Tuol Kork. É incrível as peças que nosso cérebro pode nos pregar quando estamos com a adrenalina em alta. Por sorte encontrei prontamente um motoqueiro por lá, e em cerca de dez minutos consegui chegar no outro campus. Após pegar minha lista de chamada, subi correndo a escadaria até o quinto andar. Ao chegar na sala, abri, e havia outra turma lá. A professora me informou que a aula havia mudado para o quarto andar e fui então em busca da nova sala. Cheguei lá por volta de 17h45 e quase todos os alunos já haviam chegado. Suado e descabelado (acredito eu), me desculpei profusamente e expliquei o motivo do atraso. Iniciei então a primeira aula de writing deles, que introduzia o conceito de aposto. No final, fizemos a atividade do alphabet circle.
No final da aula, um aluno foi apagar o quadro para mim, dizendo que gostava de fazê-lo. Agradeci, terminei de arrumar minha coisas, devolvi a lista de chamada na administração e saí da universidade, esperando ver Youth na calçada, como na noite anterior. Para minha surpresa, não havia ninguém me esperando. Fiquei plantado lá uns 15 minutos, quando finalmente decidi voltar na administração e pedir o telefone emprestado para ligar para o hotel. Para variar, a recepcionista não entendeu muita coisa do que eu disse em inglês e passou o telefone para Trea, uma espécie de manda-chuva aqui do hotel já mencionada antes aqui no blog. Ela tentou contactar o motoqueiro para mim, que disse para ela que estava trabalhando e mais para a frente acabou vindo com uma outra explicação, a de que sua moto havia dado problema.
Acabei tendo que pedir pro pessoal da universidade ligar para um serviço de taxi vir me buscar. Inicialmente o prazo era de dez minutos de espera, mas o taxista acabou se perdendo (é incrível como o pessoal que trabalha com transporte de passageiros desconhece a cidade por aqui) e demorou o dobro do tempo. Quando eu estava quase desistindo, ele ligou na recepção da universidade e eu fui até lá. Ele acabou pegando um caminho diferente do que eu faço todo dia, e logo após, começou a chuviscar e Isabel me ligou. Conversei com ela dentro do taxi sobre o que havia acontecido. Tinha um pouco de trânsito no caminho. O taxímetro era diferenciado, ele começava cobrando um dólar. O segundo dólar foi cobrado com um quilometro de distância. A partir do segundo dólar, havia um temporizador que a cada tres ou quatro minutos aumentava mais um dólar na conta, mais ou menos assim. Resultou que ao chegar no hotel a conta acabou dando US$ 3,50; um pouco mais do que um tuk-tuk teria cobrado.
O cara ainda quis me cobrar US$ 4, o que achei uma palhaçada. Paguei os US$ 3,50 (ele ainda cobrou uns centavos adicionais), pedi um recibo e entrei no hotel. Encontrei um motorista de tuk-tuk do hotel e falei cobras e lagartos sobre o cara que não foi me buscar. Muito pê da vida e cansado, vim para o quarto, lanchei (estava morto de fome), tomei um bom banho e relaxei assistsindo a um episódio de 2 broke girls. Fui dormir, despreocupado em ter que acordar cedo novamente e pensando como iria resolver a situação com o motoqueiro caloteiro.
E assim terminou minha oitava semana e começou minha nona semana no Camboja.
Acompanhem vídeos sobre a viagem em meu canal no YouTube, em https://www.youtube.com/channel/UCSnlDgGBkeCnhbDbLLkCjew
Abraço a todos os leitores e continuem curtindo, comentando e inscrevam-se no canal caso estejam gostando dos vídeos. Até o próximo post!





















































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