Comecei minha quinta sexta-feira
no Camboja com uma notícia bem desanimadora, ao chegar no restaurante do hotel
para tomar meu café da manhã. Ao checar meus emails no celular, vi que havia
recebido uma mensagem de Garry Chiam, vice-presidente da Learning International
School, que havia me oferecido uma vaga de professor dois dias atrás. O email
dizia que o professor deles que havia pedido demissão para voltar para a
Austrália rescindiu a demissão dele e que, portanto, a vaga que havia aberto
para mim não estaria mais disponível, mas que me contactaria no futuro caso
outras abrissem.
Enfim, após esse baita balde de
água fria, tomei meu café e voltei para meu novo apartamento no sétimo andar
para tomar banho e me preparar para meu último dia de curso (prova de Khmer e
estágio). Como a prova era com consulta, não estudei nada no dia anterior. O
resultado refletiu na minha nota. A prova valia 90 pontos. A lição de casa que
fizemos valia mais 10. Acabei com um total de 68 pontos, o suficiente para
passar, mas bem abaixo de minhas expectativas.
Terminada a prova, tivemos que
reunir toda a papeladas das duas semanas práticas de curso e entregar aos
professores, que iriam conferi-la e corrigi-la e, caso tudo estivesse dentro dos
conformes, nos entregariam o certificado ainda no mesmo dia. Por volta de 14h,
o professor Billy telefonou no meu quarto, onde eu estava tentando tirar uma
soneca (sem êxito), para me avisar que meu certificado estava pronto. Acabei
não descendo e peguei-o apenas por 21h e pouco, quando voltamos do nosso jantar
de despedida.
Neste dia, não almocei fora. O
amigo Colin me convidou para comer um sanduíche de frango assado no quarto
dele. Ao terminar, fui ao meu quarto buscar algumas bananas que eu havia comprado
no domingo anterior (ainda verdes, e agora já estavam quase no limite) para
tomarmos junto com o sorvete de chocolate chip que ele sempre mantém em seu
freezer. Após a refeição, fui então ao meu quarto tentar tirar a soneca
supracitada.
Às 14h45 desci para a nossa sala
de aula para baixar um vídeo musical para levar em meu último estágio, mesmo
apesar de ser Fun Day na escola True Visions. Neste dia, não havia a
necessidade específica de preparamos um plano de aula, poderíamos apenas fazer
jogos com a criançada. Optei por levar uma música para eles assistirem,
cantarem e dançarem, bem como alguns jogos de caça-palavras e scrambled words,
que eles adoraram. Uma de minhas alunas preferidas, Mutita, terminou a primeira
atividade em cerca de 5 minutos (eram 14 partes do corpo com as letras
embaralhadas), enquanto alguns nem ao menos haviam entendido o que deveriam
fazer. Os que iam terminando recebiam um Halls de cereja como prêmio. Nos
outros dias levei Halls de hortelã e menta, que eles acharam super forte e
ficavam dizendo: - Spicy, spicy! (apimentado, ou neste caso, ardido) além de
ficarem se abanando, o que foi muito engraçado.
Às 17h, chegamos de volta ao
hotel. Após deixar minhas coisas no quarto, já fui direto para a piscina nadar
um pouco, mas o colega Colin chegou um pouco depois, então não pude nadar
muito. Por outro lado, ele me contou várias estórias dos 60 países por onde ele
passou em seus 60 anos de idade (estou apenas em 11, mas espero chegar lá).
Duas delas foram tão interessantes que valem a pena mencionar: Colin trabalhou
como um tipo de gerente em um restaurante na África do Sul, e um dia uma de
suas funcionárias lhe presenteou uma galinha vermelha. Colin achou o presente
bem inusitado, mas aceitou, pois achou rude não fazê-lo. Acabou sabendo, por
intermédio de seu chefe, que é esse o costume zulu de iniciar o processo de
paquera por lá. Eventualmente ele acabou se “livrando” do compromisso, mas se
encontrou em uma saia justa por alguns instantes. A outra delas aconteceu no
Zimbábue, onde ele foi dar um passeio de bote inflável no rio e reparou que o
que aparentava ser um tronco começou a ser mexer e se aproximar cada vez mais
rápido de onde ele estava. Neste momento, a distância era de cerca de 30
metros. De repente, Colin reparou que o suposto tronco tinha olhos e começou a
olhar na direção dele. Na altura em que percebeu que havia um crocodilo a cerca
de 10 metros dele, tentou controlar o pânico da melhor forma possível e começou
a remar como louco (ainda em cima do bote, pois, caso contrário, conta ele, se
tivesse entrado na água para nadar teria ido para o espaço) e conseguiu fugir
do temível predador, passando por um túnel que supostamente também é usado por
crocodilos. Eventualmente, conseguiu subir em uma árvore e aguardar até que o
crocodilo cansou e foi procurar alimento
alhures.
Pouco depois desta última estória
ser contada, nossa colega cambojana Sophavvy chegou na piscina, toda arrumada
para o jantar. Colin acabou pagando uma cerveja para ela e para mim e pegou uma
coca para ele. Conversamos um pouco e subi correndo para o quarto, pois já eram
18h40 e nosso jantar estava marcado para as 19h. Consegui tomar banho e me
arrumar a tempo de chegar 19h02 no lobby do hotel, no bico do corvo. Um pouco
antes havia recebido uma ligação no quarto do hotel para confirmar se eu iria
ou não para o jantar.
Fomos ao restaurante Tom Yul
Kung, de culinária Khmer. No tuk-tuk, fomos eu, Colin, Mary e Isabel. Ao chegar
lá, começou a balbúrdia, pois sabíamos que poderíamos pedir tudo que
quiséssemos e seria pago pelo pessoal do programa, com exceção de bebidas
alcoólicas, obviamente. Sentei próximo aos colegas canadenses Ron e o nigeriano
Jerry, além da alemã Isabel à minha direita. Aproveitando a barbada (a exemplo
da lendária noite do lançamento do meu livro Brasil 180º - Uma Mudança de Rumo, há mais ou menos dez anos atrás,
quando meu então chefe deixou que os convidados pedissem o que quisessem e eu e
meu saudoso amigo Luiz Fernando Cavalheiro pedimos as batatas suíças mais
elaboradas do cardápio – salmão e bacalhau, se não me engano), pedimos
inicialmente, como aperitivo, uma porção de tempura de camarão (Ron), bolinhos
de peixe (Jerry) e bolinhos de camarão gigante (prawns), escolhidos por mim.
Para o prato principal, pedi um serpent-head fish para mim (não sei como se diz
em português, me ajudem), Ron pediu um peixe ao molho agridoce, bem parecido
com o porco com o mesmo molho que se encontra facilmente no Brasil, de molho
vermelho com pedaços de abacaxi e Jerry pediu sopa, não barbarizando como eu e
Ron, que, somente em comida, consumimos US$ 12 (12 vezes mais do que gasto em
meu almoço diário próximo ao hotel). Além disso, pedi também um refrigerante de
morango e uma cerveja, esta última sim, a única coisa que tive que pagar na
noite. Ou seja, uma refeição de condenado ao corredor da morte por apenas US$
2,25. Nada mal para uma despedida de curso. Fora a comida, é claro, dei muitas
risadas com Ron, foi bem divertido.
Na volta para o hotel, fiquei um
pouco na frente deste me despedindo das colegas Ashley e Lenora e do colega
Martin, que na madrugada seguinte partiriam para a Tailândia, onde ficarão por
no mínimo duas semanas e depois só Deus sabe.
Subi então para meu quarto para arrumar minhas malas e me preparar para
acordar às 5h30 na manhã seguinte, pois às 7h partiria o ônibus que eu e Colin
pegaríamos para Kampot, rumo à Rabbit Island, onde estou escrevendo este post.
Após um pequeno atraso meu de
cinco minutos, saímos do hotel por volta de 6h35, quando um motorista
salafrário de tuk-tuk nos cobrou US$ 5 por uma corrida até o “terminal
rodoviário” de Phnom Penh. Quinze minutos depois, chegamos ao caótico local,
que parecia tudo, menos uma rodoviária. O lugar é uma quadra normal (para os
padrões cambojanos), caótica ao extremo, com alguns ônibus estacionados em fila
e uns dois balcões onde passagens podem ser
compradas. Chegamos uns dez minutos antes da previsão de partida do
nosso ônibus e levamos mais um tanto para descobrir qual era o nosso. No final
das contas, me perguntei por que nos apressamos tanto, pois nosso ônibus acabou
saindo com meia hora de atraso. Some-se a isso mais de meia hora para sair de
Phnom Penh, já era passado das 8h quando realmente saímos da cidade. No
caminho, passamos por várias cidadezinhas e, cerca de 2h30 após começar o
trajeto, o motorista parou na beira da estrada para o pessoal comprar algo para
comer e tirar água do joelho. Colin ficou conversando com uma inglesa cujo
inglês parecia escocês e eu acabei puxando papo com alguém que minha mãe ficara
muito feliz em saber: um ex-militar dinamarquês, da terra do meu querido avô
Egon, que descanse em paz. Ele me contou que saiu do país para viver na Ásia e
atualmente no Camboja por que não gosta da atual política da Dinamarca, que
está unida aos Estados Unidos como carne e unha, e, sempre que estes últimos
vão à guerra, levam os dinamarqueses, ingleses e australianos juntos, entre
outros. Enfim, o dinamarquês Carsten acabou me contanto que passou dois anos no
Iraque e dois anos no Afeganistão. ps – Em uma das fotos aparece o “banheiro”
onde fui, um descampado cheio de árvores.
Mais ou menos após quatro horas
de viagem, chegamos ao destino desejado, a cidade de Kampot. Mesmo antes de
descer do ônibus, já havia um enxame de motoristas de tuk-tuk à porta deste,
nos oferecendo corridas para Kep, nosso próximo destino. Encontramos rondando
ali por perto Luke, um suíço que mora entre Berna e Lausanne que também estava
indo para lá, e acabamos rachando a corrida de 25km com ele. Luke nos contou
que havia sido assaltado alguns dias atrás em Siem Reap, onde estava andando de
bicicleta e alguns meliantes passaram de moto e arrancaram de dentro da
cestinha sua bolsa, na qual estava passaporte e dinheiro. Que me sirva de
lição.
Enfim, após muitos trancos e
barrancos no tuk-tuk (o motor engasgou uma meia dúzia de vezes; em uma destas,
tivemos que parar, aterrorizados com a perspectiva de ficarmos parados por
várias horas no meio do nada – felizmente o motorista teve um momento McGyver e
encontrou uma bituca de cigarro na beira da estrada e encostou ela em algum
lugar do motor e ele voltou a funcionar), chegamos a Kep. Estávamos passando do
lugar correto e Colin pediu ao motorista que nos levasse ao Crab Market, uma
das atrações da diminuta cidade. No pequeníssimo lugar, compramos alguns
suprimentos (água, cerveja e refrigerante) e Colin pediu o almoço para nós.
Infelizmente, não deu tempo de comer, pois o barco no qual viemos para a Rabbit
Island havia chegado e teríamos que partir dali a poucos minutos.
O percurso de barco foi bem
tranquilo. Bem ensolarado e com uma ótima paisagens das ilhas próximas daqui,
sendo que uma delas foi usurpada do Camboja pelo Vietnam, e só se pode ir para
lá se tiver o visto vietnamita. Meia hora depois chegamos aqui na Rabbit
Island, e, seguindo a dica de Colin, que havia estado aqui outrora, saímos
correndo do barco e fomos procurar um bangalô para ficarmos. Inicialmente
iríamos dividir o quarto de US$ 8, mas optei por não dormir em uma cama de
casal com outro homem.... hehehe... e investi mais US$ 4 no meu bem-estar. O
“quarto” é composto de uma varanda com rede, uma cama de casal com rede para
insetos acima e um pequeno banheiro sem água encanada, mas no estilo ocidental
(vaso sanitário) e um chuveirinho para tomar banho. Bem rústico, mas suficiente
para o dia e meio que passamos aqui.
Chegamos aqui bem depois da minha
hora tradicional de almoço e, após deixarmos as coisas no quarto, pagarmos por
ele e etc., acabamos almoçando por volta de 14h30 da tarde. Acabei sendo
conservador e pedi um prato grande de frutos do mar ao molho de leite de coco –
delicioso e “apenas” US$ 5. Colin pediu seus tradicionais noodles e sopa.
Terminada a refeição, cada um foi
para seu quarto tirar uma soneca. Coloquei meu despertador para às 17h, que foi
exatamente quando acordei. Vi que Colin não estava por perto e entrei um pouco
no mar, para me refrescar e nadar um pouco.
Mais tarde Colin apareceu e
saímos para jantar com quatro amigas alemãs que conhecemos no ônibus e que
estão trabalhando aqui no Camboja. Já havíamos conversado com elas no ônibus durante
a tarde e retomamos durante à noite, junto com algumas cervejas e o delicioso e
barato (US$ 0,75) suco de lichia que tem aqui na ilha. As simpáticas alemãs
partiram agora pouco, meia hora atrás, rumo a Kompot e vieram aqui na mesa onde
estou digitando o post, para se despedir.
Enfim, entre conversa e comida
(que demora mais ou menos uma hora para ficar pronta), acabamos saindo do
restaurante por volta de 21h da noite, pois a eletricidade da ilha é obtida a
partir de gerador, o qual é desligado entre 22h e 22h30. Pouco antes de irmos
para nossos respectivos quartos, Colin e eu demos uma passada no pequeno cais,
quando começou a trovejar e relampejar. Demos ainda um passeio iluminado por
lanterna, pois Colin disse que, dois meses atrás, quando esteve aqui pela
primeira vez, visualizou um fenômeno único da natureza: ao mexer na água do mar
com o gerador já desligado, algumas algas presentes no mar, ao serem agitadas,
produziam uma luz de cor neon azulado ou arroxeado. Infelizmente, ontem o
fenômeno não aconteceu (deve ser sazonal) e fomos dormir então.
Havíamos combinado de acordar às
8h para dar uma caminhada ao redor da pequena ilha, mas por volta de 7h30 Colin
já estava batendo no meu quarto. Fomos então dar um mergulho no mar para
acordar melhor e viemos tomar o café da manhã, que novamente demorou uma
eternidade para ficar pronto. Pedi uma deliciosa e volumosa panqueca de
bananas, que veio acompanhada de mel. Pedi um coffee with sweet milk, achando
que seria café com leite, mas na verdade era café com uma espécie de leite
condensado no fundo, o que um australiano, Darren, que estava conversando com
Colin quando cheguei, disse que era feito à base de coco.
Ao terminar o café, saímos, mais
de uma hora após do planejado, para dar a volta ao redor da ilha, passeio este
durante o qual tirei inúmeras fotos que poderão ver no final do post. no trajeto, pudemos ver alguns animais
silvestres (como lagartos (geckos) coloridos e muita vegetação, algumas que
podem ser vistas com facilidade no Brasil. Tirei também fotos de algumas
cabanas rústicas que encontramos ao longo da trilha, além de paisagens da orla,
umas casas onde os nativos habitam e também vendem produtos para sobreviver,
enfim, do peculiar ambiente encontrado por aqui.
Após a caminhada, que durou pouco
mais de 2 horas, retornamos à area povoada da ilha e pedimos nosso almoço: eu
pedi um peixe grelhado (não sei qual é, mas era bem saboroso, temperado com
capim limão) e Colin nem preciso dizer o que comeu. Durante a espera, entrei
mais um pouco no mar para me refrescar e nadar um pouco e ao chegar Colin disse
que, por incrível que pareça, logo após eu entrar no mar minha comida havia
chegado – a famosa Lei de Murphy.
Durante a tarde, mais uma vez
fomos tirar uma siesta, para descansar um pouco a carcaça após nossa caminhada
matutina, ao acordar, vim escrever o post, sentado à beira-mar e vendo o tempo
fechar cada vez mais, motivo este pelo qual irei interromper agora o relato e
levar o precioso laptop da minha mãe para o quarto. Um detalhe interessante:
pensei ter escutado pessoas falando em português no quarto ao lado do meu e
confirmei tais suspeitos enquanto escrevia o post – na mesa à minha direita,
estão três portugueses, aumentando o número das mais variadas nacionalidades
que estou presenciando visitar o Camboja.
Uma última coisa que resolvi
comentar antes de encerrar temporariamente o atual texto é o grande número de animais domésticos vistos
por aqui: fiz vídeos e fotos dos cachorros vistos por aqui (que ficam com cara
de piduncho ao lado da mesa quando estamos degustando nossos frutos do mar),
galinhas e galos com seus respectivos pintinhos, patos e até mesmo um gato, que
hoje veio ronronar e se enroscar nas minhas pernas. E, é claro, os indesejáveis
mosquitos, me atacaram ontem à noite por eu não ter tido a inteligência
suficiente de ter trazido o repelente (e o protetor solar também!) que eu
trouxe comigo para o Camboja e acabei esquecendo no hotel em Phnom Penh.
Continuando agora o post, já
nesta 3ª feira, em Phnom Penh, posso dizer que foi uma decisão acertadíssima
ter interrompido o relato, pois poucos minutos depois começou a chover
canivetes. Neste interim, no entanto, deu tempo de ir até o bangalô de Colin,
na varanda do qual ficamos conversando por mais de uma hora até a chuva passar,
tempo este no qual foi ligado o gerador da ilha.
Quando a chuva parou, fomos pedir
o jantar. Comi peixe mais uma vez e Colin foi de batatas fritas. Após o jantar,
Colin ficou conversando com um casal (um canadense e uma australiana) e eu fui
dar uma pré-ajeitada nas minhas coisas para viajar no outro dia, e também
dormir, pois estava cansado da caminhada feita pela manhã e também por ter
nadado durante a tarde.
À meia-noite, acordei com novas
rodadas de chuva e uma pequena goteira começou a me atingir no braço. No
entanto, este foi o único problema da noite, pois estava desta vez protegido
contra mosquitos (comprei um tubinho de repelente por US$ 3) e também havia
baixado a rede de proteção contra mosquitos que após 24 horas descobri como
funcionava... hehehe
Espero que gostem das fotos que
fiz também pensando nos leitores do blog e dos vídeos que já estão presentes no
meu canal do YouTube em
Abraço a todos e até o próximo
post, que falará sobre minha visita à bela cidade de Kampot.
Até lá!

















































































































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