terça-feira, 14 de abril de 2015

MEU QUINTO FIM DE SEMANA NO CAMBOJA

 Comecei minha quinta sexta-feira no Camboja com uma notícia bem desanimadora, ao chegar no restaurante do hotel para tomar meu café da manhã. Ao checar meus emails no celular, vi que havia recebido uma mensagem de Garry Chiam, vice-presidente da Learning International School, que havia me oferecido uma vaga de professor dois dias atrás. O email dizia que o professor deles que havia pedido demissão para voltar para a Austrália rescindiu a demissão dele e que, portanto, a vaga que havia aberto para mim não estaria mais disponível, mas que me contactaria no futuro caso outras abrissem.
Enfim, após esse baita balde de água fria, tomei meu café e voltei para meu novo apartamento no sétimo andar para tomar banho e me preparar para meu último dia de curso (prova de Khmer e estágio). Como a prova era com consulta, não estudei nada no dia anterior. O resultado refletiu na minha nota. A prova valia 90 pontos. A lição de casa que fizemos valia mais 10. Acabei com um total de 68 pontos, o suficiente para passar, mas bem abaixo de minhas expectativas.
Terminada a prova, tivemos que reunir toda a papeladas das duas semanas práticas de curso e entregar aos professores, que iriam conferi-la e corrigi-la e, caso tudo estivesse dentro dos conformes, nos entregariam o certificado ainda no mesmo dia. Por volta de 14h, o professor Billy telefonou no meu quarto, onde eu estava tentando tirar uma soneca (sem êxito), para me avisar que meu certificado estava pronto. Acabei não descendo e peguei-o apenas por 21h e pouco, quando voltamos do nosso jantar de despedida.
Neste dia, não almocei fora. O amigo Colin me convidou para comer um sanduíche de frango assado no quarto dele. Ao terminar, fui ao meu quarto buscar algumas bananas que eu havia comprado no domingo anterior (ainda verdes, e agora já estavam quase no limite) para tomarmos junto com o sorvete de chocolate chip que ele sempre mantém em seu freezer. Após a refeição, fui então ao meu quarto tentar tirar a soneca supracitada.
Às 14h45 desci para a nossa sala de aula para baixar um vídeo musical para levar em meu último estágio, mesmo apesar de ser Fun Day na escola True Visions. Neste dia, não havia a necessidade específica de preparamos um plano de aula, poderíamos apenas fazer jogos com a criançada. Optei por levar uma música para eles assistirem, cantarem e dançarem, bem como alguns jogos de caça-palavras e scrambled words, que eles adoraram. Uma de minhas alunas preferidas, Mutita, terminou a primeira atividade em cerca de 5 minutos (eram 14 partes do corpo com as letras embaralhadas), enquanto alguns nem ao menos haviam entendido o que deveriam fazer. Os que iam terminando recebiam um Halls de cereja como prêmio. Nos outros dias levei Halls de hortelã e menta, que eles acharam super forte e ficavam dizendo: - Spicy, spicy! (apimentado, ou neste caso, ardido) além de ficarem se abanando, o que foi muito engraçado.
Às 17h, chegamos de volta ao hotel. Após deixar minhas coisas no quarto, já fui direto para a piscina nadar um pouco, mas o colega Colin chegou um pouco depois, então não pude nadar muito. Por outro lado, ele me contou várias estórias dos 60 países por onde ele passou em seus 60 anos de idade (estou apenas em 11, mas espero chegar lá). Duas delas foram tão interessantes que valem a pena mencionar: Colin trabalhou como um tipo de gerente em um restaurante na África do Sul, e um dia uma de suas funcionárias lhe presenteou uma galinha vermelha. Colin achou o presente bem inusitado, mas aceitou, pois achou rude não fazê-lo. Acabou sabendo, por intermédio de seu chefe, que é esse o costume zulu de iniciar o processo de paquera por lá. Eventualmente ele acabou se “livrando” do compromisso, mas se encontrou em uma saia justa por alguns instantes. A outra delas aconteceu no Zimbábue, onde ele foi dar um passeio de bote inflável no rio e reparou que o que aparentava ser um tronco começou a ser mexer e se aproximar cada vez mais rápido de onde ele estava. Neste momento, a distância era de cerca de 30 metros. De repente, Colin reparou que o suposto tronco tinha olhos e começou a olhar na direção dele. Na altura em que percebeu que havia um crocodilo a cerca de 10 metros dele, tentou controlar o pânico da melhor forma possível e começou a remar como louco (ainda em cima do bote, pois, caso contrário, conta ele, se tivesse entrado na água para nadar teria ido para o espaço) e conseguiu fugir do temível predador, passando por um túnel que supostamente também é usado por crocodilos. Eventualmente, conseguiu subir em uma árvore e aguardar até que o crocodilo cansou  e foi procurar alimento alhures.
Pouco depois desta última estória ser contada, nossa colega cambojana Sophavvy chegou na piscina, toda arrumada para o jantar. Colin acabou pagando uma cerveja para ela e para mim e pegou uma coca para ele. Conversamos um pouco e subi correndo para o quarto, pois já eram 18h40 e nosso jantar estava marcado para as 19h. Consegui tomar banho e me arrumar a tempo de chegar 19h02 no lobby do hotel, no bico do corvo. Um pouco antes havia recebido uma ligação no quarto do hotel para confirmar se eu iria ou não para o jantar.
Fomos ao restaurante Tom Yul Kung, de culinária Khmer. No tuk-tuk, fomos eu, Colin, Mary e Isabel. Ao chegar lá, começou a balbúrdia, pois sabíamos que poderíamos pedir tudo que quiséssemos e seria pago pelo pessoal do programa, com exceção de bebidas alcoólicas, obviamente. Sentei próximo aos colegas canadenses Ron e o nigeriano Jerry, além da alemã Isabel à minha direita. Aproveitando a barbada (a exemplo da lendária noite do lançamento do meu livro Brasil 180º - Uma Mudança de Rumo, há mais ou menos dez anos atrás, quando meu então chefe deixou que os convidados pedissem o que quisessem e eu e meu saudoso amigo Luiz Fernando Cavalheiro pedimos as batatas suíças mais elaboradas do cardápio – salmão e bacalhau, se não me engano), pedimos inicialmente, como aperitivo, uma porção de tempura de camarão (Ron), bolinhos de peixe (Jerry) e bolinhos de camarão gigante (prawns), escolhidos por mim. Para o prato principal, pedi um serpent-head fish para mim (não sei como se diz em português, me ajudem), Ron pediu um peixe ao molho agridoce, bem parecido com o porco com o mesmo molho que se encontra facilmente no Brasil, de molho vermelho com pedaços de abacaxi e Jerry pediu sopa, não barbarizando como eu e Ron, que, somente em comida, consumimos US$ 12 (12 vezes mais do que gasto em meu almoço diário próximo ao hotel). Além disso, pedi também um refrigerante de morango e uma cerveja, esta última sim, a única coisa que tive que pagar na noite. Ou seja, uma refeição de condenado ao corredor da morte por apenas US$ 2,25. Nada mal para uma despedida de curso. Fora a comida, é claro, dei muitas risadas com Ron, foi bem divertido.
Na volta para o hotel, fiquei um pouco na frente deste me despedindo das colegas Ashley e Lenora e do colega Martin, que na madrugada seguinte partiriam para a Tailândia, onde ficarão por no mínimo duas semanas e depois só Deus sabe.  Subi então para meu quarto para arrumar minhas malas e me preparar para acordar às 5h30 na manhã seguinte, pois às 7h partiria o ônibus que eu e Colin pegaríamos para Kampot, rumo à Rabbit Island, onde estou escrevendo este post.
Após um pequeno atraso meu de cinco minutos, saímos do hotel por volta de 6h35, quando um motorista salafrário de tuk-tuk nos cobrou US$ 5 por uma corrida até o “terminal rodoviário” de Phnom Penh. Quinze minutos depois, chegamos ao caótico local, que parecia tudo, menos uma rodoviária. O lugar é uma quadra normal (para os padrões cambojanos), caótica ao extremo, com alguns ônibus estacionados em fila e uns dois balcões onde passagens podem ser  compradas. Chegamos uns dez minutos antes da previsão de partida do nosso ônibus e levamos mais um tanto para descobrir qual era o nosso. No final das contas, me perguntei por que nos apressamos tanto, pois nosso ônibus acabou saindo com meia hora de atraso. Some-se a isso mais de meia hora para sair de Phnom Penh, já era passado das 8h quando realmente saímos da cidade. No caminho, passamos por várias cidadezinhas e, cerca de 2h30 após começar o trajeto, o motorista parou na beira da estrada para o pessoal comprar algo para comer e tirar água do joelho. Colin ficou conversando com uma inglesa cujo inglês parecia escocês e eu acabei puxando papo com alguém que minha mãe ficara muito feliz em saber: um ex-militar dinamarquês, da terra do meu querido avô Egon, que descanse em paz. Ele me contou que saiu do país para viver na Ásia e atualmente no Camboja por que não gosta da atual política da Dinamarca, que está unida aos Estados Unidos como carne e unha, e, sempre que estes últimos vão à guerra, levam os dinamarqueses, ingleses e australianos juntos, entre outros. Enfim, o dinamarquês Carsten acabou me contanto que passou dois anos no Iraque e dois anos no Afeganistão. ps – Em uma das fotos aparece o “banheiro” onde fui, um descampado cheio de árvores.
Mais ou menos após quatro horas de viagem, chegamos ao destino desejado, a cidade de Kampot. Mesmo antes de descer do ônibus, já havia um enxame de motoristas de tuk-tuk à porta deste, nos oferecendo corridas para Kep, nosso próximo destino. Encontramos rondando ali por perto Luke, um suíço que mora entre Berna e Lausanne que também estava indo para lá, e acabamos rachando a corrida de 25km com ele. Luke nos contou que havia sido assaltado alguns dias atrás em Siem Reap, onde estava andando de bicicleta e alguns meliantes passaram de moto e arrancaram de dentro da cestinha sua bolsa, na qual estava passaporte e dinheiro. Que me sirva de lição.
Enfim, após muitos trancos e barrancos no tuk-tuk (o motor engasgou uma meia dúzia de vezes; em uma destas, tivemos que parar, aterrorizados com a perspectiva de ficarmos parados por várias horas no meio do nada – felizmente o motorista teve um momento McGyver e encontrou uma bituca de cigarro na beira da estrada e encostou ela em algum lugar do motor e ele voltou a funcionar), chegamos a Kep. Estávamos passando do lugar correto e Colin pediu ao motorista que nos levasse ao Crab Market, uma das atrações da diminuta cidade. No pequeníssimo lugar, compramos alguns suprimentos (água, cerveja e refrigerante) e Colin pediu o almoço para nós. Infelizmente, não deu tempo de comer, pois o barco no qual viemos para a Rabbit Island havia chegado e teríamos que partir dali a poucos minutos.
O percurso de barco foi bem tranquilo. Bem ensolarado e com uma ótima paisagens das ilhas próximas daqui, sendo que uma delas foi usurpada do Camboja pelo Vietnam, e só se pode ir para lá se tiver o visto vietnamita. Meia hora depois chegamos aqui na Rabbit Island, e, seguindo a dica de Colin, que havia estado aqui outrora, saímos correndo do barco e fomos procurar um bangalô para ficarmos. Inicialmente iríamos dividir o quarto de US$ 8, mas optei por não dormir em uma cama de casal com outro homem.... hehehe... e investi mais US$ 4 no meu bem-estar. O “quarto” é composto de uma varanda com rede, uma cama de casal com rede para insetos acima e um pequeno banheiro sem água encanada, mas no estilo ocidental (vaso sanitário) e um chuveirinho para tomar banho. Bem rústico, mas suficiente para o dia e meio que passamos aqui.
Chegamos aqui bem depois da minha hora tradicional de almoço e, após deixarmos as coisas no quarto, pagarmos por ele e etc., acabamos almoçando por volta de 14h30 da tarde. Acabei sendo conservador e pedi um prato grande de frutos do mar ao molho de leite de coco – delicioso e “apenas” US$ 5. Colin pediu seus tradicionais noodles e sopa.
Terminada a refeição, cada um foi para seu quarto tirar uma soneca. Coloquei meu despertador para às 17h, que foi exatamente quando acordei. Vi que Colin não estava por perto e entrei um pouco no mar, para me refrescar e nadar um pouco.
Mais tarde Colin apareceu e saímos para jantar com quatro amigas alemãs que conhecemos no ônibus e que estão trabalhando aqui no Camboja. Já havíamos conversado com elas no ônibus durante a tarde e retomamos durante à noite, junto com algumas cervejas e o delicioso e barato (US$ 0,75) suco de lichia que tem aqui na ilha. As simpáticas alemãs partiram agora pouco, meia hora atrás, rumo a Kompot e vieram aqui na mesa onde estou digitando o post, para se despedir.
Enfim, entre conversa e comida (que demora mais ou menos uma hora para ficar pronta), acabamos saindo do restaurante por volta de 21h da noite, pois a eletricidade da ilha é obtida a partir de gerador, o qual é desligado entre 22h e 22h30. Pouco antes de irmos para nossos respectivos quartos, Colin e eu demos uma passada no pequeno cais, quando começou a trovejar e relampejar. Demos ainda um passeio iluminado por lanterna, pois Colin disse que, dois meses atrás, quando esteve aqui pela primeira vez, visualizou um fenômeno único da natureza: ao mexer na água do mar com o gerador já desligado, algumas algas presentes no mar, ao serem agitadas, produziam uma luz de cor neon azulado ou arroxeado. Infelizmente, ontem o fenômeno não aconteceu (deve ser sazonal) e fomos dormir então.
Havíamos combinado de acordar às 8h para dar uma caminhada ao redor da pequena ilha, mas por volta de 7h30 Colin já estava batendo no meu quarto. Fomos então dar um mergulho no mar para acordar melhor e viemos tomar o café da manhã, que novamente demorou uma eternidade para ficar pronto. Pedi uma deliciosa e volumosa panqueca de bananas, que veio acompanhada de mel. Pedi um coffee with sweet milk, achando que seria café com leite, mas na verdade era café com uma espécie de leite condensado no fundo, o que um australiano, Darren, que estava conversando com Colin quando cheguei, disse que era feito à base de coco.
Ao terminar o café, saímos, mais de uma hora após do planejado, para dar a volta ao redor da ilha, passeio este durante o qual tirei inúmeras fotos que poderão ver no final do post. no trajeto, pudemos ver alguns animais silvestres (como lagartos (geckos) coloridos e muita vegetação, algumas que podem ser vistas com facilidade no Brasil. Tirei também fotos de algumas cabanas rústicas que encontramos ao longo da trilha, além de paisagens da orla, umas casas onde os nativos habitam e também vendem produtos para sobreviver, enfim, do peculiar ambiente encontrado por aqui.
Após a caminhada, que durou pouco mais de 2 horas, retornamos à area povoada da ilha e pedimos nosso almoço: eu pedi um peixe grelhado (não sei qual é, mas era bem saboroso, temperado com capim limão) e Colin nem preciso dizer o que comeu. Durante a espera, entrei mais um pouco no mar para me refrescar e nadar um pouco e ao chegar Colin disse que, por incrível que pareça, logo após eu entrar no mar minha comida havia chegado – a famosa Lei de Murphy.
Durante a tarde, mais uma vez fomos tirar uma siesta, para descansar um pouco a carcaça após nossa caminhada matutina, ao acordar, vim escrever o post, sentado à beira-mar e vendo o tempo fechar cada vez mais, motivo este pelo qual irei interromper agora o relato e levar o precioso laptop da minha mãe para o quarto. Um detalhe interessante: pensei ter escutado pessoas falando em português no quarto ao lado do meu e confirmei tais suspeitos enquanto escrevia o post – na mesa à minha direita, estão três portugueses, aumentando o número das mais variadas nacionalidades que estou presenciando visitar o Camboja.
Uma última coisa que resolvi comentar antes de encerrar temporariamente o atual texto é o  grande número de animais domésticos vistos por aqui: fiz vídeos e fotos dos cachorros vistos por aqui (que ficam com cara de piduncho ao lado da mesa quando estamos degustando nossos frutos do mar), galinhas e galos com seus respectivos pintinhos, patos e até mesmo um gato, que hoje veio ronronar e se enroscar nas minhas pernas. E, é claro, os indesejáveis mosquitos, me atacaram ontem à noite por eu não ter tido a inteligência suficiente de ter trazido o repelente (e o protetor solar também!) que eu trouxe comigo para o Camboja e acabei esquecendo no hotel em Phnom Penh.
Continuando agora o post, já nesta 3ª feira, em Phnom Penh, posso dizer que foi uma decisão acertadíssima ter interrompido o relato, pois poucos minutos depois começou a chover canivetes. Neste interim, no entanto, deu tempo de ir até o bangalô de Colin, na varanda do qual ficamos conversando por mais de uma hora até a chuva passar, tempo este no qual foi ligado o gerador da ilha.
Quando a chuva parou, fomos pedir o jantar. Comi peixe mais uma vez e Colin foi de batatas fritas. Após o jantar, Colin ficou conversando com um casal (um canadense e uma australiana) e eu fui dar uma pré-ajeitada nas minhas coisas para viajar no outro dia, e também dormir, pois estava cansado da caminhada feita pela manhã e também por ter nadado durante a tarde.
À meia-noite, acordei com novas rodadas de chuva e uma pequena goteira começou a me atingir no braço. No entanto, este foi o único problema da noite, pois estava desta vez protegido contra mosquitos (comprei um tubinho de repelente por US$ 3) e também havia baixado a rede de proteção contra mosquitos que após 24 horas descobri como funcionava... hehehe
Espero que gostem das fotos que fiz também pensando nos leitores do blog e dos vídeos que já estão presentes no meu canal do YouTube em
Abraço a todos e até o próximo post, que falará sobre minha visita à bela cidade de Kampot.

Até lá!


















































































































































































































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