quinta-feira, 9 de abril de 2015

MINHA ÚLTIMA SEMANA DE CURSO

 Minha quarta e última semana de curso em Phnom Penh começou a exemplo da anterior, com um café da manhã reforçado (e já bem enjoativo) seguido da já conhecida aula de Khmer.
Nesta semana aprendemos no curso as matérias tradicionais presentes em cursos de inglês: present continuous, simple past e simple future. Aprendemos também algum vocabulário: agora teoricamente já sabemos pedir comida em restaurantes e comprar roupas e apetrechos em lojas locais. O máximo que consegui até agora foi falar os números e pedir gelo, copo e faca em restaurantes.
Enfim, amanhã teremos uma prova para testar o conhecimento adquirido nestes nove dias de aulas, que foram bem menos do que o mínimo suficiente para se virar com a língua local.
Na segunda-feira, tivemos uma notícia boa e ruim ao mesmo tempo: devido ao feriado vindouro (na semana que vem é o Ano Novo Khmer – ou cambojano), os alunos do Orfanato Coreano todos viajaram para suas cidades natais e as aulas foram canceladas. Foi bom para termos mais tempo de terminarmos a tonelada de paperwork que temos que preencher: dez planos de aula com auto-avaliações, uma lista de chamada com objetivos comportamentais, um diário do nosso aprendizado do idioma local (contando sobre nossa experiência de aprendizagem, quão difícil está sendo e como poderemos usar este aprendizado em nossas próprias aulas). O lado negativo é que os alunos do orfanato, até por serem mais velhos, permitiam conduzir aulas mais complexas e eram mais interessados em aprender.
Com o cancelamento, tivemos apenas que lecionar uma aula diária na escola particular True Visions, na qual lecionei durante estas duas semanas para uma turma de jardim de infância. Nas fotos, poderão ver minhas duas aluninhas preferidas: Solyka e Mutita, as duas mais inteligentes e interessadas da sala. Há ainda mais uma aluninha, Lyni, mas esta é mais espoleta, apesar de bem inteligente. Ela faz muita bagunça, assim como os garotos: Somunthy (bem inteligente, mas vive indo debaixo da mesa, incomodando os outros e fazendo o maior furdunço na sala), Kim Sang (também bem inteligente e bagunceiro, mas menos que o primeiro), Menghong (bem querido, mas o de menor conhecimento; sempre traz o que ele consegue fazer pra eu olhar), Reach (um meio termo, tanto em bagunça quanto em conhecimento) e David (o rebelde da sala, nunca faz nada e fica brincando com coisas que ele traz para a sala, que eu sempre tenho que confiscar). Foi o maior desafio ensinar esta turminha, sempre procurando trazer músicas e jogos para reter o interesse deles, que se perde em pouquíssimo tempo. Hoje tive meu teste de fogo com eles: o professor mais qualificado do curso, Mike Fitzgerald, foi me observar e avaliar na sala. Os alunos, como sempre, tocaram o terror na sala. Utilizei algumas estratégias que aprendi durante a semana com o instrutor Ox, que me disse para mudar os bagunceiros de lugar e alternar atividades calmas e agitadas (começando a aula com este último tipo para eles gastarem os megawatts extras de energia que eles tem). No final da aula, achei que havia sido um desastre a aula, mas recebi um feedback surpreendente: Mike disse que fui um dos melhores alunos do programa que ele viu ensino as turminhas de Kindergarten, e que gostou muito do meu classroom management. Gostou também do meu ensino de vocabulário e como estimulei os alunos a pensarem no que haviam aprendido anteriormente na aula para responderem os exercícios seguintes. No final do feedback, disse que, apesar de saber que eu não tenho intenção de ensinar esta faixa etária, me recomendaria para qualquer escola que lhe requisitasse professores para este tipo de classe. Desnecessário dizer, fiquei felicíssimo com o retorno.
O destaque principal da semana, no entanto, ainda está por vir. Na 3ª feira pela manhã, no início da aula de Khmer, recebi minha primeira ligação no exterior, no celular Nokia pré-histórico que nos foi emprestado durante a duração do curso pela LanguageCorps. A ligação partiu de um cingapurense que conheci em uma das festas de karaokê que acontecem semanalmente aqui no hotel. Na ocasião, meu amigo Colin me “forçou” a ir me apresentar em conversar um pouco com ele, quando recebi um cartão que acabei não utilizando. No entanto, semana passada Mike me pediu para lhe encaminhar um currículo, que ele então enviaria para seus inúmeros contatos aqui no Camboja. Juntamente com boas recomendações, foi o suficiente para convencer Garry (o cingapurense) a me fazer uma ligação e marcar uma entrevista. Durante a conversa, da qual não entendi tudo que ele disse, marcamos uma entrevista para quarta à tarde, às 13h45. Fui almoçar cedo e saí daqui do hotel às 12h45, após combinar o preço de US$ 6 com o motorista de tuk-tuk daqui do hotel para me levar e buscar. Durante o trajeto, tirei muitas fotos da precária infra-estrutura daqui da cidade, que ficou alagadíssima e ainda mais fedorenta após o temporal que havia acontecido na noite anterior (a primeira chuva em quase um mês) e também de algumas obras que estão acontecendo para tentar melhorar um pouco a situação.
Enfim, apesar do intenso congestionamento, acabei chegando nas suntuosas instalações da Learning International School (podem ver na foto) com mais de meia hora de antecedência. Logo na entrada, vi a seriedade do lugar, quando me entregaram um crachá de identificação para visitantes e me encaminharam para uma sala com ar-condicionado para que eu pudesse esperar por Garry. Achei que teria que esperar até 13h45, mas consegui iniciar a entrevista uns dez minutos antes do esperado.
Esta entrevista, que foi minha segunda ou terceira na vida, acabou se provando menos ardilosa do que eu vinha temendo. Me foram perguntadas coisas como onde me vejo daqui cinco anos, por que vim para o Camboja e o porquê de eu ser professor de inglês. Além disso, Garry me contou que a Learning é uma escola nova, com apenas um ano e meio de idade. Me disse também que o objetivo principal dele é ajudar a reformar o sistema de ensino cambojano, que, a exemplo do brasileiro, contém muitas falhas. No restante da entrevista, fiz perguntas em relação ao número de alunos por turma (no máximo 25), que faixa etária e nível eu ensinaria (até agora só fiquei sabendo do período matutino, no qual ensinarei conversação para jardim de infância – um baita desafio, pois nunca fiz isso antes!) e cifras (consegui o valor padrão para professores de inglês). Enfim, sem muito esforço (talvez tenha sido a camisa de seda, a gravata de seda e meu relógio novo), acabei conseguindo o emprego, o qual devo aceitar até este fim de semana. Caso aceite, o que é praticamente certeza, iniciarei os trabalhos em 20 de abril, após a semana de feriados de comemoração do ano novo local. Uma coisa legal foi a recepção de muitos colegas e professores, que vieram me parabenizar por ser o  primeiro aqui do curso a ser oferecido um emprego no Camboja, até mesmo antes da experiente amiga e colega Mary, que tem 46 anos e ensina há pelo menos 8 anos aqui na Ásia. Somente esta notícia já me fez ganhar a semana, pois já estava mais do que na hora de parar de só gastar dinheiro e começar a ganhar um pouco, que era um dos meus principais objetivos, senão o principal, ao resolver vir para cá.
Completa a lista de fotos um retrato que fiz dos jornais cambojanos á venda no Lucky Supermercados, onde fui essa semana comprar o já tradicional pão branco fatiado e uma bologna condimentada para acompanhar, além de uns pacotes de suco em pó (o único sabor que eles tem aqui é laranja, mas bem mais em conta que as caixas de suco de US$ 2).
No front alimentar, a única novidade destes últimos quatro dias foi um novo restaurante que fui ontem à noite com o amigo Colin, que fica a uma quadra do shopping e basicamente vende a culinária local, com uma ou outra opção vietnamita. Por estar com o orçamento meio estourado e também por estar planejando mais uma pequena viagem esse fim de semana (minha quarta cidade aqui no Camboja, a praia de Kep), acabei optando por uma opção mais economica, arroz com carne de porco, por somente US$ 1,75. Esta era bem saborosa, e vinha com um molho composto de shoyu e pimenta chilli. O esperto aqui acabou pedindo uma porção extra de molho e ficou meia hora com a boca pegando fogo. Ainda bem que o restaurante oferecia a já tradicional chaleira free, que era recarregada na medida da necessidade. Nos outros dias, almocei no restaurante de US$ 1 próximo daqui. Ah sim, já ia esquecendo. Após aprovarmos o novo restaurante, Colin e eu fomos dar uma caminhada na avenida que leva ao shopping e fomos novamente na barraquinha de sobremesas por US$ 0,50. Como sempre, refrescante e delicioso. Colin acabou comprando mais um frango assado e uma porção de noodles para se garantir para os próximos dias.
No front profissional, hoje, antes de ir almoçar, levei meu currículo a uma escola “internacional” que fica em frente ao meu restaurante diário. Conversamos somente com o pessoal da recepção, mas deixamos os currículos lá (eu e Mary) e, caso me respondam até amanhã, terei mais uma opção de emprego. Mas, como tenho que responder Garry até o fim de semana, é praticamente certeza que iniciarei minha carreira overseas na Learning International School mesmo. Afinal, como diz o sábio ditado, é melhor um na mão que dois voando.
Essa semana consegui vir todos os dias nadar na piscina (na frente da qual estou escrevendo este post). Inclusive um dia eu e Colin tivemos companhia: uma garota do curso, a cambojana Sophavvy, trouxe a irmã delas e mais umas coleguinhas para nadar, acompanhada de Nai, uma das garotas que trabalham aqui no hotel e foi observar minhas aulas duas vezes. As garotinhas eram bem simpáticas e uma delas me pediu para ensiná-la a nadar. Como não tenho muita experiência nesse quesito (o melhor seria se minhas irmãs Vivian e Camila estivessem aqui), acabou não dando muito certo. Acabei escutando um I like you de uma delas, que tinham um ingles ainda bem precário.
Chego na reta final do post com o que espero a seguir. Amanhã à noite teremos o jantar de encerramento do curso, em um restaurante ainda a definir (disseram que irão pagar, mas acho que é história da carochinha). Os que consigam entregar a papelada até amanhã, às 10h da manhã, durante a prova de Khmer, receberão o certificado durante o jantar. Os que me conhecem saberão responder se receberei o certificado amanhã à noite ou somente na semana que vem... hehehe Os que não conhecem terão que ler o próximo post para saber. Os outros planos, também a serem relatados no próximo post, dizem respeito à viagem que farei para Kep com o amigo Colin. Espero fazer muitas fotos para ilustrar o próximo post.
Falando nele, até lá!
Espero que tenham gostado do post de hoje e das fotos.

Caso queiram assistir vídeos da viagem, acessem meu canal do YouTube em https://www.youtube.com/channel/UCSnlDgGBkeCnhbDbLLkCjew
ps - olhando as fotos, vi que esqueci de comentar uma em que aparece um pato, vendido próximo ao local onde Colin comprou o frango assado. Há também uma tabela para saber se você está desidratado, cujas instruções deixarei que os interessados decodifiquem. E, por fim, há uma foto da maravilhosa nota de 20 dólares canadenses que o amigo Colin me mostrou durante o jantar, a qual pode ser amassada e volta ao normal após alguns segundos, além do que não pode ser rasgada.
Terminada estas curiosidades, agora sim, adeus a todos e até a próxima!

































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