Minha quarta e última semana de curso em Phnom Penh começou
a exemplo da anterior, com um café da manhã reforçado (e já bem enjoativo)
seguido da já conhecida aula de Khmer.
Nesta semana aprendemos no curso as matérias tradicionais
presentes em cursos de inglês: present continuous, simple past e simple future.
Aprendemos também algum vocabulário: agora teoricamente já sabemos pedir comida
em restaurantes e comprar roupas e apetrechos em lojas locais. O máximo que
consegui até agora foi falar os números e pedir gelo, copo e faca em
restaurantes.
Enfim, amanhã teremos uma prova para testar o conhecimento
adquirido nestes nove dias de aulas, que foram bem menos do que o mínimo
suficiente para se virar com a língua local.
Na segunda-feira, tivemos uma notícia boa e ruim ao mesmo
tempo: devido ao feriado vindouro (na semana que vem é o Ano Novo Khmer – ou cambojano),
os alunos do Orfanato Coreano todos viajaram para suas cidades natais e as
aulas foram canceladas. Foi bom para termos mais tempo de terminarmos a
tonelada de paperwork que temos que preencher: dez planos de aula com
auto-avaliações, uma lista de chamada com objetivos comportamentais, um diário
do nosso aprendizado do idioma local (contando sobre nossa experiência de
aprendizagem, quão difícil está sendo e como poderemos usar este aprendizado em
nossas próprias aulas). O lado negativo é que os alunos do orfanato, até por
serem mais velhos, permitiam conduzir aulas mais complexas e eram mais
interessados em aprender.
Com o cancelamento, tivemos apenas que lecionar uma aula
diária na escola particular True Visions, na qual lecionei durante estas duas
semanas para uma turma de jardim de infância. Nas fotos, poderão ver minhas
duas aluninhas preferidas: Solyka e Mutita, as duas mais inteligentes e
interessadas da sala. Há ainda mais uma aluninha, Lyni, mas esta é mais
espoleta, apesar de bem inteligente. Ela faz muita bagunça, assim como os
garotos: Somunthy (bem inteligente, mas vive indo debaixo da mesa, incomodando
os outros e fazendo o maior furdunço na sala), Kim Sang (também bem inteligente
e bagunceiro, mas menos que o primeiro), Menghong (bem querido, mas o de menor
conhecimento; sempre traz o que ele consegue fazer pra eu olhar), Reach (um
meio termo, tanto em bagunça quanto em conhecimento) e David (o rebelde da
sala, nunca faz nada e fica brincando com coisas que ele traz para a sala, que
eu sempre tenho que confiscar). Foi o maior desafio ensinar esta turminha,
sempre procurando trazer músicas e jogos para reter o interesse deles, que se
perde em pouquíssimo tempo. Hoje tive meu teste de fogo com eles: o professor
mais qualificado do curso, Mike Fitzgerald, foi me observar e avaliar na sala.
Os alunos, como sempre, tocaram o terror na sala. Utilizei algumas estratégias
que aprendi durante a semana com o instrutor Ox, que me disse para mudar os
bagunceiros de lugar e alternar atividades calmas e agitadas (começando a aula
com este último tipo para eles gastarem os megawatts extras de energia que eles
tem). No final da aula, achei que havia sido um desastre a aula, mas recebi um
feedback surpreendente: Mike disse que fui um dos melhores alunos do programa
que ele viu ensino as turminhas de Kindergarten, e que gostou muito do meu
classroom management. Gostou também do meu ensino de vocabulário e como
estimulei os alunos a pensarem no que haviam aprendido anteriormente na aula
para responderem os exercícios seguintes. No final do feedback, disse que,
apesar de saber que eu não tenho intenção de ensinar esta faixa etária, me
recomendaria para qualquer escola que lhe requisitasse professores para este
tipo de classe. Desnecessário dizer, fiquei felicíssimo com o retorno.
O destaque principal da semana, no entanto, ainda está por
vir. Na 3ª feira pela manhã, no início da aula de Khmer, recebi minha primeira
ligação no exterior, no celular Nokia pré-histórico que nos foi emprestado
durante a duração do curso pela LanguageCorps. A ligação partiu de um
cingapurense que conheci em uma das festas de karaokê que acontecem
semanalmente aqui no hotel. Na ocasião, meu amigo Colin me “forçou” a ir me
apresentar em conversar um pouco com ele, quando recebi um cartão que acabei
não utilizando. No entanto, semana passada Mike me pediu para lhe encaminhar um
currículo, que ele então enviaria para seus inúmeros contatos aqui no Camboja. Juntamente
com boas recomendações, foi o suficiente para convencer Garry (o cingapurense)
a me fazer uma ligação e marcar uma entrevista. Durante a conversa, da qual não
entendi tudo que ele disse, marcamos uma entrevista para quarta à tarde, às
13h45. Fui almoçar cedo e saí daqui do hotel às 12h45, após combinar o preço de
US$ 6 com o motorista de tuk-tuk daqui do hotel para me levar e buscar. Durante
o trajeto, tirei muitas fotos da precária infra-estrutura daqui da cidade, que
ficou alagadíssima e ainda mais fedorenta após o temporal que havia acontecido
na noite anterior (a primeira chuva em quase um mês) e também de algumas obras
que estão acontecendo para tentar melhorar um pouco a situação.
Enfim, apesar do intenso congestionamento, acabei chegando nas
suntuosas instalações da Learning International School (podem ver na foto) com
mais de meia hora de antecedência. Logo na entrada, vi a seriedade do lugar,
quando me entregaram um crachá de identificação para visitantes e me
encaminharam para uma sala com ar-condicionado para que eu pudesse esperar por
Garry. Achei que teria que esperar até 13h45, mas consegui iniciar a entrevista
uns dez minutos antes do esperado.
Esta entrevista, que foi minha segunda ou terceira na vida,
acabou se provando menos ardilosa do que eu vinha temendo. Me foram perguntadas
coisas como onde me vejo daqui cinco anos, por que vim para o Camboja e o
porquê de eu ser professor de inglês. Além disso, Garry me contou que a
Learning é uma escola nova, com apenas um ano e meio de idade. Me disse também
que o objetivo principal dele é ajudar a reformar o sistema de ensino
cambojano, que, a exemplo do brasileiro, contém muitas falhas. No restante da
entrevista, fiz perguntas em relação ao número de alunos por turma (no máximo
25), que faixa etária e nível eu ensinaria (até agora só fiquei sabendo do
período matutino, no qual ensinarei conversação para jardim de infância – um baita
desafio, pois nunca fiz isso antes!) e cifras (consegui o valor padrão para
professores de inglês). Enfim, sem muito esforço (talvez tenha sido a camisa de
seda, a gravata de seda e meu relógio novo), acabei conseguindo o emprego, o
qual devo aceitar até este fim de semana. Caso aceite, o que é praticamente
certeza, iniciarei os trabalhos em 20 de abril, após a semana de feriados de
comemoração do ano novo local. Uma coisa legal foi a recepção de muitos colegas
e professores, que vieram me parabenizar por ser o primeiro aqui do curso a ser oferecido um
emprego no Camboja, até mesmo antes da experiente amiga e colega Mary, que tem
46 anos e ensina há pelo menos 8 anos aqui na Ásia. Somente esta notícia já me
fez ganhar a semana, pois já estava mais do que na hora de parar de só gastar
dinheiro e começar a ganhar um pouco, que era um dos meus principais objetivos,
senão o principal, ao resolver vir para cá.
Completa a lista de fotos um retrato que fiz dos jornais
cambojanos á venda no Lucky Supermercados, onde fui essa semana comprar o já
tradicional pão branco fatiado e uma bologna condimentada para acompanhar, além
de uns pacotes de suco em pó (o único sabor que eles tem aqui é laranja, mas
bem mais em conta que as caixas de suco de US$ 2).
No front alimentar, a única novidade destes últimos quatro
dias foi um novo restaurante que fui ontem à noite com o amigo Colin, que fica
a uma quadra do shopping e basicamente vende a culinária local, com uma ou
outra opção vietnamita. Por estar com o orçamento meio estourado e também por
estar planejando mais uma pequena viagem esse fim de semana (minha quarta
cidade aqui no Camboja, a praia de Kep), acabei optando por uma opção mais
economica, arroz com carne de porco, por somente US$ 1,75. Esta era bem
saborosa, e vinha com um molho composto de shoyu e pimenta chilli. O esperto
aqui acabou pedindo uma porção extra de molho e ficou meia hora com a boca
pegando fogo. Ainda bem que o restaurante oferecia a já tradicional chaleira
free, que era recarregada na medida da necessidade. Nos outros dias, almocei no
restaurante de US$ 1 próximo daqui. Ah sim, já ia esquecendo. Após aprovarmos o
novo restaurante, Colin e eu fomos dar uma caminhada na avenida que leva ao
shopping e fomos novamente na barraquinha de sobremesas por US$ 0,50. Como sempre,
refrescante e delicioso. Colin acabou comprando mais um frango assado e uma
porção de noodles para se garantir para os próximos dias.
No front profissional, hoje, antes de ir almoçar, levei meu
currículo a uma escola “internacional” que fica em frente ao meu restaurante
diário. Conversamos somente com o pessoal da recepção, mas deixamos os
currículos lá (eu e Mary) e, caso me respondam até amanhã, terei mais uma opção
de emprego. Mas, como tenho que responder Garry até o fim de semana, é
praticamente certeza que iniciarei minha carreira overseas na Learning
International School mesmo. Afinal, como diz o sábio ditado, é melhor um na mão
que dois voando.
Essa semana consegui vir todos os dias nadar na piscina (na
frente da qual estou escrevendo este post). Inclusive um dia eu e Colin tivemos
companhia: uma garota do curso, a cambojana Sophavvy, trouxe a irmã delas e
mais umas coleguinhas para nadar, acompanhada de Nai, uma das garotas que
trabalham aqui no hotel e foi observar minhas aulas duas vezes. As garotinhas
eram bem simpáticas e uma delas me pediu para ensiná-la a nadar. Como não tenho
muita experiência nesse quesito (o melhor seria se minhas irmãs Vivian e Camila
estivessem aqui), acabou não dando muito certo. Acabei escutando um I like you
de uma delas, que tinham um ingles ainda bem precário.
Chego na reta final do post com o que espero a seguir. Amanhã
à noite teremos o jantar de encerramento do curso, em um restaurante ainda a
definir (disseram que irão pagar, mas acho que é história da carochinha). Os que
consigam entregar a papelada até amanhã, às 10h da manhã, durante a prova de
Khmer, receberão o certificado durante o jantar. Os que me conhecem saberão
responder se receberei o certificado amanhã à noite ou somente na semana que
vem... hehehe Os que não conhecem terão que ler o próximo post para saber. Os
outros planos, também a serem relatados no próximo post, dizem respeito à
viagem que farei para Kep com o amigo Colin. Espero fazer muitas fotos para
ilustrar o próximo post.
Falando nele, até lá!
Espero que tenham gostado do post de hoje e das fotos.
Caso queiram assistir vídeos da viagem, acessem meu canal do
YouTube em https://www.youtube.com/channel/UCSnlDgGBkeCnhbDbLLkCjew
ps - olhando as fotos, vi que esqueci de comentar uma em que aparece um pato, vendido próximo ao local onde Colin comprou o frango assado. Há também uma tabela para saber se você está desidratado, cujas instruções deixarei que os interessados decodifiquem. E, por fim, há uma foto da maravilhosa nota de 20 dólares canadenses que o amigo Colin me mostrou durante o jantar, a qual pode ser amassada e volta ao normal após alguns segundos, além do que não pode ser rasgada.
Terminada estas curiosidades, agora sim, adeus a todos e até a próxima!
































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