sexta-feira, 24 de abril de 2015

MINHA SEXTA QUARTA-FEIRA NO CAMBOJA

Após madrugar no dia anterior, resolvi dormir um pouco mais, acordando perto das 9h. tomei café e desci para me refrescar um pouco na piscina e, por coincidência, Colin estava no elevador, descendo para fazer a mesma coisa.
Às 11h30, saímos para almoçar no restaurante “de sempre”, mesmo sendo o último almoço de Colin por aqui. Comi frango com capim-limão, bem apimentado e saboroso. Colin saboreou a já tradicional sopa, de peixe, também bem condimentada, que o fez começar a suar. Terminada a refeição, fomos ao shopping procurar um lugar para ele parafusar seus óculos, que estavam deixando a lente cair. Depois fomos procurar uma loja de celulares usados, na qual o aconselhei a levar um Samsung Galaxy, que ele acabou pagando US$ 85, com fone de ouvido, capinha, carregador e tudo.
Na volta, ele veio aqui no quarto e trouxe de presente um mapa e um guia aqui do Camboja, que ele não precisará mais até setembro, quando retorna para cá. Ligamos para Ron, que coincidentemente já estava aqui no hotel, na piscina, então combinamos de nos encontrar lá. Ficamos um bom tempo lá conversando e nadando e Ron ligou para o seu pai pedindo para engrossar a sopa e aumentar a porção de arroz, pois em breve estaríamos indo para lá.
Após uma jornada de uns 15 minutos no tuk-tuk, chegamos na casa dele, que está à venda por US$ 1,3 milhão (como verão nas fotos, é uma casa bem antiga, de madeira; o valor deve-se mais à grande área do terreno e à localização, próxima ao Olympic Market). Colin precisava comprar uma mochila para viajar, então fomos ao mercado olímpico. Poucos minutos antes de chegar, começou a chuviscar. Se tivéssemos demorado um pouco mais, teríamos pego um baita temporal, que começou quando já estávamos protegidos lá no mercado.
A chuva, rara aqui no Camboja, se mostrou uma grande preocupação para os lojistas do mercado, que é protegido lateralmente por uma lona, que, afetada pela força do vento e da chuva, ficou balançando e molhando o interior do mercado. Outra particularidade de um mercado secundário onde fomos comprar almondegas para a prima de Ron é que mesmo lá dentro o pessoal liga a moto para andar, não se preocupando se tem pedestres lá dentro ou não. Além disso, a tradicional sujeira. O chão, de pedra, é de uma cor bem próxima ao preto; ou seja, acredito que nunca o lavam...
Enfim, Colin acabou encontrando uma mochila por US$ 12. Eu comprei “apenas” meio quilo de jaca, por US$ 1,50, pois já estava com fome após almoçar cedo. Íamos comprar um frango assado para levar, mas eles ainda não estavam prontos. Acabamos voltando para a casa de Ron, que saiu mais tarde e trouxe frango assado, pão e cervejas, que acabamos não consumindo.
Já na casa dele, aconteceu a coisa mais interessante do dia, da semana e quiçá do mês. Conversamos com o pai dele, que é um sobrevivente dos quatro anos em que o Khmer Rouge governou o país. Ele estava na cidade no dia em que o KR desocupou Phnom Penh e mandou todo mundo para o interior. Foi inacreditável escutar relatos de quem teve que trabalhar como um condenado e passar fome até o ponto dos joelhos serem maiores que a perna. Foi chocante saber que ele perdeu parte da visão (tem dificuldade de enxergar à noite, um problema chamado chicken blind em inglês, desconheço o termo em português) ao levar um tombo, mas também consolador saber que os membros do partido acreditaram que ele não tinha condições de trabalhar e tentaram tratá-lo. Tudo por que ele não fazia corpo mole e ajudava como podia - um dos requisitos que o KR impunha a quem quisesse continuar vivo. Enfim, foi como conhecer um sobrevivente do holocausto - um vencedor que conseguiu sair vivo e agora aprecia a vida como nunca, mesmo tendo ido viver nos confins do Canadá, cercado por ursos e alces.
Ah, esqueci de contar. Na casa de Ron, tomamos a sopa que eu havia mencionado anteriormente, de peixe. Deliciosa, com abacaxi, vegetais, bem picante. De sobremesa, tivemos manga e mamão. Conhecemos a tia dele (ela fez a sopa) e a avó, que está com 90 anos. Enfim, por volta de 19h, Colin percebeu que teria que voltar para o hotel para terminar de arrumar as malas para viajar e retornamos ao hotel. Nos despedimos e vim para o quarto.
Assisti ao primeiro episódio da sexta temporada de Community, após tomar um banho, pois, como poderão ver nas fotos, não havia ar-condicionado na casa de Ron, e estava bem quente. Pelas 22h, fui dormir, a fim de estar descansado para o dia seguinte, quando iria acordar às 7h para levar mais currículos em algumas escolas.
Enfim, espero que tenham gostado do post de hoje e, caso queiram assistir vídeos feitos por mim durante a viagem, acessem meu canal no YouTube em 
Um abraço a todos e até o próximo post!


















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