Em meu trigésimo sétimo dia no Camboja, acordei 8h da manhã
e me arrumei para sair às 9h45 com os colegas Colin, Mary e Isabel para irmos
ao Museu Nacional, aqui em Phnom Penh. Passamos no templo aqui perto do hotel
para pegar o ex-monge Singit, amigo e ex-aluno da Mary. Com todos a bordo,
rumamos em direção ao nosso destino. Mais uma vez conseguimos uma boa barganha,
US$ 4 até lá. No caminho, o amigo canadense Ron me ligou para me dizer que já
estava lá.
Cerca de 20 minutos depois, chegamos lá, mas não vimos Ron.
Na entrada, um cambojano com necessidades especiais me abordou para comprar
alguns livros, mas acabei não adquirindo nenhum, pois já havia dado minha
primeira “esmola” para uma senhora com uma criança de colo, a pedido de Isabel.
Ficamos esperando um tempo até Ron nos encontrar lá, o que nos deu tempo de
tirar algumas fotos ali na frente.
Quando ele finalmente chegou, pagamos a entrada de US$ 5 e
entramos. Ali dentro, a enorme área era repleta de estátuas (a maioria de
budas, mas também de antigos reis cambojanos e outras figuras mitológicas, como
poderão ver nas fotos), cabine de barco, objetos pré-históricos e mais outros
itens que também poderão visualizar no fim do post.
Outra coisa que poderão ver nas fotos é o maravilhoso jardim
localizado no centro do museu, no qual também tirei algumas fotos. Além da
vista da fachada do museu, havia uma estátua, muitas árvores e flores, e também
pequenas fontes com peixes nadando.
Levamos mais de 2 horas para ver tudo, e quando terminamos,
fomos procurar um lugar para almoçar. Acabamos encontrando um restaurante bem
razoável, o Happy Chef Pizza. Apesar do nome, acabei provando camarão com
pimenta verde local, em uma porção bem reduzida, mas que não era das piores,
tudo isso regado a uma pitcher de cerveja que dividi com Ron. No final da
refeição, pedi uma sobremesa de tres diferentes sabores de sorvete: chocolate,
baunilha e coco – a porção não era das maiores, mas compensava em qualidade; o
sorvete era muito gostoso.
Após a refeição, continuamos andando um pouco pela
vizinhança do Riverside, pois Colin queria ver se encontrava alguma loja de
penhores com computadores à venda, mas acabamos não encontrando nenhum. O clima
ontem estava “ameno”: apenas 37ºC – a cada dia agradeço a Deus por ter trazido
meu guarda-chuva para cá.
Demos uma caminhada pelo Riverside, onde é possível ver o
famoso rio Mekong, que vai até o Vietnam. Como o calor estava muito forte, não
aguentamos ficar muito tempo e acabamos pegando um tuk-tuk de volta para o
hotel, onde fomos direto para a piscina nos refrescar. A piscina estava cheia;
havia as tradicionais crianças aleatórias que pagam uma certa taxa para usar a
piscina e também o xará australiano Daniel apareceu por lá.
Quando cansamos, saímos da piscina e resolvemos ir comprar
algo para comer. Sugeri aos amigos que fossemos à avenida que leva ao shopping
para comprarmos frango assado e noodles. Não encontramos estes últimos, mas
acabei comprando um frango assado para mim e uma porção de arroz. Na volta, peguei
alguns talheres no meu quarto e fomos jantar à beira da piscina, com um clima
que já estava bem mais agradável, até por já ser de noite. Ficamos lá mais ou
menos uma hora, conversando e planejando algo para a despedida de Colin, que
ficará até a próxima quinta-feira e então seguirá viagem para Vietnam e China,
retornando então para o Canadá.
Terminada a refeição, Colin e eu abandonamos nossas amigas e
subimos para nossos respectivos quartos. Era por volta de 22h, e eu teria que
acordar as 7h no dia seguinte, pois havia combinado com Isabel de sairmos às 8h
deste domingo para irmos, caminhando, ao Genocide Museum, uma espécia de
Auschwitz aqui no Camboja (um registro do genocídio acontecido aqui no país
algumas décadas atrás). Cansado do dia repleto de atividades, tive apenas ânimo
para tomar um bom banho e ir dormir.
Neste domingo, acordei às 7h, como planejado. Tomei café, me
arrumei, me besuntei de protetor solar e desci às 8h, para encontrar Isabel e
Mary já no restaurante, também tomando café.
Após terminaram, Mary saiu para pegar um tuk-tuk para ir
para casa. Na pressa, no entanto, acabou esquecendo seu “almoço” (o resto do
frango do dia interior) e Isabel saiu correndo para avisá-la. Conseguimos
alcançá-la e já aproveitamos para sair, a pé, em direção ao Genocide Museum.
Felizmente, este era bem mais perto que o Independence Monument e, mesmo
andando mais devagar, chegando lá entre 45 e 50 minutos. No caminho,
passamos por alguns condomínios e
prédios de alto padrão, sempre cercados por uma vizinhança pobre. Durante o
trajeto, vimos também um restaurante alemão e biergarten, no qual passamos na
volta para ver o cardápio, que não continha tantos itens assim (além de caros)
e oferecia apenas duas cervejas alemãs, então acabamos não ficando por lá.
Isabel e eu acabamos nos distraindo conversando, e, quando
vimos, já havíamos passado duas quadras do museu, que ficava em uma esquina, e
incrivelmente não percebemos quando passamos. Enfim, retornamos, pagamos US$ 3
pela entrada, e a moça da bilheteria perguntou de onde eu era. Isabel ficou
desconcertada pelo fato de não terem perguntado a ela.
Já dentro do museu, como poderão ver nas fotos, há um belo
jardim, com um monumento em homenagem às vítimas bem no centro. O lugar é
composto de quatro complexos. No primeiro, como poderão ver nas imagens abaixo,
hospedavam-se oficiais de alto escalão do Khmer Rouge, além de exposição de
fotos e um mural explicando como os suecos foram enganados pelo ditador Pol Pot
quando visitaram o país. Foi mostrado a eles um Camboja feliz, com crianças
sorridentes e sem pobreza. Os suecos, então, disseminaram pelo mundo que eram
falsos os depoimentos dados por cambojanos que haviam conseguido fugir do país.
O ponto de vista sueco fez com que fosse adiado o auxílio dado pelos vietnamitas
quatro anos depois, quando invadiram o Camboja e depuseram o maldito ditador.
No prédio B, há celas individuais no térreo e no primeiro
andar. No segundo, era onde acontecia a detenção em massa. Há também profusão
de fotos de vítimas do S-21. A estrutura do prédio C é a mesma, mostrando
antigas celas do regime de Pol-Pot, que queria transformar o país em uma
sociedade agrária, e por isto exterminou 25% da
população. Todos com alta escolaridade, artistas e pessoas em posição de
destaque foram executados, restando apenas a população mais humilde e sem
educação. O prédio D também foi usado para detenção em massa, e agora concentra
posteres com depoimentos dos sobreviventes. No S-21, complexo que visitamos,
apenas sete pessoas sobreviveram, por terem habilidades profissionais de
artista, pintor e mecânico.
No trajeto, como poderão ver, tirei foto das regras de
segurança do lugar, que foram reproduzidas em inglês, francês e khmer. As camas
vistas em algumas fotos são dos quartos nos quais os oficiais dormiam. Uma
outra foto curiosa é de uma criança em um hospital, trabalhando como médico,
medida esta tomada por Pol Pot ao assumir ao poder, reservando o tratamento dos
“verdadeiros” médicos a somente membros do Khmer Rouge. As fotos mostram quão
deprimente o lugar é, com muita energia negativa, a exemplo de quando fiz uma
visita aos campos de concentração em Auschwitz e Birkenau, na Polônia, dois
anos atrás.
Ficamos lá por volta de 3 horas e meia, quando, já cansados
e com dor nos pés, resolvemos ir almoçar, até porque já havíamos visto tudo o
que havia no museu. Após desistirmos do restaurante alemão, acabamos
encontrando um restaurante local. Ali, fui vítima de propaganda enganosa,
quando vi um vistoso prato que parecia porco agridoce e acabou vindo uma mirrada
porção de carne bovina com um molho bem sem-vergonha. Tudo por US$ 2,25. O
único “plus” foi uma panela tamanho família de arroz, que eu e Isabel quase
dizimamos (ela pediu uma sopa meio azeda, que demorou mais de meia hora para
tomar, e que vinha com várias sementes dentro, pesadas como pedras). Enfim,
após uma espera extenuante, andamos mais um pouco em direção ao hotel, e
encontramos um motorista de tuk-tuk que topou nos trazer de volta por US$ 2.
Afinal, o trajeto não era tão longo assim. De alguma forma, no entanto, ele
conseguiu demorar mais de 15 minutos para chegar.
Já de volta, mortos de calor e cansaço, fomos tomar um banho
de piscina. Ficamos lá até umas 17h e depois a chamei para ir comigo ao
shopping Sovanna, onde levei meu chip de telefone local para ser cortado e
adaptado ao meu telefone. Fomos também a um Internet Café, no qual ela imprimiu
uma cópia do currículo para levar no dia seguinte ao emprego que ela arrumou em
uma escola como professora de jardim de infância.
Na volta, ainda estava muito calor, e voltamos à piscina, na
qual ficamos umas duas horas. Já estava meio frio fora d’agua, então me despedi
e vim para o meu quarto. Jantei, tomei banho e fui assistir a dois episódios de
The Good Wife. E assim terminou meu sexto fim de semana no Camboja.
Caso tenham gostado do post e queiram assistir aos vídeos
que estou fazendo em meus passeios, acessem meu canal no YouTube em
Um abraço a todos e até o próximo post!




































































































































































































































































Nenhum comentário:
Postar um comentário