terça-feira, 21 de abril de 2015

MEU SEXTO FIM DE SEMANA NO CAMBOJA

Em meu trigésimo sétimo dia no Camboja, acordei 8h da manhã e me arrumei para sair às 9h45 com os colegas Colin, Mary e Isabel para irmos ao Museu Nacional, aqui em Phnom Penh. Passamos no templo aqui perto do hotel para pegar o ex-monge Singit, amigo e ex-aluno da Mary. Com todos a bordo, rumamos em direção ao nosso destino. Mais uma vez conseguimos uma boa barganha, US$ 4 até lá. No caminho, o amigo canadense Ron me ligou para me dizer que já estava lá.
Cerca de 20 minutos depois, chegamos lá, mas não vimos Ron. Na entrada, um cambojano com necessidades especiais me abordou para comprar alguns livros, mas acabei não adquirindo nenhum, pois já havia dado minha primeira “esmola” para uma senhora com uma criança de colo, a pedido de Isabel. Ficamos esperando um tempo até Ron nos encontrar lá, o que nos deu tempo de tirar algumas fotos ali na frente.
Quando ele finalmente chegou, pagamos a entrada de US$ 5 e entramos. Ali dentro, a enorme área era repleta de estátuas (a maioria de budas, mas também de antigos reis cambojanos e outras figuras mitológicas, como poderão ver nas fotos), cabine de barco, objetos pré-históricos e mais outros itens que também poderão visualizar no fim do post.
Outra coisa que poderão ver nas fotos é o maravilhoso jardim localizado no centro do museu, no qual também tirei algumas fotos. Além da vista da fachada do museu, havia uma estátua, muitas árvores e flores, e também pequenas fontes com peixes nadando.
Levamos mais de 2 horas para ver tudo, e quando terminamos, fomos procurar um lugar para almoçar. Acabamos encontrando um restaurante bem razoável, o Happy Chef Pizza. Apesar do nome, acabei provando camarão com pimenta verde local, em uma porção bem reduzida, mas que não era das piores, tudo isso regado a uma pitcher de cerveja que dividi com Ron. No final da refeição, pedi uma sobremesa de tres diferentes sabores de sorvete: chocolate, baunilha e coco – a porção não era das maiores, mas compensava em qualidade; o sorvete era muito gostoso.
Após a refeição, continuamos andando um pouco pela vizinhança do Riverside, pois Colin queria ver se encontrava alguma loja de penhores com computadores à venda, mas acabamos não encontrando nenhum. O clima ontem estava “ameno”: apenas 37ºC – a cada dia agradeço a Deus por ter trazido meu guarda-chuva para cá.
Demos uma caminhada pelo Riverside, onde é possível ver o famoso rio Mekong, que vai até o Vietnam. Como o calor estava muito forte, não aguentamos ficar muito tempo e acabamos pegando um tuk-tuk de volta para o hotel, onde fomos direto para a piscina nos refrescar. A piscina estava cheia; havia as tradicionais crianças aleatórias que pagam uma certa taxa para usar a piscina e também o xará australiano Daniel apareceu por lá.
Quando cansamos, saímos da piscina e resolvemos ir comprar algo para comer. Sugeri aos amigos que fossemos à avenida que leva ao shopping para comprarmos frango assado e noodles. Não encontramos estes últimos, mas acabei comprando um frango assado para mim e uma porção de arroz. Na volta, peguei alguns talheres no meu quarto e fomos jantar à beira da piscina, com um clima que já estava bem mais agradável, até por já ser de noite. Ficamos lá mais ou menos uma hora, conversando e planejando algo para a despedida de Colin, que ficará até a próxima quinta-feira e então seguirá viagem para Vietnam e China, retornando então para o Canadá.
Terminada a refeição, Colin e eu abandonamos nossas amigas e subimos para nossos respectivos quartos. Era por volta de 22h, e eu teria que acordar as 7h no dia seguinte, pois havia combinado com Isabel de sairmos às 8h deste domingo para irmos, caminhando, ao Genocide Museum, uma espécia de Auschwitz aqui no Camboja (um registro do genocídio acontecido aqui no país algumas décadas atrás). Cansado do dia repleto de atividades, tive apenas ânimo para tomar um bom banho e ir dormir.
Neste domingo, acordei às 7h, como planejado. Tomei café, me arrumei, me besuntei de protetor solar e desci às 8h, para encontrar Isabel e Mary já no restaurante, também tomando café.
Após terminaram, Mary saiu para pegar um tuk-tuk para ir para casa. Na pressa, no entanto, acabou esquecendo seu “almoço” (o resto do frango do dia interior) e Isabel saiu correndo para avisá-la. Conseguimos alcançá-la e já aproveitamos para sair, a pé, em direção ao Genocide Museum. Felizmente, este era bem mais perto que o Independence Monument e, mesmo andando mais devagar, chegando lá entre 45 e 50 minutos. No caminho, passamos  por alguns condomínios e prédios de alto padrão, sempre cercados por uma vizinhança pobre. Durante o trajeto, vimos também um restaurante alemão e biergarten, no qual passamos na volta para ver o cardápio, que não continha tantos itens assim (além de caros) e oferecia apenas duas cervejas alemãs, então acabamos não ficando por lá.
Isabel e eu acabamos nos distraindo conversando, e, quando vimos, já havíamos passado duas quadras do museu, que ficava em uma esquina, e incrivelmente não percebemos quando passamos. Enfim, retornamos, pagamos US$ 3 pela entrada, e a moça da bilheteria perguntou de onde eu era. Isabel ficou desconcertada pelo fato de não terem perguntado a ela.
Já dentro do museu, como poderão ver nas fotos, há um belo jardim, com um monumento em homenagem às vítimas bem no centro. O lugar é composto de quatro complexos. No primeiro, como poderão ver nas imagens abaixo, hospedavam-se oficiais de alto escalão do Khmer Rouge, além de exposição de fotos e um mural explicando como os suecos foram enganados pelo ditador Pol Pot quando visitaram o país. Foi mostrado a eles um Camboja feliz, com crianças sorridentes e sem pobreza. Os suecos, então, disseminaram pelo mundo que eram falsos os depoimentos dados por cambojanos que haviam conseguido fugir do país. O ponto de vista sueco fez com que fosse adiado o auxílio dado pelos vietnamitas quatro anos depois, quando invadiram o Camboja e depuseram o maldito ditador.
No prédio B, há celas individuais no térreo e no primeiro andar. No segundo, era onde acontecia a detenção em massa. Há também profusão de fotos de vítimas do S-21. A estrutura do prédio C é a mesma, mostrando antigas celas do regime de Pol-Pot, que queria transformar o país em uma sociedade agrária, e por isto exterminou 25% da  população. Todos com alta escolaridade, artistas e pessoas em posição de destaque foram executados, restando apenas a população mais humilde e sem educação. O prédio D também foi usado para detenção em massa, e agora concentra posteres com depoimentos dos sobreviventes. No S-21, complexo que visitamos, apenas sete pessoas sobreviveram, por terem habilidades profissionais de artista, pintor e mecânico.
No trajeto, como poderão ver, tirei foto das regras de segurança do lugar, que foram reproduzidas em inglês, francês e khmer. As camas vistas em algumas fotos são dos quartos nos quais os oficiais dormiam. Uma outra foto curiosa é de uma criança em um hospital, trabalhando como médico, medida esta tomada por Pol Pot ao assumir ao poder, reservando o tratamento dos “verdadeiros” médicos a somente membros do Khmer Rouge. As fotos mostram quão deprimente o lugar é, com muita energia negativa, a exemplo de quando fiz uma visita aos campos de concentração em Auschwitz e Birkenau, na Polônia, dois anos atrás.
Ficamos lá por volta de 3 horas e meia, quando, já cansados e com dor nos pés, resolvemos ir almoçar, até porque já havíamos visto tudo o que havia no museu. Após desistirmos do restaurante alemão, acabamos encontrando um restaurante local. Ali, fui vítima de propaganda enganosa, quando vi um vistoso prato que parecia porco agridoce e acabou vindo uma mirrada porção de carne bovina com um molho bem sem-vergonha. Tudo por US$ 2,25. O único “plus” foi uma panela tamanho família de arroz, que eu e Isabel quase dizimamos (ela pediu uma sopa meio azeda, que demorou mais de meia hora para tomar, e que vinha com várias sementes dentro, pesadas como pedras). Enfim, após uma espera extenuante, andamos mais um pouco em direção ao hotel, e encontramos um motorista de tuk-tuk que topou nos trazer de volta por US$ 2. Afinal, o trajeto não era tão longo assim. De alguma forma, no entanto, ele conseguiu demorar mais de 15 minutos para chegar.
Já de volta, mortos de calor e cansaço, fomos tomar um banho de piscina. Ficamos lá até umas 17h e depois a chamei para ir comigo ao shopping Sovanna, onde levei meu chip de telefone local para ser cortado e adaptado ao meu telefone. Fomos também a um Internet Café, no qual ela imprimiu uma cópia do currículo para levar no dia seguinte ao emprego que ela arrumou em uma escola como professora de jardim de infância.
Na volta, ainda estava muito calor, e voltamos à piscina, na qual ficamos umas duas horas. Já estava meio frio fora d’agua, então me despedi e vim para o meu quarto. Jantei, tomei banho e fui assistir a dois episódios de The Good Wife. E assim terminou meu sexto fim de semana no Camboja.
Caso tenham gostado do post e queiram assistir aos vídeos que estou fazendo em meus passeios, acessem meu canal no YouTube em
Um abraço a todos e até o próximo post!







































































































































































































































































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