Mais uma vez, meu dia começou cedo, às 7h. Fiz tudo o que
tinha pra fazer aqui no quarto, me arrumei e desci às 8h. pesei os prós e os
contras e acabei decidindo por pegar uma moto que me levasse no American
Intercon Institute e também até a Beltei International University. No primeiro,
entrei e pedi para falar com os diretores ou pessoal do RH, mas, mais uma vez,
não teve como, então acabei deixando meu CV e documentação apenas. Na Beltei,
uma grande instituição, como poderão ver nas fotos, também não consegui falar
com ninguém da diretoria, apenas uma moça da recepção, que recolheu o envelope
com minhas informações. Fui ainda a uma pequena escola chamada Cam Elite, na
qual, esta sim, consegui falar com a diretora, que me disse que não estavam
precisando de professores no momento.
Voltei para o hotel por volta de 9h30 e resolvi então fazer
um tour à esquerda no Monireth Boulevard, pois ainda tinha uma meia dúzia de
currículos para desovar. Como falei em posts anteriores, tivemos duas chuvas
fortes essa semana. Portanto, como o sistema de saneamento daqui está longe do
ideal, as ruas estavam todas alagadas. Para piorar, o trajeto que fiz não é
pavimentado em sua maioria, então podem imaginar o lamaçal cinza que estava por
lá. Mesmo assim, continuei meu trajeto até chegar lá. Um pouco antes disso,
passei pelo monastério aqui perto do hotel e tirei foto de uma galinha gigante
que havia no topo de uma das construções de lá.
Consegui registrar um monge que estava indo na mesma direção
que eu. O pobre religioso estava descalço e teve que pisar naquela imundície
sem proteção alguma. O caminho até lá foi bem árduo: tive que ficar desviando
das infinitas poças d’agua e também dos bolsões de lama, o que foi sujando meus
sapatos e minha calça social. Isso sem falar no calor que começou a se
intensificar. Acabei deixando o currículo em apenas uma escola, cujo nome não
me recordo agora, pois julguei que seria contraproducente ir em mais lugares
sem estar na minha melhor apresentação possível.
Voltei então ao hotel, exausto e sedento e fui me refrescar
um pouco na piscina, onde nadei por pouco mais de meia hora. Na metade do meu
treino, Trea (uma espécie de faz-tudo aqui do hotel – ela agilizou minha visita
às escolas, visto de permanência, etc.) me chamou pela sacada do lobby e me deu
uma ótima notícia: eu teria uma entrevista de emprego às 17h na Paññasãstra
University of Cambodia.
Terminei de nadar, vim me trocar aqui no quarto e desci para
ir almoçar. Encontrei Trea no lobby e ela me disse quem iria me entrevistar e
pediu que eu levasse cópia dos meus diplomas, certificados e também do
passaporte.
Fui almoçar no meu restaurante tradicional e optei pelo já
conhecido frango com gengibre. Eles deviam ter achado que estou acima do peso,
pois me deram uma ínfima porção de uns 100g. fui até lá pedir mais e demorei
uns cinco minutos, fazendo mímicas e dizendo a palavra “more”, para que eles
entendessem o que eu queria. Ou talvez só estivessem dando uma de
“joão-sem-braço”... Enfim, eventualmente entenderam após uma mímica que fiz e
me deram um pouquinho mais, que na saída tentaram cobrar, mas aí foi minha vez
de dar uma de joão sem braço e acabei pagando o valor tradicional.
De volta ao hotel, aproveitei à tarde para ir fazer as
cópias dos documentos e também para ler sobre a universidade e os programas que
eles oferecem. Lanchei no meio da tarde e pouco antes das 16h comecei a me
arrumar para ir para a entrevista. Meia hora depois, cheguei de camisa e
gravata no lobby, quando uma das garotas da recepção disse que eu estava handsome. Nunca é demais uma boa
calibrada no ego antes de uma entrevista de emprego. Enfim, já fora do hotel
encontrei um motoqueiro para me levar na universidade, que fica,
coincidentemente, bem próxima ao Monumento da Independência, ao qual eu havia
ido na semana passada com Isabel.
Me segurei bem na moto e fomos. O trajeto deveria ter levado
uns 15 minutos, mas o motoqueiro, para variar, não sabia direito onde o lugar
ficava, e teve que ligar do celular para alguém ajudá-lo. Resultou que acabei
chegando na universidade cinco minutos antes da entrevista, mas, por sorte, Mr.
Colin ainda estava terminando de entrevistar o candidato anterior e acabei
esperando uns 15 minutos lá. Meu entrevistador veio então me recepcionar e me levou
até sua sala, onde a entrevista foi feita. Ele me contou sobre a instituição e
que eles tem turmas preparatórias de inglês o ano todo, pois os alunos devem
ter um exame comprobatório de conhecimento mínimo em inglês para que possam
frequentar as aulas da universidade. Contei a ele que tenho experiência em
preparo para exames internacionais e também que já lecionei todas as faixas
etárias: crianças, adolescentes e adultos. Ele até mesmo me disse que há um
ônibus próximo aqui ao hotel que eu poderia pegar para ir até o campus onde as
aulas serão dadas – considerei isto como um bom sinal. Ele me contou também das
condições, impostos, treinamentos dados aos professores, etc e disse que irá me
contactar no início da próxima semana para que eu vá até lá ver um cronograma
das aulas. Não é nada garantido ainda, mas estou confiante.
Terminada a entrevista, olhei ao redor da universidade, com
mais calma, e vi o lindo lugar em que estava e resolvi voltar caminhando. Havia
um parque (Wat Bottom) em frente à Paññasãstra, com um grande grupo praticando
ginástica ao ar livre, muito legal (poderão conferir nas fotos e vídeos). Ali
ao lado, tirei foto do Cambodia-Vietnam monument. Logo atrás do parque estava o
Botumvatey Monastery, que infelizmente estava fechado. Resolvi então voltar
para casa. No trajeto, tirei novas fotos do monumento da independência e também
de algumas embaixadas que estavam no caminho, como do Catar e da Coréia. Passei
por um outro parque, no qual havia um grande número de pessoas comendo e uma
estrutura sendo montada (parece que haveria algum evento ali à noite), além de
crianças jogando bola e mais um grupo fazendo ginástica ao ar livre.
Era bem próximo das 18h e começou a anoitecer. A rush hour é
extremamente caótica por aqui (bem mais que o usual) e foi extremamente difícil
atravessar algumas ruas; tive que utilizar o método kamikaze ou ainda estaria
lá. O lado bom é que consegui tirar algumas fotos a mais para por no blog, como
poderão ver.
Enfim, uma hora depois, com bolhas sendo formadas no pé e
praticamente nada suado, cheguei ao hotel. Tomei uma merecida cerveja gelada e
desci para a piscina, onde encontrei a coleguinha Isabel, que havia tentado me
ligar duas vezes em minha caminhada de retorno ao hotel. Ficamos lá conversando
na piscina por volta de uma hora (ela estava conversando com um carinha do
atual programa da LC-Asia e quando eu cheguei ela o abandonou totalmente...
achei rude, mas enfim...) e decidimos sair para jantar, her treat.
Fomos a um restaurante que fica na esquina, a uma quadra do
Sovanna Mall, mas estavam fechando. Pensamos em ir ao KFC comer um sanduíche de
frango, mas estávamos com fome e o sanduíche lá parece ser pequeno. Acabamos
indo a um restaurante que já havíamos ido, próximo à loja 2500. Ambos comemos
arroz frito com carne de porco e um ovo frito por cima, acompanhados de uma
tigelinha de sopa, bem saborosa. Ela pagou a conta (quando eu receber meu
primeiro salário será minha vez) quase uma hora após chegarmos lá (esperei mais
ou menos meia hora ela terminar de comer...) e voltamos para o hotel, a passos
de tartaruga, já que minhas pernas estavam (e ainda estão) bem doloridas das
caminhadas dos últimos dias.
De volta ao hotel, bem cansado, meu único pensamento era
cair na cama e dormir. Foi o que fiz, sem preocupações de acordar cedo no dia
seguinte. E assim acabou meu quadragésimo terceiro dia aqui no Camboja.
Caso tenham gostado do post e queiram assistir aos vídeos
que estou fazendo em meus passeios, acessem meu canal no YouTube em https://www.youtube.com/channel/UCSnlDgGBkeCnhbDbLLkCjew
Um abraço a todos e até o próximo post!









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