sexta-feira, 13 de março de 2015

MEU PRIMEIRO DIA NO CAMBOJA

Olá a todos!
Quem vos fala é Daniel Yabu, jornalista, professor de inglês, espanhol e informática. Me inscrevi no mês passado para um curso TEFOL (Professores de inglês para falantes de outras línguas) no Camboja, com a empresa Language Corps Asia.
O propósito principal deste blog é relatar minhas experiências aqui neste país e auxiliar/incentivar outros professores que estejam querendo qualificar-se profissionalmente para atuar no exterior enquanto conhecem uma cultura diferente (bem diferente neste caso). Além disso, quero utilizar também este veículo como meio de comunicação com familiares, amigos, conhecidos, ex-alunos, etc.
Assim sendo, alguns posts terão a função de utilidade pública, como o primeiro, que visou, através da publicação parcial da carta que recebi do coordenador do curso, Sr. Barnes, auxiliar com dicas e orientações os interessados a vir estudar aqui no Camboja.
Outros, como o que iniciarei em breve, terão o propósito de relatar meu dia, com curiosidades e informações úteis sobre o país.
Sem mais delongas e apresentações, abaixo segue o resumo de minhas primeiras horas neste exótico país asiático, que fica a quase 17 mil quilômetros da cidade onde moro, União da Vitória-PR, localizada no sul do Brasil.

Saí de São José dos Pinhais-PR na 4a feira, às 14h53 para chegar no Camboja por volta de 12h15, horário local. Como o fuso horário é de 10 horas a mais, na verdade a viagem durou 30 horas.
Ao entrar no Camboja, munido de formulários de imigração fornecidos pela Bangkok Airways, companhia com a qual vim da Tailândia para cá, rumei em direção à imigração, processo com o qual eu estava meio apreensivo, por não saber se minha permanência de 11 meses declarada nos documentos seria autorizada.
Minha primeira interação com os funcionários do aeroporto não foi das mais calorosas. Pediram-me o formulário de imigração e o passaporte e me questionaram de onde era. O primeiro "enrosco" surgiu quando o funcionário começou a me pedir cartões de embarque de todos os voos (recomendo guardá-los em lugar bem visível) e eu não havia colocado o de São Paulo - Londres junto com os outros. O funcionário também me questionou por que não havia carimbos do meu voo doméstico no passaporte. Quando expliquei que o procedimento não era padrão no Brasil, o mesmo demonstrou estranhamento, mas não escalou a situação.
Fui então encaminhado para outro funcionário, o qual me cobrou uma taxa de US$ 35 para emitir o E-Visa de negócios (ou Ordinary), que credencia o visitante a ficar mais de um mês no país, o que é o caso do Tourism Visa, que custa US$ 30. Após atender um visitante indiano, este outro rapaz apenas recebeu o valor e me entregou o troco e meu passaporte, que agora está carimbado com o visto cambojano, com duração de 12 meses. O procedimento foi relativamente rápido e sem maiores preocupações, mas recomendo que venham com uma foto 4x6, exigida para o formulário, com os cartões de embarque (todos) em lugar de fácil acesso e preparados para responder perguntas dos funcionários a respeito dos voos.
Antes de sair do aeroporto, precisei falar com mais um funcionário, que pegou mais um formulário dos que eu havia preenchido no avião e cadastrou minhas digitais em um aparelho igual ao que temos em nossas delegacias federais quando vamos tirar o passaporte. No início não entendi muito bem o que ele dizia, mas me pediu para colocar os dedos da mão direita, o polegar da mão direita e depois o mesmo processo com a mão esquerda.
A última etapa foi entregar um formulário da alfândega a um funcionário que estava de pé na última porta do pequeno aeroporto de Phnom Penh, que mal o olhou e autorizou minha saída.
Antes disto, esperei por no máximo cinco minutos até que minha bagagem aparecesse na esteira, fato este que me deixou bem aliviado, pois eu estava incerto do destino de minha bagagem até contactar uma funcionária da Bangkok Airways no aeroporto anterior em que havia estado. A funcionária levou alguns minutos para confirmar a informação, mas me disse que a bagagem realmente já havia sido enviada para o destino final, como aconteceu. Minha preocupação se deveu ao fato de o último voo não ter sido operado pela mesma companhia dos anteriores (British Airways), mesmo apesar de o funcionário desta empresa no Brasil ter me garantido que isto aconteceria. Recomendo que peçam ao funcionário que coloquem no sistema para a bagagem sem enviada diretamente ao destino final, como fiz. Caso isto não tivesse acontecido, eu provavelmente não teria tido tempo de pegar as bagagens e o voo, pois o tempo de escala no aeroporto de Bangkok foi de aproximadamente uma hora e meia.
Enfim, desenrascadas todas as etapas legais no aeroporto, havia, como combinado, um funcionário da Language Corps me esperando do lado de fora do pequeno terminal, um simpático cambojano segurando uma placa com meu nome. Me identifiquei e ele carregou meu pequeno contêiner de 23 quilos como se ele tivesse menos da metade do peso até sairmos dos portões do aeroporto, quando ele me pediu que esperasse alguns momentos até que ele fosse buscar seu tuk-tuk (taxi  composto de uma moto que puxa um carrinho) que estava do outro lado da rua.
Com o contêiner em cima do interessante veículo, deu-se o início oficial às minhas atividades no Camboja. No trajeto que durou cerca de 20 a 25 minutos do aeroporto até o hotel onde estou agora, notei algumas particularidades que aparecerão em algumas das fotos que tirei hoje e postarei aqui. Uma delas é que há infinitamente mais motos e tuk-tuks do que carros no trânsito da capital cambojana, todos mudando e pista e buzinando e sinalizando a todo momento. Há também alguns motoqueiros que andam na contramão, próximos ao acostamento. Não há muita sinalização, bem como sinaleiros e faixas de pedestre e muitos cambojanos utilizam máscaras ao dirigir, devido a poluição gerada pelos muitos veículos da cidade. Durante esta pequena viagem, pude também observar lados positivos, como a belíssima arquitetura (mesmo lugares que não eram religiosos apresentavam traços de construções religiosas, como hospitais e universidade), alguns monumentos (pude ver um buda gigante ao longe e mais a frente um elefante branco com detalhes dourados) e um detalhe interessante: mesmo no calor escaldante de mais ou menos 35 graus que fez hoje a tarde, muitos cambojanos andam de camisa social (alguns de calça também) em suas motos e também a pé na rua, o que demonstra o asseio e a preocupação com a elegância deste povo.
Chegando ao Marady Hotel, onde estou hospedado, não houve muita burocracia, pois já me estavam esperando. Apenas mostrei-lhes meu passaporte e me entregaram uma folha com instruções do curso (que continha a valiosa senha do wi-fi do hotel, sem a qual não lhes estaria escrevendo) e me encaminharam ao quarto onde estou, com o mesmo simpático motorista do tuk-tuk trazendo o meu contêiner até a porta do quarto. Minha habitação não tem nada de luxuosa, mas é espaçosa, tem frigobar, banheiro ocidental (nada mais que chuveiro com água quente e vaso sanitário) e o mais importante: ar condicionado! A única ressalva é que o closet oferecido não oferece gavetas, somente uma arara com míseros quatro cabides. A concierge do hotel ficou de me emprestar alguns amanhã, mas disse que é melhor comprar mais, pois podem ser encontrados por $1 a dezena. Quando constatar se é verdade, confirmo em um futuro post.
Após descansar um pouco, tirar algumas coisas da mala e tomar o tão esperado banho após 30 horas de viagem, bateu a fome e resolvi explorar um pouco a região e procurar o shopping center que me disseram (na carta do primeiro post do blog) que há aqui perto,há cerca de quatro quadras.
Chegar lá levou mais tempo que o esperado. Não pelo fato de ter me perdido, pois achei o lugar bem rápido, após passar por um viaduto parecido aos de São Paulo. Mas sim devido a algo que mencionei antes, em todo o trajeto, não visualizei uma mísera faixa de pedestres. Como o trânsito aqui é constante, confesso que fiquei esperando uns cinco minutos para uma brecha para atraevessar a rua.
Já no shopping, explorei o primeiro piso, que continha lojas bem parecidas com as que encontramos em shoppings de outros lugares, como uma cadeia de fast food, loja de celular, roupas femininas e até mesmo um banco. O lugar que me mais interessava também estava no primeiro piso, quando terminei de dar a volta completa na área: o Lucky supermercado, que eu havia lido ser no estilo norte-americano. Podemos chamar o estilo norte-americano de brasileiro também, pois lá vi praticamente tudo que encontramos no Brasil, até mesmo algo que eu e minha mãe não esperávamos ver: pão! Havia também frutas (bem caras), verduras, leite (caríssimo também - doze reais a garrafa de dois litros), artigos de higiene e, sim, cervejas (principalmente dos estilos Pilsen e Stout, para o meu espanto. Também me surpreendeu o fato de encontrar cervejas importadas, como a irlandesa Guinness Foreign Stout e a belga Hoegaarden, entre outras - mas isto é assunto para meu outro blog, dr-beer.blogspot.com).
Munido de uma baguete de frango,um pão de centeio fatiado, suco de ameixa preta com aloe vera (delicioso), dijonnaise (maionese misturada com mostarda dijon), presunto apimentado e algumas das cervejas locais, voltei para o hotel. Com as duas sacolas perfazendo um peso relativamente incômodo de carregar, foi ainda mais demorado atravessar a rua. Eventualmente consegui voltar ao hotel, quando então descobri com a concierge do hotel que não há quartos com gavetas para guardar a roupa e tampouco rodos para secar o chão do banheiro. O que eu consegui, após muito custo, foi explicar para a recepcionista do hotel que eu queria um glass para levar para o quarto. Após muitas mímicas e repetições da frase "Can I borrow a glass" e suas variantes, ela entendeu o que eu queria.
Após uma bela soneca e mais um pouco de arrumação das minhas coisas no quarto, fiz um lanche com as minhas compras e posso dizer que não vou passar fome aqui.... hehehe Não ficam devendo em nada neste quesito ao Brasil.
Termino este dia com um balanço positivo do meu novo lar e com algumas fotos para possam visualizar um pouco do que vi hoje. Acompanhem também vídeos da viagem no canal no YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCSnlDgGBkeCnhbDbLLkCjew

Um abraço e até o próximo post!





















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